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Bia abre o jogo sobre mudança de base, parceria com Martinez e a decisão de "sair da zona de conforto"

  • 16 de abr.
  • 3 min de leitura

Beatriz Haddad Maia caiu na segunda rodada do WTA 125 de Oeiras, nesta quinta-feira, mas deixou Portugal com mais a dizer do que o placar sugeria. Em coletiva de imprensa, a número 1 do Brasil falou com clareza sobre o que mudou em sua vida nos últimos meses: novo técnico, nova base de treinos, nova mentalidade.


A derrota para a polonesa Maja Chwalinska, 129ª do mundo, por 6/0 e 6/4, foi a décima em doze partidas na temporada. Bia encerra Oeiras no top 70, posiçao que dá vaga direta por ranking nas chaves principais dos WTA 1000 de Madri, entre 21 de abril e 3 de maio, e de Roma, entre 5 e 17 de maio.


Beatriz Haddad Maia (Foto: Federação Portuguesa de Tênis)
Beatriz Haddad Maia (Foto: Federação Portuguesa de Tênis)

"Sair da zona de conforto é importante para o tenista"

O centro da entrevista foi a parceria com Carlos Martinez, o treinador espanhol contratado há pouco mais de duas semanas para substituir Rafael Paciaroni após seis anos de trabalho conjunto. A escolha foi deliberada e a lógica, geográfica.


"Ele tem a academia dele perto de Barcelona e a base dele é lá. Nessa gira europeia vamos usar como base. Nesses três primeiros meses a gente vai se adaptar e jogar pela Europa. Fica mais fácil do que voltar para o Brasil. Faz mais sentido. E também porque sair da zona de conforto é importante para o tenista", disse Bia, na coletiva em Oeiras. "Claro que minha vida em São Paulo é muito boa, por estar próxima da minha família e das pessoas que eu gosto, mas tem horas que a gente tem que abrir mão de algumas coisas para conquistar os nossos objetivos. E esse é o momento que estou 100% focada no tênis."


A avaliação sobre o início da parceria com Martinez foi calorosa. "Comecei um trabalho com o Carlos e estou muito motivada, animada e com muita vontade de aprender com toda a experiência que ele tem. Além de ser um ótimo treinador, é muito respeitoso e uma pessoa muito bacana, que estou gostando de estar perto. Quero poder estar mais constante e desfrutar mais dos momentos duros dos jogos. Eu trabalho muito duro por esses momentos, que é um privilégio estar nesses torneios."


Martinez tem no currículo passagens por Svetlana Kuznetsova, Daria Kasatkina, Anastasia Gasparyan e Caroline Garcia, entre outras. Com Kasatkina, conduziu a russa ao oitavo posto no ranking da WTA. A parceria com Bia vale, a princípio, até Wimbledon, como uma primeira experiência.


Calendário denso: dois 125 como plano B

Eliminada em Oeiras antes das quartas, Bia ativa agora o segundo eixo do plano. Ela está inscrita no WTA 125 da Catalunha, entre 27 de abril e 3 de maio, e no WTA 125 de Paris, entre 11 e 17 de maio. Ambos acontecem nas segundas semanas dos WTA 1000 de Madri e Roma, e funcionam como opção caso ela seja eliminada cedo nos torneios maiores. Por regulamento, uma jogadora com ranking para entrar na chave principal de um 1000 não pode disputar eventos simultâneos à primeira semana.


O torneio catalão tem campo de peso: estão inscritas a espanhola Jessica Bouzas, a filipina Alexandra Eala, a canadense Leylah Fernandez e as tchecas Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova. Em Paris, a lista divulgada nesta quinta inclui Fernandez, Emma Navarro, Katie Boulter e as francesas Diane Parry e Elsa Jacquemot.


A lógica por trás do calendário foi explicada pela própria jogadora. "Quanto mais jogos eu fizer nesse momento é melhor. Tomei decisões de mudar meu time e meu ambiente para estar mais próxima da Europa", afirmou. "Todo momento difícil passa e a gente tem que ser forte para enfrentar com coragem."


A entrevista também teve espaço para o tema do momento no tênis nacional. Perguntada sobre João Fonseca, Bia foi direta: "O João é um menino muito especial, que eu tenho o privilégio de poder conversar um pouco com ele. Com uma ótima equipe por perto e uma família muito bacana. Estou sempre na torcida, assim como ele está sempre torcendo por mim. Acho que o tênis brasileiro está sendo cada vez mais respeitado, com jovens jogadores chegando."



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