top of page
Banner Home_Parceiros Nittenis Club (1000 x 500 px) (Site).gif

Paula Souza entra para a história ao comandar uma final em Roland Garros, marca inédita para a América Latina

  • 8 de jun.
  • 4 min de leitura

A Confederação Brasileira de Tênis confirmou neste fim de semana que Roland Garros 2026 teve o maior contingente de árbitros brasileiros de cadeira da história do torneio: Paula Capulo Vieira Souza, Aline Rocha, Ana Carvalho e Tiago Sturmer, três mulheres e um homem, atuaram na chave principal do Grand Slam francês.


Quatro funcionários sorridentes de blazer azul diante do logo laranja do Roland Garros.
(Foto: Divulgação/CBT)

O nome que ficará nos registros é o de Paula Souza. Ela foi designada para comandar a final de duplas mistas, vencida pelos italianos Sara Errani e Andrea Vavassori sobre a canadense Gabriela Dabrowski e o americano Evan King por 4/6 6/3 e 10/4, e com isso tornou-se a primeira árbitra latino-americana a apitar uma decisão em Paris. A final de mistas foi a primeira a ser definida na edição, o que significa que a brasileira esteve na cadeira do primeiro título entregue no torneio. A partida aconteceu na Philippe-Chatrier, a quadra central do complexo.



O reconhecimento que veio pela porta da frente

Duas mulheres de blazer sorriem e seguram uma bandeja vazia numa quadra de tênis, com jogadoras de laranja ao fundo.

O Brasil andou acostumado a ver seus representantes em Roland Garros apenas com a raquete na mão. Desta vez, parte do protagonismo nacional aconteceu na cadeira do árbitro, e não foi por acaso. Pela primeira vez, o país contou com representação reforçada na arbitragem internacional do torneio, e o feito de Paula Souza coroou esse avanço. Designar uma estrangeira para uma final de Grand Slam não é cortesia: é avaliação técnica acumulada ao longo de anos de circuito.


Para o presidente da CBT, Alexandre Farias, o capítulo da arbitragem completa um quadro mais amplo. "Pela primeira vez, o Brasil contou com três árbitras femininas e um árbitro masculino atuando como árbitros de cadeira na competição, demonstrando também a evolução e o reconhecimento internacional da arbitragem brasileira", afirmou. Sobre Paula, foi direto: "O destaque especial fica para Paula Souza, que alcançou um dos momentos mais importantes de sua carreira ao ser designada para comandar a final de duplas mistas, uma das partidas mais relevantes do torneio."


A Bahia, o curso e o casal da arbitragem

Paula não chegou a Paris vinda do nada. Antes de Roland Garros, esteve na Bahia ministrando um curso de arbitragem que, segundo a Federação Bahiana de Tênis, bateu recorde de inscrições. A entidade celebrou o feito em Paris como conquista também do estado.


Há ainda um detalhe que ajuda a entender a trajetória. Paula é casada com Fábio Souza, árbitro internacional Gold Badge da ITF, a mais alta certificação da arbitragem de tênis. Juntos, formam um dos casais mais respeitados do circuito. Para a secretária da Federação Bahiana de Tênis, Daiane Guedes, a referência tem peso específico.


"Ter a Paulinha como referência é um privilégio. Como mulher, acredito que é fundamental termos outras mulheres que nos inspirem, que mostrem que é possível ocupar espaços, vencer desafios e realizar sonhos. Sua trajetória nos enche de orgulho e nos motiva a seguir acreditando no poder da dedicação e da competência", afirmou.


A semana difícil de Ana Carvalho

Nem tudo na temporada da arbitragem brasileira em Paris foi celebração. Ana Carvalho, uma das quatro, virou notícia pelo motivo errado, ou melhor, virou notícia porque alguém errou com ela. Após perder na segunda rodada para o francês Moise Kouame em cinco sets, o paraguaio Adolfo Daniel Vallejo responsabilizou a árbitra brasileira por não conter a torcida local e sugeriu que partidas assim deveriam ser apitadas por homens. A Federação Francesa de Tênis anunciou multa ao tenista pela fala machista. O episódio, no fim, reforçou o ponto que a CBT queria fazer: as três estavam lá por competência, e a competência não se discute por gênero.


O Brasil que chegou lá

A arbitragem foi o complemento de uma campanha brasileira que rendeu em quase todas as frentes. O ponto alto veio do juvenil, com o título inédito de Guto Miguel na chave masculina de simples, o primeiro de um brasileiro na categoria em Paris. No profissional, João Fonseca chegou às suas primeiras quartas de final em um Grand Slam, Luisa Stefani alcançou a semifinal das duplas femininas ao lado de Gabriela Dabrowski, e Marcelo Demoliner foi até as quartas nas duplas masculinas. Daniel Rodrigues repetiu o feito no tênis em cadeira de rodas. Entre os juvenis, ainda houve as semifinais de Victoria Barros e Leonardo Storck, este eliminado pelo próprio Guto.


Tenista sorridente em quadra de Roland Garros, de camisa azul, segura uma bandeja/troféu com texto, com torcida ao fundo.
Guto Miguel é campeão juvenil de Roland Garros (Foto: Daniel Kopatsch/Getty Images)

"Ter nomes como João Fonseca, Marcelo Demoliner, Daniel Rodrigues, Victoria Barros, Nauhany Silva, Luisa Stefani, Leonardo Storck e Guto Miguel chegando tão longe em uma das maiores competições do mundo mostra a força e a profundidade do nosso tênis", disse Farias. "Mais do que resultados individuais, estamos falando de uma geração que inspira e de um sistema que está conseguindo oferecer melhores oportunidades de desenvolvimento aos nossos atletas."


Um Roland Garros atípico

Convém registrar o pano de fundo. Esta foi uma edição atípica, que colocou pela primeira vez desde 1977 oito semifinalistas sem nenhum título de Grand Slam na bagagem, garantindo campeões inéditos nas duas chaves. Alexander Zverev levou o troféu masculino em cinco sets, o primeiro Major da carreira aos 29 anos. No feminino, a russa Mirra Andreeva foi campeã, aos 19 anos recém completados. O número 1 do mundo, Jannik Sinner, caiu cedo, afetado pelo calor da primeira semana e pelo desgaste de uma temporada cheia. Aryna Sabalenka, líder do ranking feminino e uma das vozes mais barulhentas na ameaça de boicote por premiações maiores, também saiu antes do esperado, mais por exaustão mental do que física.


Houve quem visse fantasmas. O ex-campeão em Paris Andrés Gómez resumiu o estranhamento em tom de provocação: seria possível imaginar uma final masculina com um italiano que não fosse Sinner, ou uma decisão feminina com uma polonesa que não fosse Iga Swiatek? A pergunta era retórica. A resposta, em 2026, foi sim.


Wimbledon à vista

O circuito vira agora a chave para a grama, período curto e exigente, que cobra adaptação técnica e pernas para sustentar trocas em joelhos flexionados. Wimbledon começa no próximo dia 29 de junho.


Para a arbitragem brasileira, o saldo de Paris é o tipo de marca que não se desfaz: a primeira final de Roland Garros apitada por uma latino-americana já está no livro.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page