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Fonseca cai nas quartas em Monte Carlo, mas dispara 58 posições na corrida da temporada

  • 10 de abr.
  • 4 min de leitura

Na primeira vez que João Fonseca chegou às quartas de final de um torneio Masters 1000, se deparou com aquilo que a semana ainda não havia exigido: sustentar o terceiro set diante do terceiro do mundo. O alemão Alexander Zverev venceu o carioca de 19 anos por 7/5, 6/7 (3-7) e 6/3, em 2h40 de batalha intensa, e segue às semifinais de Monte Carlo pela terceira vez na carreira.


A derrota não apaga o que foi construído ao longo da semana. Esta foi a melhor campanha de Fonseca na carreira em nível Masters 1000, e renderá ao carioca um avanço de cinco posições no ranking da ATP: de 40º para 35º a partir da próxima segunda-feira. O brasileiro já esteve no 24º posto em novembro do ano passado e agora retoma a escalada em direção ao inédito top 20. Pela semana no Principado, ele acumula 200 pontos e uma premiação de 158.700 euros, suficiente para superar a marca de US$ 3 milhões em ganhos profissionalmente.


Jogador de tênis com boné branco dá uma raquetada em quadra ao ar livre. Veste camisa cinza e shorts brancos. Público ao fundo.
João Fonseca (Foto: Rolex Monte-Carlo Masters)

Na corrida da temporada, o impacto foi ainda mais expressivo. Fonseca chegou a Monte Carlo na modesta 105ª posição, fora do top 100 da temporada. Sai como o 47º melhor do ano, um salto de 58 posições. Apenas uma semifinal o colocaria no top 30 da corrida.


Para o tênis brasileiro em Masters 1000, o resultado tem peso próprio: nenhum compatriota havia ido tão longe nesse nível desde Thomaz Bellucci, em Madri, em 2011. Quinze anos de espera, encerrados num Court des Princes lotado em Mônaco.


Erros fatais no primeiro set

Fonseca começou como se soubesse exatamente o que fazer. Quatro winners seguidos logo na abertura, dois break-points salvos com confiança, e uma variação tática incomum para o nível: curtinhas e subidas à rede atrás do saque que deslocaram Zverev nas primeiras trocas. O problema estava na devolução. O brasileiro ameaçou pouco o serviço alemão, mesmo com Zverev abaixo dos 50% de aproveitamento no primeiro saque. A base do terceiro do mundo era sólida, o forehand muito calibrado.


Com 5/5, Fonseca errou duas bolas seguidas que pareciam administráveis: um voleio longo demais e um erro bobo de forehand. A quebra estava dada, e desta vez Zverev sacou com qualidade para fechar em 7/5, em 47 minutos. Os números do parcial dizem o que ficou por dizer: Fonseca sacou melhor o primeiro serviço (68% a 57%), mas perdeu no segundo (64% a 75%). Nos winners, ficou atrás (6 a 8); nos erros, pior ainda (13 a 9).


Quebra precoce e reação

O segundo set começou como o primeiro havia terminado. Talvez ainda perturbado pelas falhas de minutos antes, Fonseca voltou abaixo no saque e viu um Zverev determinado nas devoluções. Quebra logo de início: 1/3. A reação quase veio imediata. O alemão oscilou, cometeu dupla falta e entregou um break-point, que salvou com ataque e conclusão no voleio. O empate virou pelo caminho mais difícil: dois forehands pesados e uma base consistente e sem pressa que, até então, Fonseca não havia mostrado. Virou para 4/3 e chegou a 5/3 com domínio.


Mas Zverev se soltou, explorou duas subidas à rede imprecisas do brasileiro, e a definição foi ao tiebreak. Minibreak imediato para o alemão. Fonseca não se abalou. Ganhou cinco pontos seguidos, com dois winners de alta qualidade. De 0-2 para 5-2, levou uma passada, insistiu na rede, fez 6-3 e trabalhou o ponto para empatar a partida.


Os números do segundo set revelam o que o marcador não entrega de imediato: Fonseca foi superior nos winners (13 a 9), empatou nos erros (16 cada) e teve vantagem clara no aproveitamento do segundo serviço (43% a 23%). O set mais bonito do jogo foi o seu.


A quebra que decidiu

O terceiro set começou sem drama. Cada sacador administrando o próprio jogo, poucos lances longos ou disputados. Até o sexto game: Fonseca perdeu intensidade, cometeu dois erros e foi quebrado. Desta vez, Zverev não abriu margem para recuperação. Sacou para a vitória com um match-point que chegou numa curtinha perfeita de forehand do alemão, confirmado na segunda chance.


Houve beleza no meio do colapso. Fonseca fez um lance espetacular no oitavo game para se manter vivo, e o ponto do primeiro match-point foi disputado dos dois lados com qualidade, Zverev finalizando com um smash depois de enorme correria. O brasileiro salvou. Não salvou o segundo.


Os números finais mostram o equilíbrio do jogo: 25 winners (20 de forehand) para Fonseca contra 22 de Zverev, 46 erros (25 de backhand) contra 44. Uma partida decidida nas franjas.


Zverev e os brasileiros

Esta foi a 13ª vez que Zverev cruzou com um brasileiro na ATP em simples. Antes de Fonseca, passaram por ele Marcelo Demoliner, João Souza, José Pereira, André Ghem, Thomaz Bellucci, Thiago Monteiro e Thiago Wild. Em 13 jogos contra compatriotas, o alemão cedeu apenas dois sets, ambos para Bellucci.


Com o avanço, Zverev chega pela 26ª vez às semifinais de Masters 1000 e tenta quebrar um ciclo que o persegue: cinco derrotas seguidas nessa fase, três delas para Jannik Sinner. O caminho para a final pode passar pelo italiano novamente, caso o número 2 do mundo elimine Félix Auger-Aliassime no confronto seguinte. Há também uma escrita específica em Monte Carlo: em suas duas melhores campanhas no torneio, Zverev parou justamente nas semis, eliminado por Kei Nishikori em 2018 e por Stefanos Tsitsipas em 2022. Nunca chegou à final no Principado.


Próximos compromissos

Fonseca segue para o ATP 500 de Munique, onde não será cabeça de chave. Pode reencontrar Zverev, que entra como o primeiro favorito do torneio. Na temporada, o carioca já enfrentou pela primeira vez Sinner, Alcaraz e agora Zverev, colecionando experiências contra o trio que domina o circuito. Em 2025, esse nível ainda estava no horizonte. Em Monte Carlo 2026, estava do outro lado da rede.

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