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Rio Open, evento de encontros, homenagens e memória

  • 18 de fev.
  • 3 min de leitura

O Rio Open sempre foi mais do que um ATP 500 no calendário. Entre games longos, tie-breaks tensos e arquibancadas cheias, o torneio carioca virou também um espaço de encontros improváveis, reverências emocionadas e reafirmação de memória. A edição de 2026 consolidou esse traço: no Jockey Club Brasileiro, cruzaram-se gerações, esportes e histórias que ajudam a explicar por que o tênis brasileiro vive momento de tanta visibilidade.


Fonseca, Zico e o peso da camisa

Zico e João Fonseca (Foto: Fotojump)
Zico e João Fonseca (Foto: Fotojump)

Na terça-feira à noite, pouco depois de vencer Thiago Monteiro na estreia, João Fonseca teve um encontro que sintetiza o simbolismo do evento. O carioca conheceu Zico, ídolo eterno do Flamengo, que acompanhava a rodada ao lado de um dos netos.


“Que honra”, disse Fonseca ao cumprimentá-lo.


Aos 72 anos, Zico retribuiu com conselho direto, no estilo de quem conhece o peso da idolatria no Rio: elogiou o jovem por inspirar novas gerações e completou com um sorriso cúmplice — “Agora, aguenta a pressão.”


A frase resume o momento de Fonseca: talento consolidado, expectativa crescente e uma cidade que abraça, mas também cobra. O encontro entre o maior ídolo da história do Flamengo e a principal promessa do tênis nacional foi mais que foto. Foi passagem simbólica de bastão entre dois esportes que moldam identidades no país.


Ancelotti na arquibancada por Berrettini

Na mesma noite, outro nome do futebol cruzou os corredores do Jockey: Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira. O italiano foi prestigiar o compatriota Matteo Berrettini, vice-campeão de Wimbledon em 2021 e uma das atrações internacionais do torneio.


Berrettini correspondeu, superando Tomas Barrios Vera por 7/6 e 7/5 na estreia. Ancelotti, que havia conhecido o tenista dias antes na Sapucaí, levou ao Rio Open a aura de Copa do Mundo — reforçando como o torneio se tornou ponto de convergência de agendas esportivas.



Se Fonseca recebeu o conselho de Zico, Berrettini teve o apoio silencioso de um dos técnicos mais vitoriosos do futebol europeu. Dois mundos que raramente dividem espaço, mas que no saibro carioca conversaram naturalmente.


A memória que emociona: Ivan Kley

O segundo dia da chave principal também foi marcado por um dos momentos mais tocantes da semana: a homenagem a Ivan Kley, ex-top 100 da ATP e formador de gerações, falecido no ano passado.


Na quadra central que leva o nome de Guga Kuerten, a cerimônia reuniu a viúva Janice e os filhos Bruno e Vitor Kley. A apresentação coube a Ricardo Acioly, diretor de relações do torneio e amigo pessoal de Ivan.


Homenagem a Ivan Kley (Foto: Fotojump)
Homenagem a Ivan Kley (Foto: Fotojump)

Um vídeo projetado no telão trouxe depoimentos de nomes como Andrés Gómez, Emilio Sánchez, Fabio Silberberg, Givaldo Barbosa, João Zwetsch, Karue Sell, Patricio Arnold e Rafael Matos — uma constelação que evidencia o alcance da influência de Kley dentro e fora das quadras.


“Quando eu pisei na quadra, deu um arrepio. Dá para sentir que o pai está muito feliz de ser lembrado. A gente vê que o pai não criou só atletas para as quadras, mas sim para a vida. O Doutor hoje é infinito”, disse Vitor Kley, emocionado.


No meio de um torneio que discute rankings, chaves e estatísticas, a homenagem lembrou que o tênis brasileiro também é feito de formação, caráter e continuidade.


Hall da Fama: institucionalizar a história

O olhar para o passado não ficou restrito à emoção da quadra. O Rio Open anunciou a renovação da parceria com o Memorial Tênis Brasileiro (MTB), entidade criada em 2023 para preservar a história do esporte no país.


“O Rio Open vai seguir apoiando o Memorial pelo segundo ano consecutivo. Sabemos que todo mundo que fez parte do tênis brasileiro pavimentou o caminho de sucesso que o nosso esporte se encontra hoje”, afirmou o diretor do torneio, Lui Carvalho.


Um dos pilares do MTB é o Hall da Fama do Tênis Brasileiro, sob curadoria de Luiz Mattar. Três novos nomes serão anunciados nesta quinta-feira, em cerimônia na quadra Guga Kuerten, durante a rodada noturna.


Os primeiros homenageados já revelados foram a equipe de Copa Davis de 1932, a pioneira Sophia de Abreu e o campeão e promotor Alcides Procopio.


O acervo reunido pelo MTB ao longo de uma década — revistas, livros, fotos e vídeos desde 1888 — formará uma biblioteca pública digital e física, consolidando o esforço de transformar memória em patrimônio acessível.



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