Brasil conquista 14 dos 15 títulos e transforma o Pan de beach tennis em Cuiabá em festa particular
O Brasil deixou o CT Pantanal, em Cuiabá, com 14 dos 15 títulos em disputa no Pan-Americano de Beach Tennis, encerrado no domingo com Vitória Marchezini e Sophia Chow no alto do pódio feminino e Felipe Loch e Leonardo Branco com um ouro inédito no masculino.
Foram 43 medalhas das 45 possíveis, número que iguala o recorde da edição do ano passado. A competição continental chegou à 13ª edição, a sexta em território brasileiro e a primeira em Mato Grosso. As duas medalhas que escaparam foram parar na Venezuela: o ouro do Sub-14 feminino e um bronze no profissional masculino. O resto do continente assistiu.
Marchezini e Chow, três anos depois

Líderes do ranking, a paranaense Vitória Marchezini e a paulistana Sophia Chow, campeãs em 2023, voltaram a ganhar o Pan juntas, agora pela primeira vez no Brasil. Na final, derrotaram as atuais campeãs, as também brasileiras Júlia Nogueira e Marcela Vita, por 6/1 e 6/4. O bronze ficou em casa, com Ana Preisner e Mariana Peracini.
O caminho foi quase sem sustos. As favoritas atropelaram as chilenas Josefa Valdivia e Julieta Rios por duplo 6/0 nas quartas e passaram pelas argentinas Carla Sangermano e Catalina Fontiveros por 6/0 e 6/4 na semifinal. Nogueira e Vita suaram mais: precisaram do supertiebreak para bater Preisner e Peracini por 4/6, 6/1 e 11/9.
"Com certeza, ano passado era nosso objetivo sair com o a vitória do Pan e acabou não dando certo. Feliz pelo modo que entramos em quadra, fomos muito agressivas nos momentos que precisamos, reagimos bem. Feliz pelo modo que performamos bem. Tem um gostinho especial vencer com a camisa do Brasil", disse Chow.
"Feliz com o nosso título, o Brasil domina muito nas outras categorias também, sempre é Brasil e Venezuela, é muito legal jogar o Pan. Copa do Mundo, ganhamos cinco vezes", vibrou Marchezini.
O jogo apertou no fim, e a paranaense sabia de onde viria a conta. "A gente sabia que seria difícil no saque da Júlia, pois ela estava impecável, não conseguia ver onde ela ia sacar, então, sabia que iria sobrar para mim sacar no 5 a 4. Só respirei, pois era um momento de pressão e mostramos que estamos preparadas", afirmou Marchezini, que chega à sua terceira conquista de Pan. A outra, além da de 2023, veio em 2024, ao lado de Rafaella Miiller.
Branco estreia com ouro
No masculino, o título ficou pela primeira vez com o gaúcho Felipe Loch e o paulista Leonardo Branco. A vítima da final foi a dupla campeã de 2025, formada por dois top 5 do mundo, Giovanni Cariani e Daniel Mola: 7/5 e 6/2. Branco disputava seu primeiro Pan-Americano. Não perdeu tempo.
Antes da decisão, de acordo com o MT Esporte, Loch e Branco haviam despachado os venezuelanos Ramon Guedez e Carlos Vigon por 6/1 e 6/2 nas quartas e encarado os jovens compatriotas Davi Ballerini e Henrique Medeiros na semifinal.

"Estou muito feliz, eu merecia demais esse título. As outras convocações que não estive presente, eu fiquei triste mesmo. Mas sempre acreditei em mim e as pessoas ao meu lado sempre acreditaram em mim e isso é o mais importante. Não levei nenhuma raiva, somente motivação, falando para mim mesmo que teria a oportunidade e agarraria ela com unhas e dentes. Quando cheguei aqui, falei que iria aproveitar mesmo, ficava até alguns momentos fora do quarto para vivenciar com o time. Óbvio que joguei contra dois amigos de coração, foi muito gratificante", comemorou Léo.
