Em dia laureado, Fonseca conhece adversário em Indian Wells
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A semana de João Fonseca chegou embalada por dois assuntos ao mesmo tempo. O sorteio do Masters 1000 de Indian Wells definiu o caminho do carioca no maior torneio da temporada até aqui: estreia contra o belga Raphael Collignon, 77º do mundo, com Karen Khachanov logo na segunda rodada. E, de Madri, veio a notícia de que o número 35 do mundo foi indicado ao Laureus World Sports Awards na categoria de revelação do ano, tornando-se o primeiro brasileiro a concorrer ao prêmio desde 2013.

O belga não é desconhecido. Na Copa Davis de 2024, Fonseca levou a melhor. Collignon, porém, chega diferente: conquistou o Challenger de Pau, na França, foi às quartas em Brisbane em janeiro e acumula 36 vitórias e apenas 9 derrotas no circuito Challenger desde 2025. Nos últimos seis meses, derrubou nomes como Alex de Minaur, Casper Ruud, Stan Wawrinka e Grigor Dimitrov.
A conta com Khachanov
Se vencer a estreia, o próximo da fila é Khachanov. O russo, 16º do mundo, acumula duas vitórias sobre Fonseca nos últimos meses: uma em Paris em 2025 e outra em Buenos Aires neste ano. Três encontros marcados em curto intervalo de tempo, com o carioca ainda sem resposta. Indian Wells seria a chance de mudar esse histórico, mas há uma complicação de ordem geopolítica no caminho: Khachanov é um dos jogadores que podem estar retidos nos Emirados Árabes após o fechamento do espaço aéreo na região, provocado pelo conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã.
Se não conseguir chegar a tempo, sai da chave. Os jogos de segunda rodada no masculino estão programados para sexta e sábado, o que ainda dá margem para quem saiu de Dubai nesta segunda.
O setor da chave também conta com Tommy Paul, cabeça 23, e Jannik Sinner, número 2 do mundo, como possível adversário nas oitavas. O caminho é pesado do começo ao fim.
A temporada que ainda não reagiu
Aos 19 anos, Fonseca chega a Indian Wells para sua segunda participação no torneio. Em 2025, estreou com vitória sobre Jacob Fearnley e caiu para Jack Draper na rodada seguinte. No consolidado de Masters 1000, são oito vitórias e oito derrotas, com terceiras rodadas em Miami e Cincinnati no ano passado como melhor resultado.
A temporada em simples ainda tropeça: apenas uma vitória em quatro jogos no circuito oficial. O título no Rio Open veio nas duplas, ao lado de Marcelo Melo. E o MGM Slam, torneio de exibição em Las Vegas vencido domingo passado, também ajuda no ânimo, mas não conta para o ranking. Fonseca ficou a uma posição de entrar como cabeça de chave: a última vaga ficou com o francês Ugo Humbert, 33º do mundo. Pequeno detalhe, consequência real.
Para além de Indian Wells, o carioca está inscrito no Challenger de Phoenix, na semana seguinte, torneio que venceu em 2025, caso saia cedo no deserto. Tem vaga garantida também no Masters 1000 de Miami.
Laureus: o que Neymar não conseguiu
Enquanto o sorteio saía, Madri anunciava que Fonseca está entre os indicados ao Laureus World Sports Awards na categoria de revelação do ano. É o primeiro brasileiro a concorrer desde 2013, quando Neymar disputou o mesmo troféu e foi superado por Andy Murray. Antes dele, apenas Robinho havia entrado na lista, em 2004, perdendo para a golfista norte-americana Michelle Wie. Nenhum brasileiro jamais venceu a categoria.
O principal adversário de Fonseca na votação é Lando Norris, campeão mundial de Fórmula 1 na última temporada. Completam a lista o francês Désiré Doué (futebol), o canadense Shai Gilgeous-Alexander (basquete), o britânico Luke Littler (dardos) e a chinesa Yu Zidi (natação). A cerimônia está marcada para 20 de abril no Palácio de Cibeles.
O tênis tem história generosa na categoria: Marat Safin (2001), Rafael Nadal (2006), Amélie Mauresmo (2007), Andy Murray (2013), Naomi Osaka (2019), Emma Raducanu (2022) e Carlos Alcaraz (2023) já levaram o troféu. A última representante do esporte na disputa foi Coco Gauff, em 2024, derrotada por Jude Bellingham. Fonseca entra numa lista respeitável. Agora precisa também entrar nas listas que importam em quadra.
O Laureus não é só um prêmio: é a origem do verbo. "Ser laureado" vem daí, dos louros que os gregos colocavam na cabeça dos vencedores. Fonseca está na briga para merecer o nome.
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