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COB formaliza apoio ao Memorial Tênis Brasileiro, que agora vai atrás de uma casa para o acervo

há 10 minutos
5 min de leitura

O Comitê Olímpico do Brasil oficializou seu apoio institucional ao Memorial Tênis Brasileiro em cerimônia na COB Expo, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo. A chancela da maior entidade do esporte nacional chega com um recado do próprio Memorial: o reconhecimento é bem-vindo, mas o acervo ainda não tem endereço.


Na COB Expo, da esquerda para a direita as ex-tenistas Vanessa Menga e Patrícia Medrado, o mediador, jornalista José Nilton Dalcim, o ex tenista e empresário Luiz Mattar, o ex técnico e capitão brasileiro na Copa Davis, Paulo Cleto, os presidentes Alexandre Farias ( CBT) , Danilo Gaino ( FTP), Marco La Porta ( COB) e o presidente e idealizador do MTB, jornalista e professor Walmor Elias. (Foto: Odeval Menezes/MTB)
Na COB Expo, da esquerda para a direita as ex-tenistas Vanessa Menga e Patrícia Medrado, o mediador, jornalista José Nilton Dalcim, o ex tenista e empresário Luiz Mattar, o ex técnico e capitão brasileiro na Copa Davis, Paulo Cleto, os presidentes Alexandre Farias ( CBT) , Danilo Gaino ( FTP), Marco La Porta ( COB) e o presidente e idealizador do MTB, jornalista e professor Walmor Elias. (Foto: Odeval Menezes/MTB)

O ato, realizado no Palco Talk da feira, reuniu Marco La Porta, presidente do COB; Alexandre Farias, presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT); Danilo Gaino, presidente da Federação Paulista de Tênis (FPT); e o jornalista e professor Walmor Elias, presidente e idealizador do MTB. Também estiveram no palco os vice-presidentes do Memorial, Patrícia Medrado e José Nilton Dalcim, e os curadores Luiz Mattar, responsável pelo Hall da Fama, e Paulo Cleto, encarregado da implantação da futura biblioteca, além de representantes das entidades. A COB Expo 2026, organizada pelo COB, chegou à quarta edição, entre 30 de setembro e 4 de outubro, com a presença de 48 confederações esportivas.


"A meta de preservar a memória do esporte nacional é sempre louvável", destacou La Porta. Farias lembrou que a relação da confederação com o projeto é anterior ao anúncio. "O Memorial tem sido apoiado pela CBT desde que assumi a entidade e representa um passo fundamental na preservação de nossa história", completou. Gaino resumiu em uma linha. "Sem passado, nunca teremos um futuro bem construído", afirmou.


"É o reconhecimento ao MTB do maior órgão esportivo do país a um projeto que veio para preencher uma lacuna do nosso tênis", afirmou Walmor. Para ele, o respaldo das entidades mais expressivas do esporte e do tênis nacional reforça o compromisso do Memorial com a divulgação e a preservação da história da modalidade. Mas ninguém ali tratou o dia como linha de chegada. "Esse reconhecimento nos deixa orgulhosos, mas o trabalho não para.


Iremos agora em busca da sede oficial da entidade, onde ficarão a biblioteca, o museu e o Hall da Fama, enquanto iniciamos o longo processo de catalogação de nosso imenso acervo".


Patrícia Medrado falou do peso que o MTB já conquistou. "O Memorial já é reconhecido como uma fonte oficial e rigorosa sobre os fatos mais importantes do tênis brasileiro, que tem 140 anos de história", ressaltou. "Desde que o MTB foi lançado, em 2023, conseguiu adesão constante e hoje conta com mais de 400 colaboradores, a maciça maioria de tenistas e treinadores".


Uma articulação que começou em 2023

O valor do anúncio está menos no protocolo e mais em quem assinou embaixo. De um lado, a entidade que comanda o movimento olímpico no país. De outro, a confederação que representa o tênis nacional e uma federação fundada em 1924, que soma 102 anos de história. No centro, um Memorial que completou três anos em junho.


Segundo Walmor, as conversas pelo apoio do COB começaram em 2023, com participação da CBT e do próprio Farias. O vínculo com a confederação já era público: em março de 2025, a Gazeta Esportiva noticiou o apoio da CBT ao Memorial. O MTB também conta com apoio oficial do ATP 500 Rio Open e da FPT. A chancela olímpica, agora, vira argumento na busca por novos patrocinadores e parceiros.