Loch, que conquista seu primeiro título como profissional defendendo as cores do Brasil, falou em frustração convertida em combustível: "Fiquei ansioso para defender o Brasil, não fiquei engasgado com o ano passado, mas sim motivado, usamos muito as frustrações como motivações para os próximos", celebrou.
O bronze ficou com os venezuelanos Eduardo Garay e Carlos Jesus, a única medalha estrangeira nas categorias profissionais.
A mista separa as campeãs
O encerramento teve as duplas mistas e mais uma final 100% brasileira, com um detalhe saboroso: as parceiras campeãs do feminino jogaram em lados opostos da rede. Marchezini, ao lado de Cariani, levou a melhor sobre Chow e Loch por 7/5, 3/6 e 10/8, e saiu de Cuiabá com dois ouros. Cariani, derrotado na final masculina, teve a sua compensação. O bronze ficou com Daniel Mola e Júlia Nogueira.
Juvenis: 35 de 36
Nas categorias de base, o domínio foi ainda mais amplo. O Brasil venceu 11 das 12 categorias e ficou com 35 das 36 medalhas. A exceção foi o Sub-14 feminino, em que as venezuelanas Amanda Franco e Loisanna Monzon superaram Marcela Leme e Maria Nunes por 4/2 e 5/3 numa final emocionante.

No Sub-18 masculino, Augusto Neto e Vinicius Schurtz, terceira melhor dupla do torneio, derrubaram os principais favoritos, Leonardo Neiva e Miguel Mazzaro, na semifinal. Na decisão, bateram o dono da casa João Godoy, de Cuiabá, e o campineiro Giovanni Nomelini por 7/6(5), 3/6 e 10/1. Entre as meninas, Ana Merola e Laura Amorim ficaram com o título ao vencer Valentina Silva e Kauany Oliveira por duplo 7/5.
Arquibancada cheia e entrada franca
O Pan reuniu 284 atletas de 16 países e teve o CT Pantanal lotado, com entrada gratuita. Vice-presidente da Confederação Brasileira de Tênis, Eduardo Catharino Gordilho aprovou o que viu.
"A Federação de Mato Grosso está de parabéns, toda organização, toda equipe. Montaram uma estrutura de torneio grande e logística muito atenciosa e a delegação brasileira está muito feliz de poder estar em uma estrutura como essa", disse o dirigente, que também falou sobre a base. "O foco da CBT é dar atenção desde o início à criançada, aos clubes, pois entendemos que é o futuro do esporte. A CBT tenta montar uma programação e planejamento interno mais profissional possível com equipe de fisioterapia, comunicação com a alimentação, comissão técnica. Precisamos estar muito atentos às crianças e estamos muito felizes, pois o Brasil é protagonista não só aqui nas Américas, fico muito feliz de ver o comportamento dos nossos atletas".
Organizador do evento, Isoldino Neto lembrou que a sede chegou sem muito aviso. "Foi uma experiência diferente. Foi um desafio, pois chegou de última hora e muita gente quis de coração trazer não só eu, mas o Jurandir lima, presidente da Federação de Mato Grosso, o Ricardo Cintra, também da Federação. Agradecimento mais do que especial à SECEL do Mato Grosso, ao secretário David Moura, que não mede esforços para incentivar o esporte no estado".
Ricardo Cintra, integrante da Federação de Tênis de Mato Grosso e um dos organizadores, fez o balanço: "O trabalho é duro, é cansativo fazer o que você gosta, com amor e dedicação, e só assim a gente consegue entregar. Não fazemos nada por obrigação, fizemos por que queríamos e junto com a Confederação Brasileira de Tênis e o Governo do Mato Grosso, público maravilhoso, 16 delegações, conseguimos entregar isso aqui. Estamos muito felizes por realizar um Pan-Americano de Beach Tennis".
