Após Indian Wells, Sinner encosta em Alcaraz e Medvedev volta ao top 10
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O título de Jannik Sinner no BNP Paribas Open não apenas rendeu ao italiano um troféu inédito, mas também teve impacto direto no cenário do ranking da ATP. Com a conquista no deserto californiano, o número 2 do mundo reduziu em 1.000 pontos a diferença para Carlos Alcaraz, enquanto o vice-campeão Daniil Medvedev retornou ao top 10 após a grande campanha no torneio.
Sinner superou Medvedev na final deste domingo em uma partida extremamente equilibrada, vencida por 7/6 (8-6) e 7/6 (7-4). A decisão foi definida nos detalhes, com o italiano levando a melhor nos dois tiebreaks.

Total equilíbrio
Os dois finalistas chegaram à decisão sem perder sets, algo que não acontecia em Indian Wells desde 2015, e fizeram jus ao retrospecto. Tanto Sinner quanto Medvedev buscavam completar sua coleção de títulos de Masters 1000, juntando-se a Roger Federer e Novak Djokovic, únicos que conquistaram todos os eventos desta categoria disputados em quadras duras desde a criação da série, em 1990.
O confronto refletiu estilos distintos. Sinner tomou mais a iniciativa dos pontos e terminou com 28 winners, contra 15 do rival. Medvedev, por sua vez, apostou na consistência e cometeu menos erros não forçados: 24 contra 31 do italiano.
No primeiro set, o russo enfrentou os únicos break-points da parcial no sétimo game, salvando dois após sair de 15-40. Sem novas oportunidades para qualquer lado, o set foi decidido no tiebreak. Medvedev não chegou a ter set-point, enquanto Sinner criou dois e fechou no segundo.
O segundo set foi ainda mais equilibrado. Nenhum dos dois teve break-point, levando novamente a decisão para o desempate. Medvedev começou melhor e abriu 4-0 após vencer oito pontos seguidos. Porém, travou no momento decisivo e perdeu os sete pontos seguintes, quatro deles com o próprio saque, permitindo que Sinner fechasse a partida no primeiro match-point.
Foi o primeiro título do italiano em 2026.
Série histórica em Masters 1000
Com a vitória em sets diretos, Sinner ampliou uma marca impressionante em torneios Masters 1000. Campeão do Masters de Paris no fim da temporada passada sem perder nenhuma parcial, ele agora soma 22 sets consecutivos vencidos nesse nível. Dois títulos em sequência sem perder sets, sensacional!
O número o coloca isolado na segunda posição histórica, atrás apenas dos 24 sets seguidos conquistados por Djokovic. Caso vença suas três primeiras partidas no Miami Open, o italiano poderá superar o recorde do sérvio.
Homenagem italiana após o título
Logo após a conquista, Sinner aproveitou o discurso para celebrar outro momento marcante do esporte italiano: a vitória de Kimi Antonelli no GP da China de Fórmula 1.
“Foi um dia especial para a Itália. Sou fã de Fórmula 1 e ver um italiano muito jovem, Kimi, colocar a Itália de volta no topo é algo incrível”, disse o campeão, referindo-se ao triunfo do piloto de 19 anos que encerrou um jejum de duas décadas sem vitórias italianas na categoria.
Antes mesmo do discurso, Sinner já havia deixado a homenagem registrada ao assinar a câmera com a frase “Grande Kimi!”.
O italiano também elogiou Medvedev e sua equipe. “Parabéns para Daniil e sua equipe, sei que você trabalha muito duro e espero que continue assim”, disse. “Obrigado também ao meu time, que me leva aos meus limites. Graças a vocês consegui conquistar esse lindo troféu.”
Medvedev, por sua vez, agradeceu à organização do torneio e brincou com o diretor do evento, Tommy Haas. “Sempre gosto de jogar aqui, ainda mais neste ano que as quadras ficaram mais rápidas. Obrigado, Tommy.”
Ele também comentou o ambiente nas arquibancadas após enfrentar os favoritos locais. “Sei que enfrentei Carlos e Jannik e por isso a torcida não estava muito do meu lado, mas foi justa.”
Roland Garros ainda está distante
Mesmo embalado pela conquista inédita, Sinner prefere não projetar grandes objetivos para o restante da temporada neste momento, especialmente em relação a Roland Garros, único Grand Slam que ainda falta em sua galeria.