A programação na COB Expo teve ainda um talk-show promovido pela FPT e pelo Memorial, com quatro dos maiores nomes do tênis nacional: Patrícia Medrado, Luiz Mattar, Vanessa Menga e Paulo Cleto, sob mediação de José Nilton Dalcim.


9 mil fotografias e 700 vídeos

Fundado em 9 de junho de 2023, o MTB é fruto de um trabalho de pesquisa e coleta de material que, segundo seu idealizador, começou em 2010. Walmor doou o acervo que deu origem à instituição, sem fins lucrativos, criada para preservar os registros de um esporte cuja trajetória no país remonta ao século XIX.


Os números explicam a urgência por uma sede. São cerca de 9 mil fotografias, aproximadamente 700 vídeos e pequenos filmes, livros, revistas, recortes de jornais, publicações, perfis de atletas, objetos históricos e raridades. Walmor o descreve como o maior acervo do tênis brasileiro: um conjunto que documenta conquistas, personagens, clubes e competições, e que dá crédito também a quem trabalhou longe dos holofotes.


A ideia é transformar essa memória em material aberto à consulta, à pesquisa e à descoberta. Novas doações de peças históricas, destaca o presidente, podem ampliar a coleção.


Museu, biblioteca e Hall da Fama

O projeto se apoia em três frentes. O museu abrigará objetos, relíquias e materiais que testemunham a história do tênis no país. A biblioteca deve ampliar a pesquisa, com acesso presencial e digital. O Hall da Fama, já em funcionamento desde o lançamento em 2025, homenageia quem deixou marca no esporte.


Cada frente tem à frente alguém que viveu capítulos importantes do tênis nacional: Carlos Kirmayr na curadoria do museu, Paulo Cleto na biblioteca e Luiz Mattar no Hall da Fama. Thomaz Koch e José Édison Mandarino ocupam os postos honorários da presidência, e o Memorial conta ainda com diretoria, conselheiros e membros honorários.


O Hall da Fama já anunciou sete indicações. Alcides Procopio, tenista, empresário, dirigente e criador do Banana Bowl, foi o primeiro laureado definitivo, em cerimônia realizada em abril deste ano. Em setembro, a indicação de Maria Esther Bueno foi anunciada durante o SP Open, em São Paulo, em homenagem à sua trajetória.


Completam a lista a primeira equipe brasileira na Copa Davis, de 1932, Sofia de Abreu, Ronald Barnes, Ingrid Metzner e Paulo da Silva Costa, que presidiu a CBT e a Federação Internacional de Tênis (ITF). Épocas diferentes, contribuições diferentes. A régua é a mesma.


A sede e o projeto na Lei Rouanet

A prioridade agora é uma sede definitiva, capaz de abrigar o acervo, conservar os materiais e oferecer acesso gratuito ao público. Segundo Walmor, MTB, COB, CBT e FPT vão atuar juntos na busca por esse espaço, que reuniria o museu, a biblioteca e as homenagens do Hall da Fama em um só lugar.


Até aqui, exposições itinerantes e encontros em clubes ajudaram a tornar o Memorial conhecido. A sede é o passo seguinte, e depende de dinheiro. Entre as prioridades está estruturar a área comercial e de marketing, para captar recursos que permitam implantar o museu, desenvolver a biblioteca e manter o Hall da Fama.


Em paralelo, o MTB apresentou seu primeiro projeto cultural pela Lei Rouanet, voltado à organização, conservação e catalogação do acervo. A proposta está em análise no Ministério da Cultura e ainda aguarda autorização para captar recursos. O plano prevê um inventário detalhado dos materiais, um catálogo eletrônico pesquisável e conteúdos digitais gratuitos, pensados para estudantes, pesquisadores, jornalistas, profissionais do esporte e qualquer interessado na história do tênis brasileiro. O Memorial também prioriza o desenvolvimento de sua biblioteca presencial, digital e on-line, integrada ao site oficial, que já reúne arquivos e informações sobre a modalidade.


De Maria Esther a João Fonseca

Para Walmor, a missão ganha outro peso diante da geração de João Fonseca, Guto Miguel, Naná Silva e Victoria Barros. Conhecer o passado, na avaliação dele, é reconhecer o trabalho de atletas, treinadores, clubes, academias, federações e projetos que pavimentaram o caminho até aqui.


O objetivo é que o MTB se consolide como centro de referência em memória, estudos, dados e pesquisas, preservando o passado e documentando o presente. O apoio do COB não resolve o problema da sede. Mas dá ao Memorial um aliado de peso para resolvê-lo.

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