Próximo passo: a Copa do Mundo em Brasília
O Pan também funcionou como peneira. O torneio serviu de base para a convocação da seleção para a Copa do Mundo por Equipes, marcada para dezembro, em Brasília. O capitão Alex Mingozzi, que acompanhou os jogos em Cuiabá, busca recuperar o troféu depois do terceiro lugar do ano passado. No formato do Mundial, cada país leva três homens e três mulheres, e os confrontos têm uma dupla masculina, uma feminina e uma mista. No juvenil, o Brasil defende o título. "A convocação acontece na próxima semana, só não posso revelar ainda o time", disse Mingozzi ao site, no sábado, antes das finais.
Depois de Cuiabá, a lista parece menos um mistério do que uma formalidade.
Hall de Campeões
Profissional
Dupla MasculinaOuro: Felipe Loch/Leonardo Branco (Brasil)Prata: Daniel Mola/Giovanni Cariani (Brasil)Bronze: Carlos Jesus/Eduardo Garay (Venezuela)
Dupla FemininaOuro: Vitória Marchezini/Sophia Chow (Brasil)Prata: Marcela Vita/Júlia Nogueira (Brasil)Bronze: Ana Preisner/Maria Peracini (Brasil)
Dupla MistaOuro: Vitória Marchezini/Giovanni Cariani (Brasil)Prata: Sophia Chow/Felipe Loch (Brasil)Bronze: Daniel Mola/Julia Nogueira (Brasil)
Juvenis
Sub-18 MasculinoOuro: Vinicius Schurtz/Augusto Neto (Brasil)Prata: João Godoy/Giovanni Nomelini (Brasil)Bronze: Leonardo Neiva/Miguel Mazzaro (Brasil)
Sub-18 FemininoOuro: Ana Merola/Laura Amorim (Brasil)Prata: Kuany Lima/Valentina Santana (Brasil)Bronze: Fernanda Maieto/Maria Caruccio (Brasil)
Sub-18 MistoOuro: Giovanni Nomelini/Ana Merola (Brasil)Prata: Leonardo Neiva/Maria Caruccio (Brasil)Bronze: Miguel Mazzaro/Laura Amorim (Brasil)
Sub-16 MasculinoOuro: Edgar Calixtro/Gabriel Leite (Brasil)Prata: Luca Bernardes/Tiago Busato (Brasil)Bronze: Guilherme Bernal/Luiz Villar (Brasil)
Sub-16 FemininoOuro: Antonella Pazzotti/Giovanna Batista (Brasil)Prata: Manuela Coelho/Sophia Nunes (Brasil)Bronze: Julia Osorio/Maria Tavares (Brasil)
Sub-16 MistoOuro: Guilherme Bernal/Giovana Batista (Brasil)Prata: Luiz Villar/Maria Tavares (Brasil)Bronze: Gabriel Leite/Sophia Nunes (Brasil)
Sub-14 MasculinoOuro: Daniel Bunn/Matheus Petita (Brasil)Prata: Caio Fernandes/Lucas Mendonça (Brasil)Bronze: Leonardo Godoy/Henry Koffke (Brasil)
Sub-14 FemininoOuro: Amanda Franco/Loisanna Monzon (Venezuela)Prata: Marcela Leme/Maria Nunes (Brasil)Bronze: Giovanna Abud/Anne Kostiuc (Brasil)
Sub-14 MistoOuro: Henry Koffke/Pietra Tremonte (Brasil)Prata: Caio Fernandes/Maria Nunes (Brasil)Bronze: Daniel Bunn/Marcela Leme (Brasil)
Sub-12 MasculinoOuro: Flávio Brasileiro/Miguel Lourenço (Brasil)Prata: Bernardo Birle/João Serrano (Brasil)Bronze: Guilherme Castelo/Renato Frugoni (Brasil)
Sub-12 FemininoOuro: Thais Calçada/Carolina Marcon (Brasil)Prata: Maria Barroso/Maria Cordeiro (Brasil)Bronze: Isa Branco/Eduarda Skaf (Brasil)
Sub-12 MistoOuro: João Serrano/Maria Cordeiro (Brasil)Prata: Miguel Lourenço/Carolina Marcon (Brasil)Bronze: Renato Frugoni/Maria Calçada (Brasil)
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