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Debate sobre cinco sets no feminino divide jogadoras, ex-campeãs e fãs

A possibilidade de partidas em melhor de cinco sets no simples feminino dos Grand Slam voltou ao centro do debate após declaração de Craig Tiley, diretor do Australian Open. O dirigente afirmou que gostaria de implementar o novo formato nas três rodadas finais do torneio, a partir de 2027, mas deixou claro que qualquer mudança passará antes por diálogo com as jogadoras.


A ideia, no entanto, já provoca reações fortes e expõe uma divisão clara entre gerações, estilos de jogo e até visões sobre igualdade no tênis profissional.


Collins reage com ironia, Jovic vê oportunidade

Uma das respostas mais contundentes veio de Danielle Collins, de 32 anos, que não disputou o Australian Open deste ano. A americana não escondeu o incômodo com a proposta e reagiu com humor ácido.


“Sinto que vou ter um ataque cardíaco só de pensar em jogar melhor de cinco sets”, disparou, resumindo o receio de muitas atletas quanto ao impacto físico de partidas mais longas em um calendário já apertado.


Na outra ponta do espectro está Iva Jovic, de apenas 18 anos, uma das sensações do torneio em Melbourne, onde alcançou as quartas de final. Considerada por Novak Djokovic como uma futura número 1 do mundo, a jovem americana se mostrou aberta, e até empolgada, com a possibilidade.


Iva Jovic (Foto: FFT)
Iva Jovic (Foto: FFT)

“Para mim, se essa for a decisão a ser tomada, eu a recebo de braços abertos. Acho que estou em ótima forma e gosto da mentalidade de maratona”, afirmou Jovic ao Tennis Channel.


A jovem destacou ainda um aspecto tático do formato mais longo. “Talvez isso te dê mais tempo para entender o jogo. Quando você enfrenta jogadoras com golpes muito potentes, você ganha um pouco mais de tempo para entrar no ritmo”, explicou.


Mesmo reconhecendo o desgaste físico, Jovic deixou clara sua disposição para se adaptar. “O jogo realmente se torna muito longo e exigente, mas se essa for a decisão, estou pronta. Definitivamente, não sou contra.”


Bartoli vê capacidade, mas pede cautela

A discussão também ganhou o olhar de quem já esteve no topo do circuito. Marion Bartoli, campeã de Wimbledon em 2013 e ex-número 7 do mundo, acredita que as mulheres têm, sim, capacidade física e mental para lidar com partidas de cinco sets.


“As mulheres são absolutamente capazes de jogar partidas de melhor de cinco sets”, afirmou a francesa, hoje comentarista esportiva.


Bartoli, porém, fez questão de relativizar o debate, lembrando que decisões estruturais não podem se basear em exceções. A vitória de Iga Swiatek sobre Amanda Anisimova por duplo 6/0 na final de Wimbledon do ano passado reacendeu o tema, mas, segundo Bartoli, não deve ser usada como regra.


“Aquela final foi especial. Normalmente vemos finais muito mais longas, como as de Roland Garros”, ponderou, reforçando que qualquer mudança precisa ser construída em conjunto entre jogadoras e WTA.


Fãs também se dividem: igualdade ou risco físico?

Entre os torcedores, o tema também gera discussões intensas. Um debate promovido pela Tennishead reuniu opiniões que refletem a complexidade da questão.


Parte do público associa o formato de cinco sets à igualdade salarial nos Grand Slam. “Se elas reivindicam igualdade salarial, também deveriam jogar cinco sets. As mulheres correm maratonas, resistência não é o problema”, opinou um fã.


Outro foi além, destacando o aspecto esportivo. “Isso daria mais justiça ao jogo. Uma jogadora poderia estar perdendo por 1-2 e ainda ter a chance de virar para 3-2, algo que hoje não existe no tênis feminino”, argumentou.


Por outro lado, muitos se posicionaram contra, citando saúde, desgaste e qualidade técnica. “As partidas em três sets já são fisicamente exigentes. Isso afetaria negativamente a saúde das jogadoras”, escreveu um internauta. Outro completou: “Não acho necessário. A qualidade do jogo cairia.”

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