Tênis em cadeira de rodas completa 50 anos e ganha homenagem especial em Wimbledon no domingo
- 7 de jul.
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O tênis em cadeira de rodas completa 50 anos nesta temporada, e o All England Club prepara uma homenagem à altura da data: neste domingo, na Quadra nº 1, algumas das lendas da modalidade, incluindo seu criador, o americano Brad Parks, serão celebradas num evento especial. Paralelamente, as finais de simples e duplas voltam a ser disputadas nas quadras principais, reafirmando o papel de Wimbledon em elevar o tênis em cadeira de rodas a novos patamares.

O que começou como um sonho isolado em 1976 cresceu além de qualquer expectativa. Meio século depois, a modalidade é disputada nos quatro Grand Slams (Wimbledon, Roland Garros, US Open e Australian Open) e conta com um calendário de mais de 160 torneios em mais de 40 países.
“É incrível pensar que já se passaram 50 anos”, disse Parks em entrevista no início deste ano. “É realmente maravilhoso relembrar aqueles primeiros dias e sorrir com orgulho ao ver o quanto o esporte evoluiu, muito além de qualquer coisa que eu imaginava.”

“Eu achava que o esporte continuaria crescendo, com um circuito de premiação em dinheiro estruturado em torno de torneios como o US Open, o Australian Open... Mas competir por premiações significativas nos Grand Slam e jogar diante de arquibancadas lotadas nas Paralimpíadas superou tudo o que eu esperava. Ver os melhores jogadores vivendo do tênis em cadeira de rodas era algo que eu jamais poderia ter imaginado”, acrescentou Parks.
De uma cama de hospital a um circuito mundial
A situação atual é bem diferente da de 1976, quando Parks, então um esquiador de estilo livre de 18 anos, ficou hospitalizado após um acidente em competição que o deixou paralisado da cintura para baixo. Determinado a continuar praticando esportes de alguma forma, ele aceitou, meses depois, o convite dos pais para tentar rebater algumas bolas de tênis. Ali nasceu um sonho.
Ao lado do atleta cadeirante Jeff Minnebraker, Parks liderou o desenvolvimento da modalidade, superando inúmeros obstáculos pelo caminho. O primeiro evento oficial de tênis em cadeira de rodas foi realizado em Los Angeles, em 1977. Em 1980, Parks ajudou a fundar o primeiro circuito da modalidade, com 10 torneios nos Estados Unidos. Em 1992, o esporte ganhou grande impulso ao entrar no programa dos Jogos Paralímpicos de Barcelona, onde o próprio Parks conquistou o ouro nas duplas.
Wimbledon amplia o espaço da modalidade
A exposição internacional serviu de catalisador para uma expansão maior. Depois de estrear nos Grand Slam pelo Australian Open, o tênis em cadeira de rodas passou a integrar a programação de Wimbledon em 2005. A categoria Quad, voltada a jogadores com perda significativa de função em pelo menos um membro superior, estreou nos Jogos Paralímpicos de 2004, com o britânico Peter Norfolk, apelidado "The Quadfather", conquistando o ouro em simples.
Desde 2007, o tênis em cadeira de rodas é disputado nos quatro Grand Slams. Wimbledon dobrou o número de participantes nas chaves de simples e duplas em 2024 e tem investido pesado na modalidade nos últimos anos: desde 2021, os campeões de simples (cadeira de rodas e Quad) recebem premiação igual à dos demais campeões. Em 2026, a criação de uma nova categoria de elite, a Premier Tier, vai levar mais torneios da ATP e da WTA a incluir competições de tênis em cadeira de rodas ao lado das disputas convencionais.
Uma rivalidade que emociona até os protagonistas
O crescimento do esporte também aparece na projeção de suas estrelas: a holandesa Esther Vergeer, invicta por dez anos e 470 partidas, o japonês Shingo Kunieda, recordista com 50 títulos de Grand Slam, além de Diede de Groot, Yui Kamiji, Dylan Alcott e o britânico Gordon Reid viraram nomes conhecidos do grande público. No topo do ranking masculino atual estão o japonês Tokito Oda e o britânico Alfie Hewett.
Foi Oda quem levou a melhor sobre Hewett na final de Wimbledon do ano passado, por 3/6, 7/5 e 6/2, conquistando seu sexto título de Grand Slam em simples, segundo apurou a ESPN. Os dois já dividiram os últimos dez títulos de Grand Slam disputados até ali, e aquela foi a sétima vez, no mesmo período, que se encontraram numa decisão. A rivalidade vem levando o esporte a públicos cada vez maiores, dentro e fora das quadras, o que o próprio Hewett destacou após aquela partida.
“Não acho que troféus consigam superar esse tipo de atmosfera e apoio”, disse o britânico na ocasião. “Ter isso ao seu lado é ainda melhor. Esse tipo de ambiente não é algo que vivenciamos com frequência. É realmente incrível o que tem acontecido em Wimbledon nos últimos anos. Disputar partidas como esta, com um público assim, é o que sempre sonhamos.”
Hewett chega a este Wimbledon como número 2 do mundo em simples e número 1 em duplas, segundo a Lawn Tennis Association (LTA), a federação britânica.
Oda estreia de branco, dos pés (e pneus) à cadeira

