Avassalador, Fonseca bate Paul, faz oitavas inéditas em Masters 1000 e terá Sinner na terça
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João Fonseca atropelou o norte-americano Tommy Paul por 6/2 e 6/3, em 1h22 de partida, e chegou pela primeira vez às oitavas de final de um torneio Masters 1000, no BNP Paribas Open de Indian Wells.
O peso do resultado vai além da coluna de vitórias: Fonseca se torna o primeiro brasileiro a atingir a quarta rodada em Indian Wells desde Thomaz Bellucci, em 2012, e o primeiro em qualquer Masters 1000 desde Thiago Monteiro, em Roma de 2024. Desde setembro do ano passado, o carioca tem 7 vitórias em 8 jogos contra adversários do top 30, sequência que inclui o título em Basileia e, agora, duas vítimas de peso em Indian Wells, Khachanov e Paul, em três dias.
"Desde o começo me mantive focado e colocando pressão. Consegui me virar muito bem depois da quebra (no começo do segundo set). Hoje sou muito mais capaz de jogar partidas grandes, estou mais consciente do que preciso fazer para vencer grandes adversários como Paul", afirmou Fonseca ainda em quadra, antes de projetar as oitavas: "Qualquer tenista sempre quer enfrentar os melhores."
O primeiro set: pressão sem trégua
Para se vingar da derrota sofrida no saibro veloz de Madri no ano passado, Fonseca entrou determinado a atacar cada devolução de saque, e o efeito foi imediato. Paul mal respirou nos quatro primeiros games: passadas perfeitas, curtinhas desconcertantes, e o brasileiro quase abriu 4/0. O norte-americano fez 1/3, mas nunca ficou à vontade. Os números do set mostram por quê: Paul venceu apenas 21% dos pontos em segundo serviço, cometeu mais que o dobro de erros não forçados (16 a 7) e foi dominado nas trocas de base por 18 a 5. Não foi uma derrota de detalhes.
Logo depois de fechar o primeiro set, Fonseca pediu atendimento médico para um aparente desconforto na virilha. No retorno, oscilou brevemente: abriu 40/0 no serviço, mas permitiu a virada e perdeu o saque pela primeira vez no jogo. Paul chegou a 2/0 e deu a impressão de que ia complicar. A impressão durou pouco. O brasileiro recuperou a quebra no quarto game e voltou a jogar em alto nível: passadas milimétricas da base, variação de serviço, controle total dos pontos decisivos. Com 4/3 para o americano, um erro bobo de meio de quadra de Paul e uma nova passada paralela abriram caminho para Fonseca sacar para o jogo. Ele fechou sem pressa. Exibição de gala.
"É para isso que trabalhamos"
A vitória não foi uma surpresa isolada. Fonseca estava calmo até demais para um atleta de 19 anos diante de sua primeira quarta rodada num 1000.
"É minha primeira vez nas oitavas de final. É um torneio muito importante para nós. Jogar contra caras como Khachanov, Tommy Paul e agora Sinner é um verdadeiro prazer. É para isso que trabalhamos, para enfrentar esses caras, os melhores", disse ele.
A chegada de Sinner ao horizonte parece não intimidá-lo. Bastou ouvir o que o carioca tem a dizer sobre o número 2 do mundo: "Os tenistas assistem muito ao Carlos e ao Jannik jogando muitas finais e muitas partidas épicas. Ambos estão em outro nível. No momento, estão jogando um tênis incrível e quase ganhando todos os torneios. Então, como eu disse, é um prazer e uma grande responsabilidade jogar contra esses caras. Vou curtir jogar e, claro, vou tentar vencer."
Sobre as expectativas crescentes que o comparam como futuro rival de Sinner e Alcaraz, Fonseca escolhe encará-las sem drama: "Se as pessoas dizem que eu posso ser bom, que posso jogar um bom tênis e desafiar caras como Alcaraz e Sinner, tento encarar isso de forma positiva. Não como uma pressão, mas como um privilégio. Quer dizer que acreditam que tenho o nível para isso, então vamos continuar trabalhando e tentar dar o nosso melhor para alcançar nossos objetivos."
Tem soado como discurso ensaiado. O problema é que o tênis que ele está jogando sustenta cada palavra.
Apesar da campanha sólida, Fonseca ainda perde posições no ranking neste período: ocupa provisoriamente o 39º posto porque defende o título do challenger de Phoenix. A partida contra Sinner, marcada para a terça-feira, será a primeira vez na carreira que ele enfrenta qualquer jogador do top 5 do ranking. Um marco que foi chegando mais rápido do que qualquer projeção razoável permitiria.
"Enfrentei Khachanov na segunda rodada e agora o Tommy, dois caras do top 15 que jogaram muito bem. Acho que tenho nível para isso, estou jogando muito bem e posso chegar lá. Preciso de tempo, preciso trabalhar a parte mental, física e também a técnica. Ainda há muito a melhorar, mas acho que estou no caminho certo", completou Fonseca.
Próximo compromisso
João Fonseca x Jannik Sinner: oitavas de final do BNP Paribas Open de Indian Wells, terça-feira (10/03). Horário a confirmar.
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