top of page
Captura de Tela 2025-09-13 às 12.54.35 PM.png

Todo mundo ao redor de Serena está falando. Menos ela

  • 23 de fev.
  • 3 min de leitura

A ITIA (Agência Internacional de Integridade do Tênis) atualizou sua lista de jogadoras reintegradas ao sistema antidoping e colocou o nome de Serena Williams na coluna das que podem competir novamente. Era o dia que o mundo do tênis esperava há exatamente seis meses. A data que encerrava o período obrigatório de testes fora de competição, o único obstáculo técnico que separava a maior tenista da história de uma quadra profissional.


Serena Williams não disse uma palavra. Sem comentários. Sem história no Instagram. Sem post no TikTok.


(AP Photo/John Minchillo
Foto: (AP Photo/John Minchillo)

Tudo começou em dezembro de 2025, quando o jornalista Ben Rothenberg revelou que Serena havia reingressado no pool de testes antidoping da ITIA, condição obrigatória para qualquer atleta aposentada que queira voltar a competir. A americana, então com 44 anos, reagiu em questão de horas no X com a velocidade de quem sabia que a bomba ia explodir: "Meu Deus, gente, eu NÃO vou voltar. Esse incêndio de rumores é uma loucura", escreveu à época.


O mundo acreditou por um tempo. Depois ela apareceu no programa Today, em janeiro, e a conversa mudou de tom. Quando perguntada sobre uma volta ao circuito, disse: "Estou me divertindo e aproveitando minha vida agora. Isso não é um sim nem um não. Não sei, vou ver o que acontece."


Não é um não. Nunca mais foi um não de verdade.



Há poucos dias, o jornalista José Morgado republicou no X (antigo Twitter) um vídeo que movimentou as redes sociais: Serena praticando saques. Era a primeira vez que ela aparecia publicamente treinando desde a aposentadoria. O clipe não tinha legenda explicativa. Não precisava.


Ontem, com a elegibilidade confirmada, Ben Rothenberg escreveu no X com toda a solenidade irônica que o momento merecia: "Feliz Dia da Reintegração da Serena Williams, pessoal."



O que os outros estão dizendo

Alycia Parks, americana que treinou recentemente com Serena, não economizou nas palavras. "Ela está em ótima forma. Então acho que ela arrasaria no circuito", disse Parks.


Rick Macci, um dos treinadores com quem Serena trabalhou ao longo da carreira, foi ainda mais categórico em declaração à L'Équipe: "Serena vai voltar, é certo. Ela não perdeu a vontade. Ela é uma competidora. Você não desliga isso depois de 25 anos."


Patrick Mouratoglou, o treinador que ficou ao lado de Serena de 2012 a 2022 e viu de perto dez dos seus 23 títulos de Grand Slam, falou à mesma L'Équipe com uma franqueza que ia além da torcida: "Com ela, tudo é possível. Se existe alguém capaz de tentar um retorno assim, é a Serena. Não me surpreenderia se ela voltasse. Ela ama desafios demais, e se decidir ir em frente, não vai recuar. Eu acredito nela, e seria uma alegria enorme vê-la de volta às quadras."


Nenhum deles fala como quem especula. Falam como quem sabe de algo.


O que isso significa na prática

Para voltar, Serena precisava cumprir seis meses no pool de testes antidoping da ITIA, fornecendo sua localização diariamente e se submetendo a testes aleatórios. Esse período se encerrou ontem. O ranking não é problema: ela receberá wildcards em qualquer torneio que quiser disputar.


A janela é favorável. Indian Wells começa em 4 de março. Miami em 18. Wimbledon, o torneio onde ela voltaria com a dramaturgia mais adequada à sua lenda, está marcado para junho. A suspeita mais forte entre os que acompanham o caso de perto é que as negações e esquivas de Serena existem porque ela quer controlar os termos do anúncio, e não porque o retorno não esteja sendo planejado. Em agosto de 2022, ela deu uma entrevista coletiva após uma vitória no Canadá sem dar qualquer sinal do que viria a seguir. No dia seguinte, publicou sua despedida na Vogue.


Serena Williams nunca usou a palavra "aposentadoria". Em 2022, disse que estava "evoluindo para longe do tênis." A linguagem importa.


Há um elemento adicional que ninguém menciona sem sorriso: Venus está em Austin, com wildcard, jogando seu quarto torneio em 2026 aos 45 anos. As irmãs ganharam juntas 14 títulos de Grand Slam em duplas e três ouros olímpicos. Uma parceria nas duplas seria, ao mesmo tempo, a entrada mais segura de Serena e a manchete mais óbvia do ano.


Em abril de 2025, Serena havia falado à Time Magazine com uma honestidade que não combinava com alguém em paz com a aposentadoria: "Sinto muito falta, com todo o meu coração. Sinto falta porque estou saudável."


O tênis tem uma data para saber. Indian Wells começa em 4 de março. Se o nome dela não aparecer no draw, ainda tem Miami. Se não aparecer em Miami, ainda tem Wimbledon. Em algum momento, o silêncio vai ter que virar frase.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page