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Alcaraz supera drama físico em batalha histórica, Djokovic resiste a Sinner e a final do Australian Open está definida

  • 30 de jan.
  • 5 min de leitura
Carlos Alcaraz e Novak Djokovic

A grande final do Australian Open de 2026 está definida depois de uma sexta-feira que entrou para a história do torneio. Em duas semifinais épicas, longas e carregadas de tensão, Carlos Alcaraz e Novak Djokovic sobreviveram a batalhas de cinco sets e vão decidir o título em Melbourne, reunindo o atual número 1 do mundo e o maior vencedor de Grand Slam da Era Aberta.


Alcaraz x Zverev: batalha épica entra para a história


Na primeira semifinal, Alcaraz venceu uma das partidas mais duras e dramáticas dos últimos anos ao superar o alemão Alexander Zverev por 6/4, 7/6 (7-5), 6/7 (3-7), 6/7 (4-7) e 7/5, após 5h27 de jogo na Rod Laver Arena. Foi a 90ª vitória do espanhol em partidas de Grand Slam e a que o colocou, pela primeira vez, na final do Australian Open, mesmo lidando com um problema físico a partir do terceiro set.


Aos 22 anos e 272 dias, Alcaraz se tornou o mais jovem tenista da Era Aberta a disputar finais em todos os quatro torneios do Grand Slam. Será sua quarta decisão consecutiva em Slam e a oitava no total, já que o espanhol soma seis títulos nesse nível. Ele é apenas o quinto espanhol a alcançar a final em Melbourne. Até hoje, apenas Rafael Nadal conseguiu levantar o troféu, enquanto Juan Gisbert (1968), Andrés Gimeno (1969) e Carlos Moyá (1997) ficaram com o vice.


O duelo contra Zverev foi marcado por mudanças constantes de cenário. O início foi equilibrado, com os dois confirmando serviços até o alemão enfrentar break-points no sétimo game do primeiro set. Ele escapou naquele momento, mas dois games depois voltou a errar, com escolhas ruins e duas duplas faltas, sofrendo a primeira quebra da partida. Alcaraz aproveitou e fechou a parcial inicial.


No segundo set, Zverev reagiu, passou a ser mais agressivo e quebrou no sexto game, abrindo vantagem. O alemão chegou a sacar para fechar, mas ficou passivo, permitiu a recuperação do espanhol e levou o set para o tiebreak, onde Alcaraz conseguiu o único mini-break no 6-5 para abrir 2 a 0 no jogo.


O terceiro set trouxe o grande drama da partida. Sacando em 4/4, Alcaraz começou a sentir fortes dores na perna direita, visivelmente sem força nas pernas. Passou a apostar em saques colocados, curtinhas e pontos mais curtos para sobreviver. Após confirmar o game, pediu atendimento médico na virada, o que gerou reclamações de Zverev, que questionou o protocolo por se tratar, segundo ele, de cãibras. Mesmo limitado, o espanhol levou a parcial ao tiebreak, mas desta vez o alemão aproveitou a situação e diminuiu a desvantagem.


A recuperação física de Alcaraz veio aos poucos. No quarto set, ele voltou a se movimentar quase normalmente, mas Zverev também elevou o nível. Sem quebras, a decisão foi novamente no tiebreak, e o alemão foi superior, fazendo 7-4 e forçando o quinto set.


No set decisivo, Zverev largou melhor, quebrou logo no primeiro game e chegou a sacar em 5/4 para fechar a partida. Alcaraz, porém, cresceu no momento mais crítico, devolveu a quebra e voltou a pressionar. No 12º game, conseguiu novo break e fechou a partida, evitando sua primeira virada sofrida após abrir 2 sets a 0 na carreira.


A semifinal entrou para os livros de recordes: foi a mais longa da história do Australian Open, a mais longa do torneio em 2026 e também a partida mais extensa da carreira de Zverev. Alcaraz venceu apenas seis pontos a mais (200 a 194), cometeu três erros não forçados a mais (58 a 55), mas compensou com 22 winners a mais (78 a 56). Mesmo com o problema físico, terminou com 70% de aproveitamento no saque e venceu 35 de 45 pontos na rede (78%).


Após o jogo, Zverev criticou o atendimento médico concedido ao espanhol no terceiro set.


“Ele estava com cãibras. Normalmente, não se pode pedir um tempo médico por causa de cãibras. Não gostei, mas não é uma decisão minha”, afirmou. Apesar da crítica, o alemão evitou polemizar. “Essa foi uma das melhores batalhas que já aconteceram na Austrália. Não merece ser tema de discussão”, disse.

Exausto, o número 3 do mundo lamentou as chances perdidas, especialmente no segundo set, quando sacou em 5/2. “Senti que deveria ter vencido ali. No quinto set, para ser sincero, eu estava aguentando como podia. Minhas pernas pararam de empurrar”, resumiu, reconhecendo o nível altíssimo da partida.


Djokovic, o imparável

Na segunda semifinal, Novak Djokovic mostrou mais uma vez por que é referência em jogos longos e decisivos. O sérvio venceu o italiano Jannik Sinner, bicampeão do torneio, por 3/6, 6/3, 4/6, 6/4 e 6/4, após 4h10 de batalha. Foi sua 10ª vitória no Australian Open contra Sinner, encerrando uma sequência de 19 triunfos seguidos do italiano em Melbourne e impondo a ele a primeira derrota desde outubro, no Masters 1000 de Xangai.


Com o resultado, Djokovic disputará a 38ª final de Grand Slam da carreira e a 11ª na Austrália, onde nunca perdeu uma decisão. Aos 38 anos, ele se tornou o finalista mais velho da história do torneio e o segundo mais velho em finais de Slam, atrás apenas de Ken Rosewall, que chegou a decisões de Wimbledon e US Open aos 39 anos, em 1974.


O sérvio está agora a uma vitória do 25º título de Grand Slam, marca inédita que o colocaria como o maior campeão da história do tênis, entre homens e mulheres, superando Margaret Court.


Sinner começou melhor, dominando o primeiro set com saque sólido, seis aces e apenas cinco pontos perdidos no serviço, além de fazer 15 winners contra apenas 5 de Djokovic. No segundo set, o sérvio ajustou o jogo, passou a dominar os ralis mais longos e empatou com uma única quebra.


O terceiro set voltou a ser do italiano, que salvou break-point em 2/2 e quebrou no último game. A reação de Djokovic foi imediata no quarto set, com quebra logo no início e controle da vantagem até o fim. No quinto, o aproveitamento em break-points foi decisivo: Sinner teve oito chances, incluindo um 0-40, e não aproveitou nenhuma. Djokovic converteu sua única oportunidade, fez 4/3, resistiu a dois match-points salvos pelo rival e fechou o jogo.


Agora, o Australian Open terá uma final de peso máximo: Carlos Alcaraz x Novak Djokovic. De um lado, o líder do ranking em busca do único Slam que ainda falta para completar o Career Grand Slam e se tornar o mais jovem a alcançar esse feito. Do outro, o maior campeão da história tentando escrever mais um capítulo lendário, em busca do 25º título. Melbourne está pronta para mais um dia histórico.

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