top of page
Banner Home_Parceiros Nittenis Club (1000 x 500 px) (Site).gif

Os melhores momentos de Federer oficialmente integrado ao Hall da Fama do tênis internacional

31 de ago.
8 min de leitura

O suíço Roger Federer foi oficialmente introduzido no Hall da Fama Internacional do Tênis, em cerimônia realizada no Horseshoe Court de Newport, nos Estados Unidos, ao lado da ex-tenista e comentarista Mary Carillo. Os dois foram os únicos nomes da turma de 2026.


(Foto: AFP)
(Foto: AFP)

Federer entra pela categoria de jogador, Carillo pela de contribuidora, reconhecimento reservado a quem teve impacto relevante sobre o esporte fora das quadras. É companhia rara: o suíço foi o único tenista eleito neste ciclo e passa a integrar um grupo histórico de 270 nomes, de 28 países, consagrados desde a fundação da instituição. Apenas um brasileiro recebeu a mesma honraria: Guga Kuerten, introduzido em 2012.


Mirka rouba a cena antes do marido subir ao palco

Quem abriu a noite de gala foi Mirka Federer, ex-jogadora da WTA e esposa do homenageado, responsável por apresentá-lo ao público antes do discurso oficial. Ela levou a plateia de volta aos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, quando o casal se conheceu.



"Sim, eu era a mulher mais velha. Pelo visto, Roger decidiu logo de cara que idade era apenas um número", disse Mirka. "Ele insistiu mesmo assim e, felizmente, foi persistente!"


Ela lembrou que, quando começaram a namorar, Federer ainda não tinha um único troféu da ATP no currículo. "Zero", repetiu, para dar ênfase. Décadas depois, completou o raciocínio com uma provocação carinhosa: "Então, estive presente para todos os 103".


Mirka contou ainda que chegou a fazer o aquecimento do marido para as partidas no início da carreira dele. "Ainda me lembro de Andy Roddick brincando após a final de Cincinnati.


'Não acredito que perdi para um cara cuja namorada fez o aquecimento dele!'", relembrou, com Roddick, aniversariante do dia, presente na plateia. "Ele realmente disse isso, e eu me lembro. Ainda sorrimos toda vez que falamos sobre o assunto."


Boa parte do discurso, porém, foi dedicada não ao jogador, mas ao homem de família. "Compartilhamos uma bela jornada", disse Mirka sobre os 26 anos ao lado de Federer. Ela recordou que, grávida das filhas gêmeas, avisou ao marido que seus dias de viagem provavelmente tinham acabado, e ele respondeu na hora que não jogaria mais. "Ele não estava sendo dramático. Falava sério", disse. "Esse é o Roger. A família dele vem em primeiro lugar."


Fechou com a apresentação oficial: "Esta noite, tenho a honra de apresentar meu marido, meu melhor amigo e, agora, o mais novo membro do Hall da Fama."



"Fama nunca foi uma meta": o discurso que emocionou Newport

Sem esconder a emoção, Federer resumiu o momento logo nas primeiras frases: "me colocar na história do esporte significa tudo para mim". Chamou a indução de "é uma das maiores honras" que já recebeu e emendou com o trocadilho que batizou a noite: "Fama nunca foi uma meta".


Ainda garoto, foi pegador de bolas no torneio de Basileia, experiência que moldou sua visão do esporte para sempre: "Nunca vou esquecer como o jogo parecia dali, e como era aquela sensação". Destacou os "amigos que fiz durante as viagens" para defender que o tênis não é apenas um esporte individual, mas um ecossistema, e admitiu que se via mais como tenista do que como atleta quando começou no circuito. "Sempre serei um fã do tênis", enfatizou.


Com a voz embargada, passou pela lista de técnicos que teve ao longo da carreira. Chamou Stefan Edberg de "um herói de infância" e lembrou de Severin Luthi, que o acompanhou por 18 anos. Contou que, quando garoto, assistia aos duelos entre Edberg e Boris Becker em Wimbledon, e definiu Pete Sampras como dono de "o melhor saque" que já viu.


A emoção voltou ao falar da mulher e dos dois casais de gêmeos, seus quatro filhos: "Vocês mudaram a nossa vida e são a nossa inspiração todos os dias". E arrematou com uma reflexão sobre o próprio Hall da Fama:


"O Hall da Fama nos faz olhar para o passado, mas ao mesmo tempo para o futuro. O tênis sempre estará entre as coisas que me preocupam".