“Este era um torneio que eu ainda não tinha vencido, então queria vir aqui e me preparar da melhor maneira possível”, explicou. “Agora tenho alguns dias para relaxar, mas não há muito tempo entre aqui e Miami, que é outro torneio importante.”
O italiano ressaltou que o foco imediato está na sequência da temporada em quadras duras. “Roland Garros está muito longe. Há torneios importantes antes disso. Miami é o último grande evento em quadra dura antes da temporada de saibro.”
Sinner também fez questão de valorizar o desempenho do rival na final. “É ótimo ver o Daniil de volta jogando nesse nível. Ele está jogando um tênis excelente e estava muito confiante. Ele é campeão de Grand Slam por um motivo.”
Medvedev volta ao top 10

Mesmo com a derrota na final, a campanha no deserto foi extremamente positiva para Medvedev. O russo subiu da 11ª para a 10ª posição no ranking divulgado nesta segunda-feira, retornando ao top 10 pela primeira vez desde junho de 2025.
Durante esse período fora da elite, ele chegou a cair até o 18º lugar. A recuperação começou no fim da temporada passada, quando trocou de técnico e passou a trabalhar com Thomas Johansson no lugar de Gilles Cervara.
“É uma boa sensação retornar ao top 10. Sempre digo que, quando jogo bem, pertenço ao grupo dos dez melhores. Se conseguir manter esse nível, posso permanecer no top 10 ou até no top 5”, garantiu Medvedev.
O bom início de temporada reforça essa retomada. Medvedev já conquistou títulos em Brisbane International e Dubai Tennis Championships, além do vice em Indian Wells. Com esses resultados, ele aparece como o terceiro melhor jogador da temporada até aqui, atrás apenas de Sinner e Alcaraz.
“Obviamente, se perder esse nível ou deixar escapar o bom momento, o ranking pode oscilar. Tive momentos muito ruins na temporada passada, em que não estava somando pontos e precisei mudar alguns aspectos do meu jogo para me recuperar”, disse o russo.
Mudanças no ranking
A atualização do ranking trouxe outras movimentações relevantes. O norte-americano Learner Tien, quadrifinalista em Indian Wells, subiu seis posições e alcançou o melhor ranking da carreira, no 21º lugar, ficando perto de estrear no top 20.
Outro a atingir marca inédita foi Ethan Quinn, campeão do challenger de Phoenix, que saltou 17 posições e chegou ao 56º posto. O belga Alexander Blockx também bateu recorde pessoal, avançando do 97º para o 88º lugar.
Entre os principais nomes do circuito, o britânico Jack Draper sofreu uma queda significativa após não defender o título conquistado em Indian Wells no ano anterior. Ele perdeu 12 posições e caiu para o 26º lugar, deixando o top 20. Situação semelhante vive o dinamarquês Holger Rune, que também saiu desse grupo e agora ocupa o 28º posto.
Aproveitando as quedas, o italiano Luciano Darderi voltou ao top 20 ao subir três posições e igualar sua melhor marca, no 18º lugar. Já o norte-americano Frances Tiafoe ganhou duas colocações e aparece como número 20 do mundo.
No próprio top 10, além da volta de Medvedev — que empurrou o cazaque Alexander Bublik para a 11ª posição — houve apenas uma troca de lugares: o canadense Félix Auger-Aliassime subiu para o oitavo posto, enquanto o norte-americano Ben Shelton passou a ocupar o nono lugar.
Disputa acirrada pela liderança
Apesar da aproximação no ranking, Sinner ainda não conseguirá assumir a liderança nas próximas semanas. Alcaraz possui atualmente 2.150 pontos de vantagem e defenderá apenas 10 pontos no Miami Open.
Com isso, o espanhol manterá o número 1 independentemente do resultado na Flórida e ainda alcançará a mesma marca de semanas na liderança que o rival italiano. Sinner soma atualmente 66 semanas como líder da ATP, enquanto Alcaraz tem 63 e chegará à temporada europeia de saibro no topo.
Na lista histórica de líderes do ranking, os dois ainda perseguem nomes mais tradicionais. Para entrar no top 10 dos jogadores com mais tempo como número 1, precisarão primeiro superar o sueco Stefan Edberg, que soma 72 semanas na liderança, antes de mirar o australiano Lleyton Hewitt, que fecha o grupo dos dez primeiros com 80 semanas no topo da ATP.
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