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Tênis feminino: ignorar o ciclo menstrual pode estar comprometendo o rendimento da sua atleta

  • 30 de jun.
  • 4 min de leitura

Treinar tenistas do sexo feminino exige atenção a fatores que muitas vezes ainda passam despercebidos no esporte. Entre eles, um dos mais importantes — e frequentemente negligenciado — está o ciclo menstrual.


No tênis, modalidade que exige resistência, potência, velocidade, tomada de decisão, coordenação motora e controle emocional, alterações hormonais podem influenciar diretamente a forma como a atleta responde aos treinos e competições.



Ainda hoje, muitos treinadores não observam os sintomas que podem surgir mensalmente e acabam interpretando alterações de comportamento ou rendimento como falta de motivação, desinteresse ou queda de comprometimento.


Ignorar esse processo fisiológico é perder uma oportunidade valiosa de individualizar o treinamento e cuidar melhor da atleta.


Muitas vezes, o que parece falta de motivação ou queda de rendimento é apenas uma resposta fisiológica do organismo feminino — algo que merece atenção e ajustes inteligentes no treinamento.


O ciclo menstrual não afeta todas as atletas da mesma forma


O primeiro ponto importante é entender que não existe uma regra absoluta.

Algumas tenistas treinam e competem praticamente sem sintomas. Outras apresentam desconfortos importantes, como:


  • cólicas; 

  • inchaço abdominal; 

  • fadiga aumentada; 

  • sensibilidade muscular; 

  • alterações de humor; 

  • irritabilidade; 

  • ansiedade; 

  • dificuldade de concentração; 

  • distúrbios do sono; 

  • dor lombar; 

  • sensibilidade mamária; 

  • sensação de pernas pesadas. 


No tênis, onde a tomada de decisão rápida, explosão muscular, resistência, precisão técnica e estabilidade emocional são fundamentais, essas alterações podem ter impacto significativo.


A atleta pode parecer “sem energia”, mais lenta nos deslocamentos, menos tolerante ao esforço ou emocionalmente mais vulnerável — e, muitas vezes, isso é interpretado erroneamente como falta de foco ou baixa entrega.


Por isso, compreender o ciclo menstrual pode ser uma ferramenta importante para melhorar rendimento, bem-estar e relação entre atleta e equipe.


Como as fases do ciclo podem impactar o treinamento?


Fase menstrual (dias 1 a 5)


Nesse período, algumas atletas podem sentir maior desconforto físico, fadiga ou cólicas.

No tênis, dependendo da intensidade dos sintomas, pode haver menor tolerância ao esforço e pior sensação física durante treinos intensos.


A recomendação não é parar de treinar, mas individualizar as cargas, priorizando qualidade técnica, mobilidade, prevenção de lesões e pequenos ajustes no volume quando necessário.


Fase folicular (dias 6 a 13)


Com a elevação gradual do estrogênio, muitas atletas relatam melhora da energia, humor e recuperação.


Frequentemente é um momento favorável para treinos de maior intensidade, potência, velocidade, mudanças de direção e maior exigência técnica.


Ovulação (aproximadamente no 14º dia)


Algumas atletas percebem alta disposição física e boa resposta ao treinamento.

Pode ser um período interessante para estímulos intensos e trabalhos coordenativos. Embora ainda exista debate científico sobre o tema, alguns estudos sugerem atenção especial ao controle de cargas e prevenção de lesões ligamentares em determinadas atletas nesse período — especialmente em joelhos e tornozelos, algo relevante em um esporte de mudanças bruscas de direção como o tênis.


Fase lútea / TPM (dias 15 a 28)


É uma fase em que várias atletas relatam maior fadiga, irritabilidade, retenção de líquidos e alterações emocionais.


Em alguns casos, pequenas reduções no volume ou ajustes na intensidade podem ajudar a preservar rendimento e recuperação.


O segredo não é reduzir exigência, mas ajustar o treinamento ao momento da atleta.

Monitorar é melhor do que adivinhar


Hoje existem aplicativos que podem ajudar atletas e treinadores a monitorar o ciclo menstrual e identificar padrões individuais.


Entre os mais utilizados estão:


  • Clue — bastante utilizado por seu embasamento científico e monitoramento detalhado de sintomas; 

  • Flo — aplicativo simples e popular para acompanhar sintomas, humor e ciclo; 

  • Apple Health e Samsung Health — permitem integrar dados de sono, recuperação e bem-estar. 


Mais importante do que o aplicativo é criar o hábito de observar padrões.


Com o tempo, treinador e atleta conseguem perceber momentos de maior energia, recuperação ou maior sensibilidade ao treinamento, favorecendo decisões mais inteligentes sobre as cargas de treino.


Onde o mapeamento genético esportivo pode ajudar?


Se o ciclo menstrual já mostra que mulheres respondem de forma diferente ao treinamento, o mapeamento genético esportivo realizado pela 5º SET – TFI (Treinamento Físico Inteligente) pode ampliar ainda mais essa individualização.


A análise genética ajuda a compreender tendências relacionadas à força muscular, recuperação, resposta inflamatória, metabolismo energético, capacidade antioxidante e predisposição a lesões.


Na prática, isso auxilia treinadores e preparadores físicos a ajustar melhor cargas, recuperação e estratégias de treino de acordo com a individualidade biológica da atleta.

É importante reforçar: o mapeamento genético não determina desempenho nem prevê sucesso esportivo. Ele deve ser entendido como uma ferramenta complementar para ajudar a orientar decisões de treinamento com mais precisão.


No esporte moderno, compreender a individualidade biológica da atleta deixou de ser diferencial — está se tornando necessidade.


Conclusão


No tênis feminino, compreender o ciclo menstrual não significa fragilizar a atleta ou reduzir exigências.


Significa treinar com mais inteligência.


Da mesma forma que individualizamos cargas por idade, calendário competitivo, histórico de lesões e recuperação, compreender as respostas do organismo feminino pode melhorar rendimento, reduzir desgaste e favorecer a longevidade esportiva.


Para tenistas competitivas, esse entendimento pode contribuir para melhor organização das cargas, recuperação e rendimento em treinos e competições.


Já para tenistas amadoras, um público que frequentemente apresenta muitas dúvidas sobre o tema, conhecer melhor o próprio corpo pode ajudar a reduzir inseguranças, melhorar a disposição para jogar, entender oscilações de energia ao longo do mês e tornar a prática do tênis mais prazerosa e saudável.


Muitas mulheres deixam de jogar ou treinam desconfortáveis sem compreender exatamente o que está acontecendo com o organismo.


A boa notícia é que informação, observação e individualização fazem diferença.

Porque, no esporte moderno — seja no alto rendimento ou no tênis recreativo — treinar todas da mesma forma já não faz sentido.


No tênis feminino, compreender o corpo da atleta também faz parte do treino.


Eduardo Faria5º SET – TFI (Treinamento Físico Inteligente)


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