São 24 anos de carreira, de 1998 a 2022, interrompida por um problema crônico no joelho. Nesse período, Federer somou 1.251 vitórias e 103 títulos, além de 310 semanas no topo do ranking mundial, sendo 237 delas seguidas, ainda hoje recorde de reinado consecutivo.


Ele é um dos nove homens da história a completar o Grand Slam de carreira e um dos quatro a fazê-lo em três superfícies diferentes, além de único a vencer três Grand Slams distintos ao menos cinco vezes cada um. Entre 2005 e 2010, chegou a 18 das 19 finais de Slam disputadas.


Encerrou com a piada que arrancou gargalhadas da plateia: "O Museu do Hall da Fama diz que tem mais de 25 mil itens e agora eu estou entre eles".


Antes da consagração: a festa em Marble House

Dois dias antes da cerimônia, Federer e Carillo já eram os convidados de honra do "Courting Fashion", festa anual do Hall da Fama que mistura moda e história do tênis, com peças que iam da época de Rosie Casals e Billie Jean King, nos anos 1970, até nomes atuais como Aryna Sabalenka e Mirra Andreeva. O evento reuniu quase 900 pessoas, entre lendas do esporte, personalidades e entusiastas, na histórica mansão Marble House.


A exposição no saguão trazia fotos de Federer tiradas no Australian Open de 2020 e em Wimbledon, em 2009. Ao conversar sobre a carreira com o apresentador Brett Haber, do Tennis Channel, o suíço resumiu a sensação de estar ali:


"Sinto que tudo aconteceu de forma muito natural". Sobre revisitar a própria trajetória, completou: "Olhando para trás agora, ainda parece inacreditável". Federer, que pisava em Newport pela primeira vez, também descreveu o local: "Este lugar é maravilhoso". E, questionado sobre a expectativa para o discurso de sábado, resumiu o nervosismo: "A tensão voltou … mas está tudo bem".


Depois de Federer, foi a vez de Mary Carillo ser homenageada. Fiel ao estilo que a consagrou nas transmissões, dedicou boa parte da fala a elogiar quem moldou sua trajetória. Sobre Billie Jean King, disse que "sempre foi minha heroína". Em seguida, prestou tributo a outra pioneira das transmissões esportivas, Lesley Visser, reconhecendo que "outras vieram antes de mim". Visser retribuiu: "Mary é única. Conhecê-la é amá-la."


Visser integra o grupo de amigas de Carillo apelidado de "Girls Nite" (Noite das Meninas), formado também pelas produtoras e diretoras de TV Marcy Kempner, Catherine Newman e Suzanne Smith, além da veterana locutora Andrea Joyce, todas parceiras de Carillo em mais de 20 anos de cobertura do US Open pela CBS.


Também estavam na Marble House naquela noite de quinta-feira a irmã de Carillo, Gina, o irmão, Charlie, a filha, Rachel, e o neto de quatro meses, Arjuan. O CEO do Hall da Fama, Dan Faber, resumiu o carinho da casa pela homenageada: "Mary, nós te amamos. Você é incrível."


Carillo já conhecia bem Newport: foi ela quem apresentou o técnico Nick Bollettieri quando ele foi introduzido ao Hall da Fama, em 2014. "Adoro tudo o que o Hall da Fama representa", disse.


A dupla passou a integrar oficialmente uma galeria que já reúne perfis dos mais variados: dos batalhadores de fundo de quadra Tracy Austin, Lleyton Hewitt e Arantxa Sánchez-Vicario aos agressivos Rosie Casals, Stefan Edberg e Marat Safin; das duplas geniais de Bob Bryan, Mike Bryan, Leander Paes e Gigi Fernandez ao versátil Mats Wilander; dos campeões do tênis em cadeira de rodas Monique Kalkman, Brad Parks e Chantal Vandierendonck aos jornalistas Richard Evans e Steve Flink, até o histórico agente Donald Dell.


