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"Só a gente sabe o que a gente passa", diz Fonseca sobre críticas ao calendário

  • 5 de ago.
  • 3 min de leitura

João Fonseca já sabe quem enfrenta nas oitavas de final do Masters 1000 de Montreal: o norueguês Casper Ruud, que despachou o argentino Juan Manuel Cerúndolo por 6/1 e 6/2 nesta quarta-feira. Antes disso, o carioca de 19 anos havia superado o grego Stefanos Tsitsipas por 7/6 (3) e 7/5 na estreia, repetindo o resultado da Copa Davis do ano passado, e atribuiu o triunfo à maturidade que diz ter conquistado ao longo da temporada.


O momento mais citado por ele mesmo foi a quebra sofrida quando sacava para fechar o segundo set, em 5/4. Em vez de se abalar, Fonseca segurou a pressão em 5/5 e criou uma nova chance, que não desperdiçou.


Homem com boné branco grita em close, rosto tenso, ao ar livre com fundo desfocado.
João Fonseca (Foto: Mathieu Bélanger)

"Acho que o João do ano passado teria perdido a cabeça. Hoje sou um João mais maduro. Fazia algumas semanas que eu não jogava, então sabia que sacar para o jogo seria um momento mais tenso. Quando ficou 5/5, pensei apenas em seguir em frente. Fiz boas devoluções, coloquei pressão nele e aquela quebra foi muito importante", afirmou Fonseca em entrevista na quadra, logo após a vitória.


O atual 27º do ranking também atribuiu essa evolução mental à experiência acumulada nos torneios de maior porte do calendário. "Neste ano enfrentei jogadores como Sinner, Alcaraz, Zverev, Shelton e Djokovic. Essas partidas me ajudaram muito a entender que minha força mental é uma das minhas maiores armas. Todas essas experiências foram fundamentais para o meu desenvolvimento", destacou, ainda na entrevista em quadra.


A pausa de um mês e as críticas

Montreal marcou o retorno de Fonseca às quadras pela primeira vez desde Wimbledon. No intervalo, disputou apenas a etapa da UTS no Rio de Janeiro. Em entrevista à ESPN Brasil, reiterou que a decisão de ficar parado partiu de um planejamento da equipe voltado ao restante da temporada.


"Tenho feito cada vez mais treinos em que eu jogo set com os jogadores, porque, como você disse, estou um mês e pouquinho sem jogar e é uma coisa pensando no futuro. Obviamente, o futuro é muito cansativo, mentalmente eu digo, e fisicamente também, mas mais mentalmente. Então, assim, eu tento estar o mais saudável possível mentalmente durante o ano, então acho que essa foi um pouco da nossa escolha", disse Fonseca à ESPN Brasil.


"Muitos criticam, mas só a gente sabe o que a gente passa, então a gente tenta ficar o mais blindado possível, o mais preparado possível, mais mentalmente, porque tecnicamente a gente consegue adaptar", completou.


Na entrevista coletiva

Já na coletiva de imprensa, Fonseca voltou a comentar a reação após perder o saque no segundo set. "Fiquei muito feliz com a forma como lidei com a situação. Permaneci focado, sabia que precisava colocar as devoluções em quadra e que ele também sentiria a pressão naquele momento. Confiei nas minhas pancadas e consegui a quebra logo em seguida", disse.


Ele também explicou a adaptação necessária ao quique da quadra central, mais alto do que o das quadras de treino. "No começo percebi que a bola quicava bastante, principalmente nas bolas com mais spin do backhand dele. Depois consegui me adaptar. Nessas situações, é preciso encontrar soluções", afirmou.


O que vem a seguir

Fonseca completa 20 anos ainda neste mês de agosto e chega às oitavas de final de Montreal ocupando a 27ª posição do ranking mundial. Diante de Ruud, atual 14º do mundo, ele tem a seu favor o duelo mais recente entre os dois: venceu o norueguês nas oitavas de final de Roland Garros neste ano, campanha que o brasileiro encerrou nas quartas do Grand Slam parisiense.

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