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Zverev abandona entrevista tensa após sua vitória em Roland Garros: "Acho que deveríamos parar, é melhor assim"

  • há 9 horas
  • 3 min de leitura
Tenista de camiseta azul-marinho e faixa preta, com logo Adidas, olha para baixo em quadra sob luzes de estádio.
(Foto: FFT)

Alexander Zverev encerrou abruptamente uma entrevista ao jornal francês L'Équipe nesta segunda-feira, um dia depois de conquistar seu primeiro título de Grand Slam em Roland Garros, ao ser questionado sobre as acusações de violência doméstica feitas por duas ex-companheiras.


A conversa transcorria de forma normal até que o repórter trouxe à tona o tema que já havia motivado uma decisão editorial incomum: o diário francês havia optado por não colocar Zverev na capa de sua edição do dia, algo que, segundo a imprensa local, não acontecia com um campeão de Roland Garros há duas décadas. Na introdução da reportagem, o L'Équipe explicou o raciocínio por trás da pergunta.


"Não somos promotores nem juízes, mas constatamos uma forma de mal-estar após o título de Zverev e ouvimos questionamentos legítimos sobre como contar essa história", escreveu o jornal.

A reação do alemão foi imediata. "Em primeiro lugar, este não é o tipo de entrevista para isso. Em segundo, você sabe que as acusações foram provadas falsas? É a segunda vez que você me pergunta sobre isso. Fiz tudo o que pude e minha inocência foi demonstrada", respondeu. Em seguida, deu a conversa por encerrada: "Acho que deveríamos parar por aqui. É melhor assim". O agente de Zverev ainda tentou intervir para contornar a situação, sem sucesso.


Antes da tensão, porém, a entrevista havia rendido declarações relevantes. Zverev falou sobre sua condição de portador de diabetes tipo 1 e o peso simbólico que a conquista carrega para famílias em situação semelhante. "Se um pai ou uma mãe puder olhar para minha trajetória e pensar que seu filho também pode realizar seus sonhos, isso será muito importante para mim. Essa condição não deveria ser uma limitação. Se eu conseguir mostrar isso para as crianças, ficarei muito feliz", disse ao L'Équipe.


O campeão também revelou que mal processou o momento da vitória quando ele chegou. "Mentalmente, eu estava preparado para continuar jogando. Foi uma longa caminhada. Há muitas emoções e muitas lembranças, boas e ruins. Numa situação como essa, tudo volta à cabeça", afirmou, ao descrever a cena do pai e do irmão às lágrimas em seu camarote.


Zverev ainda falou sobre a baixa que sofreu em 2025 e a virada de chave que o trouxe até o título. "Tive um ano realmente ruim. Emocionalmente, estava devastado, completamente destruído, e já não sabia mais o que fazer. Mas no fim da temporada passada mudei minha mentalidade. Tinha um plano sobre no que trabalhar e o que precisava melhorar para alcançar meus sonhos. Acho que está funcionando", disse, sorrindo. Não foi assim no final da entrevista.



O papel de Marcelo Melo

Entre os destaques pessoais da entrevista, Zverev prestou uma homenagem ao brasileiro Marcelo Melo, seu parceiro de duplas que assistiu à final do camarote e não conteve as lágrimas. "Sempre disse que ele é uma das pessoas mais importantes para mim, provavelmente a mais próxima. Está sempre nos mesmos torneios que eu e é ótimo tê-lo ao meu lado em momentos como este", declarou o alemão.


O histórico dos casos

As acusações mencionadas pelo L'Équipe envolvem duas ex-companheiras de Zverev. Olga Sharypova relatou episódios de agressão ao longo do relacionamento, incluindo um incidente em Xangai em 2019. A ATP abriu uma investigação independente em outubro de 2021 e, após mais de um ano de apuração, anunciou em janeiro de 2023 que não havia evidências suficientes para aplicar sanção disciplinar. Já o processo movido na Alemanha por Brenda Patea foi encerrado em junho de 2024 por acordo extrajudicial: Zverev pagou 200 mil euros, sendo 150 mil ao Tesouro alemão e 50 mil a organizações beneficentes, sem reconhecimento de culpa e sem veredicto do tribunal de Berlim. A lei alemã é clara: o pagamento não equivale a uma admissão de culpabilidade. Ainda assim, os episódios continuam sendo mencionados por parte da imprensa e do público.


O caso no Brasil

O episódio com o L'Équipe ressoa de forma particular no tênis brasileiro. Thiago Wild enfrenta situação semelhante desde 2021, quando foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por violência doméstica, injúria e lesão corporal contra a ex-companheira Thayane Lima. O tenista paranaense se apresentou à Justiça em junho de 2023, após o processo ganhar visibilidade durante sua passagem pela chave principal de Roland Garros naquele ano. Wild negou as acusações e afirmou que sua inocência seria comprovada.


O caso Wild teve atualização relevante em julho de 2025: o TJ-RJ, por unanimidade, derrubou a rejeição inicial da denúncia por violência psicológica e mandou o processo de volta à primeira instância para julgamento. O tenista está, portanto, sendo processado criminalmente — não mais em limbo processual como em 2023.


Não há data de audiência conhecida publicamente, nem declaração recente do atleta ou de sua defesa. O caso corre em sigilo de Justiça, o que naturalmente limita a cobertura. O silêncio midiático pode refletir tanto ausência de movimentação quanto restrição de acesso às informações processuais.

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