É justamente Oda quem carrega hoje o peso simbólico da data. Nesta terça-feira, o japonês, número 1 do mundo, estreou em Wimbledon com uma novidade e tanto: a cadeira de rodas inteiramente pintada de branco, pneus incluídos, levando a política de vestimenta totalmente branca do torneio ao extremo. Ele venceu Gordon Reid, o mesmo nome citado entre as estrelas que popularizaram o esporte, por 6/3 e 6/1, na Quadra nº 3.
“Eu sonhava em pintar a cadeira de rodas de branco, incluindo os pneus, tudo”, disse Oda ao site wimbledon.com após a vitória. “Vir para cá e me vestir de branco é um sonho. Tive alguns dias entre Roland Garros e o início dos meus treinos, então comecei a perguntar à empresa com a qual trabalho sobre a possibilidade de pintar a cadeira”, contou.
A ideia virou corrida contra o tempo. Três ou quatro dias depois do pedido, a cadeira retornou quase por completo branca, com exceção do assento e do encosto. A troca do tecido e a pintura ficaram prontas a tempo da primeira sessão de treinos de Oda no torneio. Para dar um toque extra, ele ainda pediu a um amigo artista que criasse o que chama de "listras finas" na lateral, inspiradas em carros clássicos como os modelos americanos Chevrolet ou Cadillac.
“Eu esperava por uma cadeira de rodas assim há muito tempo, e não foi fácil”, completou. “Leva tempo, mas espero inspirar muitas pessoas com ela. E consegui deixá-la pronta bem antes dos treinos intensos.”
A meta do Grand Slam do calendário
Oda venceu os últimos cinco torneios de Grand Slam disputados e, depois de completar o Grand Slam de carreira no ano passado, agora mira o feito dentro de uma única temporada, justamente no ano do cinquentenário do esporte.
“Conquistei o Grand Slam de carreira no ano passado, então passei a buscar o feito dentro do mesmo ano civil”, disse. “Eu sabia que eram 50 anos de tênis em cadeira de rodas e que eu estava completando 20 anos (foi em maio passado). Juntando isso à cadeira de rodas branca, temos três momentos especiais. Isso me dá a confiança de que sou capaz de realizar esse feito. Acho que, normalmente, o auge da saúde e da forma física acontece aos 26 ou 27 anos”, afirmou. “Não faço musculação e não sigo uma dieta ou alimentação específica. Estou sempre em busca de novidades, por isso não sinto que já atingi o meu melhor nível. Acredito que posso continuar evoluindo.”
O brasileiro no radar da elite mundial
No ranking mundial de simples, o brasileiro Daniel Rodrigues ocupa a 14ª posição e soma 34 títulos na carreira. Rodrigues mediu forças com Oda nesta temporada em Roland Garros, caindo diante do japonês, e é presença constante no circuito internacional da modalidade, inclusive no Wheelchair Tennis Elite do Rio Open, torneio que recebeu o próprio Oda em fevereiro deste ano.
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