Grama, taça e uma antevéspera badalada


Na sexta-feira, o gramado histórico de Newport recebeu o tradicional "Celebrity Pro Classic", com a turma de 2026 dividindo quadra com outros nomes do Hall da Fama e celebridades diante de uma plateia lotada. O time de duplas reuniu, além de Federer, Hall da Famers como Bob Bryan, Mike Bryan, John McEnroe, Stefan Edberg, Lleyton Hewitt, Arantxa Sánchez Vicario, Martina Navratilova e Gabriela Sabatini, com participações de convidados como o apresentador Joey Graziadei, o comediante e ex-jogador Michael Kosta e a ex-número 1 Garbiñe Muguruza. A esquiadora olímpica Lindsay Vonn abriu a partida na cadeira de juíza.


O jantar do blazer e a reverência a Hewitt e Safin

Ainda na sexta-feira, à noite, veio o jantar do Hall da Fama que antecede a cerimônia oficial: o "Fit for Fame". Mais de 30 membros do Hall da Fama, todos de blazer comemorativo, se reuniram para testemunhar Federer e Carillo receberem os próprios blazers das mãos da belga Kim Clijsters, presidente do ITHF e ela própria membro da casa.



Depois de receber o blazer, Federer foi entrevistado por Jim Courier e elogiou dois companheiros e rivais de longa data, também do Hall da Fama: Lleyton Hewitt e Marat Safin. Inspirado pelas conquistas de cada um em busca de títulos de Grand Slam, Federer resumiu: "Talvez eu também consiga". Courier observou, na entrevista, como Federer fez algo raro entre quem chega ao topo do tênis: em vez de só acumular vitórias, ele abraçou e saboreou tudo o que ser campeão implicava.


Djokovic, o "maior de todos os tempos", e as derrotas que ainda doem

Nos dias que antecederam a viagem a Newport, Federer já vinha revisitando a própria carreira. Em entrevista à ESPN, concedida em Nova York, avaliou o principal rival da geração seguinte à sua, Novak Djokovic, muitas vezes apontado como o maior tenista da história.


"Acho normal que digam que Djokovic é o maior de todos os tempos. É incrível o que ele conseguiu fazer até agora. Pensei que ele estaria num ponto em que veríamos um declínio muito maior. Mas no ano passado ele chegou às semifinais em todos os quatro Grand Slams, e este ano ele está muito forte novamente", disse o suíço.


"É incrível como consegue se manter em forma e que, apesar de jogar menos, ainda esteja indo longe nos torneios. Ele é um jogador que se consolidou não só nas quadras duras, mas também na grama e no saibro. Ele evoluiu muito ao longo da carreira, conseguiu corrigir as falhas em seu jogo. É incrível o que conquistou e eu o parabenizo por isso", completou.


Questionado sobre as derrotas mais marcantes, Federer não fugiu da final de Wimbledon de 2019, perdida justamente para Djokovic. "Teria sido incrível vencer a final de Wimbledon de 2019 contra Novak Djokovic, depois de ter derrotado Rafa Nadal e Novak consecutivamente", recordou. "Eu tinha 38 anos na época e estava numa fase incrível. Joguei brilhantemente na final e contra Nadal na semifinal. Mas não doeu porque cheguei tão perto. Pode assombrar outros, mas não a mim, porque senti que podia seguir em frente", acrescentou.


Mais dolorosas, segundo o próprio suíço, foram outras duas decisões. "Acho que a final do US Open de 2009 contra o Del Potro me machucou mais porque interrompeu minha sequência de cinco títulos consecutivos, e eu sabia que não conseguiria repetir o feito.


Senti que perdi muitas oportunidades durante a partida, e isso é algo de que me arrependo", disse sobre a derrota para o argentino Juan Martín del Potro. Também deixou marca a final de Wimbledon de 2008, perdida para Rafael Nadal: "A final de Wimbledon de 2008 contra o Rafa Nadal também doeu, pois interrompeu minha sequência de vitórias. Me arrependo mais das partidas contra Nadal e Del Potro do que daquela contra Djokovic, porque também tive dois match-points. Parece que sou o rei de desperdiçar match-points, não sei o que aconteceu nessas partidas", brincou.


Com a carreira encerrada desde 2022, não há próximo torneio para anunciar: a indução em Newport é, em si, o capítulo final de uma trajetória de 1.251 vitórias e 103 títulos. Fica também uma curiosidade que soa quase profética: Federer entra para uma galeria que, do lado masculino, só tinha um brasileiro até aqui, o mesmo Guga que, em maio de 2004, surpreendeu o então número 1 do mundo ao vencer por 6/4, 6/4 e 6/4 na terceira rodada de Roland Garros.


A cerimônia completa, você pode conferir abaixo:




Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page