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Davis: João Fonseca abre confronto contra a Suíça no Rio

há 11 minutos
4 min de leitura

João Fonseca volta a jogar nesta sexta-feira, depois de um mês parado, para abrir o confronto entre Brasil e Suíça pela Copa Davis: enfrenta o suíço Dominic Stricker, 262º do ranking, às 15h, na Farmasi Arena, na Barra da Tijuca.



Fonseca é o único brasileiro entre os 100 melhores do mundo e chega ao Rio na 29ª posição, depois de perder três postos por não ter pontos a defender no US Open. O confronto vale pelo Grupo Mundial I: quem vencer garante vaga direta na primeira rodada dos qualifiers de 2027 e segue vivo na briga por um lugar entre as melhores equipes do planeta. Quem perder cai para os playoffs do Grupo Mundial I, em fevereiro, e passa a próxima temporada fora da disputa pelo título.


A ordem dos jogos

Depois de Fonseca, o paulista Gustavo Heide, 123º do ranking, enfrenta Stan Wawrinka, ex-número 3 do mundo e dono de três títulos de Grand Slam, hoje na 134ª posição. No sábado, a partir das 14h, é a vez das duplas: os gaúchos Rafael Matos e Orlando Luz encaram Stricker e Jakub Paul.


Na sequência, acontecem os jogos reversos, com Fonseca diante de Wawrinka e, se o confronto ainda estiver em aberto, Heide de volta à quadra contra Stricker.


Fonseca fala sobre a lesão e o retorno

Fonseca não entra em quadra desde que desistiu da segunda partida do Masters 1000 de Cincinnati, pela terceira rodada, 31 dias atrás, depois de já ter eliminado o holandês Botic van de Zandschulp. Foi ali que sentiu a lesão no abdômen que também o tirou do US Open, o último Grand Slam da temporada, e que deixou dúvidas no ar sobre sua condição para o duelo com a Suíça. As dúvidas foram diminuindo ao longo da semana, com os primeiros treinos ao lado do time na Farmasi Arena.


Depois do sorteio, que definiu sua abertura da série contra Stricker, o brasileiro comentou sobre a recuperação: "Minha recuperação foi chata, obviamente eu queria ter jogado o US Open e gostaria de estar melhor fisicamente. Tive muitas lesões esse ano. Voltei a treinar semana passada e estou voltando a me sentir bem dentro de quadra".


A fala deixa claro que ele ainda não está cem por cento, mas fez questão de relativizar isso diante do peso do confronto: "Não poderia deixar de dar todo meu apoio ao time, tentei me recuperar o mais rápido possível para estar aqui. Todos sabem o quão importante é a Copa Davis para mim desde o juvenil".


Nesta temporada, seu resultado de maior destaque no circuito havia sido a vitória sobre Novak Djokovic na terceira rodada de Roland Garros, antes de cair nas quartas de final.


Depois do segundo treino da semana na Farmasi Arena, sob o comando do capitão Jaime Oncins, Fonseca também falou sobre o significado de estrear em casa à frente do time principal do Brasil: "Jogar em casa vai ser especial, com certeza, vai ser uma experiência única".


Quem é Dominic Stricker

Sobre o primeiro rival, Fonseca preferiu não pensar além da estreia: "Eu acho que a gente tem que pensar em um jogo de cada vez. O primeiro é contra o Stricker, que é um jogador completo, já foi top 100 e ganhou de grandes tenistas", ponderou.


Aos 24 anos, Stricker já esteve mais perto do circuito principal do que está hoje. Chegou ao 88º lugar do ranking em 2023, ano em que bateu dois ex-top 10, Stefanos Tsitsipas e Casper Ruud. Depois vieram os problemas físicos, que o empurraram para os challengers e reduziram seu destaque no circuito ATP: em 2026, disputou uma única partida em nível de tour, no 250 de Gstaad, de onde saiu na segunda rodada.


A despedida de Wawrinka

Aos 41 anos, Wawrinka já avisou que 2026 é sua última temporada, o que transforma qualquer confronto seu numa espécie de despedida. Este, porém, tem data e local marcados: o suíço encerra a carreira em outubro, no ATP 500 da Basileia, torneio do qual Fonseca é o atual campeão. Antes disso, faz sua última Copa Davis justamente no Rio.


Dono de três Grand Slams (Australian Open de 2014, sobre Rafael Nadal; Roland Garros de 2015 e US Open de 2016, os dois sobre Djokovic), campeão olímpico de duplas em Pequim 2008 ao lado de Roger Federer e parte do time suíço que ganhou a Davis em 2014, Wawrinka falou sobre a convocação para o duelo no Rio quando foi anunciado, ainda na primeira semana de setembro: "Estou muito feliz por poder representar a Suíça pela última vez na Copa Davis", disse.


Fonseca, por sua vez, evita por ora projetar o possível duelo com o suíço: "Acho que esse é o primeiro jogo que a gente tem que pensar. Mas, obviamente, num possível confronto, no sábado, vai ser uma honra, com certeza. Todos sabem que o Wawrinka é um grandíssimo jogador. Toda a história dele no tênis é muito grande", contou.


O piso escolhido para o Rio, dura e coberta, tem tudo a ver com o melhor momento da carreira do brasileiro. Foi em condições parecidas que ele conquistou seu maior título, justamente na Basileia: "No ano passado me senti super bem na quadra rápido indoor.


Com um piso um pouco mais áspero, lento", recordou, questionado sobre as condições de jogo na Farmasi Arena. "Era uma bola um pouco maior, que eu consigo um pouco mais tempo para jogar. E eu acho que, para mim, essa superfície aqui está muito parecida. Nos treinos eu tenho gostado bastante. Acho que o time está bem preparado para esse confronto", completou.


Heide chega embalado por sua última convocação: teve boa apresentação em fevereiro, na derrota do Brasil para o Canadá, em quadra coberta e veloz, quando bateu o então top 40 Gabriel Diallo.


Terceiro capítulo em 34 anos

Brasil e Suíça só se enfrentaram duas vezes na história da Copa Davis, com uma vitória para cada lado, e nunca em solo brasileiro. Em 1954, o Brasil venceu por 3 a 1, em Montreux, com a equipe formada por Robert Falkenburg, Armando Vieira e Fábio Guimarães. Em 1992, a Suíça devolveu o resultado em dobro, com um 5 a 0 em Genebra. O reencontro, agora no Rio, também marca a volta do Brasil a uma Davis em casa depois de três anos: a última vez havia sido em 2023, contra a China, em Florianópolis.



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