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Para derrubar um tabu de quase 6 décadas

9 de jul.
4 min de leitura

Luísa Stefani e Gabriela Dabrowski voltam à quadra nesta sexta-feira, às 9h (de Brasília), na abertura da Quadra Nº 1 de Wimbledon, diante da japonesa Shuko Aoyama e da taiwanesa Liang En-shuo. Em jogo, a primeira final de Grand Slam da parceria e a chance de a paulista alcançar um patamar que nenhuma brasileira chegou em quase 60 anos.


Duas tenistas de branco e viseira, uma com óculos escuros e bola na mão, em quadra ensolarada, com ar de concentração.
Luisa Stefani e Gabriela Dabrowski (Foto: Jimmie48/WTA)

Cabeças de chave 2, a paulista de 28 anos disputa sua primeira semifinal de duplas femininas em Wimbledon, e o resultado já vale número: com a campanha até aqui em Londres, ela garantiu ao menos a quinta posição no ranking da especialidade, a melhor marca da carreira.


Será também a terceira semifinal de Slam da parceria com a canadense só neste ano, depois do Aberto da Austrália e de Roland Garros. Em Londres, elas não cederam um set sequer. Nas quartas, a vitória sobre a polonesa Katarzyna Piter e a tcheca Anna Siskova saiu em 6/1 e 6/2, com 59 minutos de partida, 78% de pontos ganhos no saque e nenhum break point cedido.


Depois de confirmar a vaga, na quarta-feira, Stefani resumiu a atuação:


"Mais uma ótima vitória. Super feliz de estar na semifinal pela primeira vez aqui de dupla feminina. Foi um jogo super bom da nossa parte, bem controlado. Impusemos super bem nosso jogo, super agressivas contra as adversárias que não conseguiram seguir nosso ritmo e entrar na partida. Vamos que vamos para a semi", disse a paulista.

Não é a primeira vez que ela chega perto. No US Open, Stefani parou na semifinal em 2021, ao lado de Dabrowski, e de novo em 2023, com a norte-americana Jennifer Brady. A final de Slam em duplas femininas segue como a lacuna de um currículo que já tem bronze olímpico e título de mistas.


A barreira que o Brasil não derruba desde Maria Esther Bueno

Se vencer nesta sexta, Stefani será a primeira brasileira em uma final de duplas femininas de Wimbledon desde o vice de Maria Esther Bueno, em 1967, quando a maior tenista da história do país perseguia o sexto título na especialidade no All England Club. Não é a única marca em disputa. A paulista já integra a lista curta de brasileiros que alcançaram o top 5 do mundo na Era Aberta: Guga Kuerten liderou o ranking de simples e, nas duplas, os mineiros Marcelo Melo e Bruno Soares, ambos campeões de Grand Slam, foram número 1 e 2, enquanto o paulista Cássio Motta chegou ao quarto lugar.


A própria Stefani também é a atual vice-campeã de duplas mistas no All England Club, ao lado do britânico Joe Salisbury. Do outro lado da rede da parceria, Dabrowski conhece bem o gramado londrino: foi vice em 2019 e 2024 e tem dois Grand Slams no currículo, ambos no US Open (2023 e 2025), conquistados com a neozelandesa Erin Routliffe.


Quem está do outro lado da rede

Aoyama e Liang não chegaram por acaso. Cabeças de chave 13, a japonesa de 38 anos e a taiwanesa de 25 vivem a segunda semifinal de Slam seguida da dupla, depois de já terem feito as semis em Roland Garros, em junho. Nas quartas, despacharam a australiana Ellen Perez e a holandesa Demi Schuurs por 6/4 e 6/4, com apenas seis erros não forçados no jogo inteiro. Consistência, aliás, é a moeda das duas parcerias que se enfrentam.


Favoritas são eliminadas

As líderes do ranking, a tcheca Katerina Siniakova e a norte-americana Taylor Townsend, caíram nas quartas diante da chinesa Hanyu Guo e da francesa Kristina Mladenovic, por 7/6 (10-8) e 7/5. Siniakova é tricampeã em Wimbledon (2018, 2022 e 2024, a última justamente com Townsend), e no ano passado a dupla havia parado na semifinal.


Mladenovic é caso à parte. Aos 33 anos, é uma duplista de repertório: fez a final do torneio em 2014, semis em 2015 e 2019, e soma quatro títulos de Slam em Roland Garros e dois na Austrália. Só que voltou a jogar Wimbledon depois de ter aparecido no torneio uma única vez nas últimas cinco temporadas. A parceria com Guo é recente, com apenas 12 Slams juntas, e a chinesa, de 28 anos, tinha uma só vitória em Londres antes deste ano. As duas já haviam feito as quartas em Paris há um mês. Na outra semifinal, Guo e Mladenovic encaram as chinesas Jiang Xinyu e Xu Yifan, que passaram pela estoniana Ingrid Neel e pela mexicana Giuliana Olmos por 2 sets a 1 (6/1, 2/6 e 6/4), em 2h01.


A queda das cabeças de chave 1 não altera o topo do ranking individual: Siniakova segue número 1 e Townsend, vice. Mas abre uma porta na corrida da temporada, que soma pontos desde janeiro. Para assumir a liderança de 2026, Stefani e Dabrowski precisam do título, nada menos. Sobre o salto na classificação, a paulista já havia tirado o foco dos números: "Obviamente é mais um bom passo no caminho certo, mas o ranking agora não importa, o que importa é o nível e jogando jogo a jogo. Indo longe nos torneios, o ranking vai subir de acordo com a performance."


Stefani começou a semana em sétimo no ranking de duplas e Dabrowski em terceiro. Como equipe, somam 4.423 pontos, e viram as então vice-líderes Aleksandra Krunic e Anna Danilina (5.149) darem adeus já na terceira rodada. A dupla retomou a parceria no começo do ano e emendou os títulos do WTA 1000 de Dubai, do 500 de Estrasburgo, no saibro, e do 250 de Eastbourne, na grama, este último na véspera de Wimbledon. Uma vitória nesta sexta coloca Stefani na decisão de sábado. Seria a primeira da carreira dela em duplas femininas de Grand Slam.

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