Fonseca estreia bem em Wimbledon
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Cabeça de chave 24 em Wimbledon, o carioca João Fonseca estreou contra um rival com o dobro da sua idade e não tomou conhecimento. Nesta segunda-feira, o número 1 do Brasil bateu o espanhol Roberto Bautista Agut, ex-top 10 e hoje no 183º lugar do ranking, por 7/6 (7-4), 6/4 e 6/3, em 2h27 de jogo na quadra 18 do All England Club.
Foi a sexta vez que Fonseca, aos 19 anos, venceu uma estreia de Grand Slam. Todas por 3 a 0, em sete participações no nível mais alto do circuito. A regularidade vira marca registrada. Tendo feito quartas de final em Roland Garros há poucas semanas, sua melhor campanha em um Major, o brasileiro tenta agora ao menos igualar o que fez no ano passado em Londres, quando chegou à terceira rodada logo na primeira aparição no torneio.

A leitura do próprio jogo
Antes de entrar em quadra, Fonseca já sabia que o adversário não era para se subestimar. "Primeira rodada difícil, com certeza. É um jogador experiente, já foi semifinalista aqui, fez semifinal em Queen's no ano passado, joga bem nessa superfície. Para mim, é mais uma oportunidade, jogando Wimbledon, um torneio tão maravilhoso, contra um dos jogadores mais vividos do tour atualmente", disse o carioca antes da partida. A análise se confirmou em quadra: Bautista resistiu por um set inteiro antes de ceder.
A 183ª posição de Bautista tem outro significado na trajetória de Fonseca. É o adversário de ranking mais baixo que o brasileiro já enfrentou em um Grand Slam, abaixo do chileno Nicolás Jarry (143º), justamente o algoz da última edição do slam londrino. A pior derrota de Fonseca por ranking na ATP segue sendo para o britânico Jan Choinski (188º), no Estoril, em 2024.
O susto no tie-break e a virada
Em duelo entre o segundo mais jovem da chave e o terceiro mais velho, Fonseca largou na frente. Abriu 3/1 no primeiro set apoiado no forehand calibrado e em devoluções que renderam a quebra no terceiro game. Mas oscilou no oitavo e devolveu o break. Mais confiante com a igualdade, o espanhol segurou os serviços e levou a parcial ao tie-break. Ali, João tomou um susto: viu Bautista abrir 4-1. A partir daí, encaixou devoluções mais profundas, venceu seis pontos seguidos e fechou no primeiro set-point que teve.
A segunda parcial foi mais controlada. Firme nas trocas e lendo melhor o serviço adversário, Fonseca teve três break-points logo no sexto game. A quebra, porém, veio só na reta final: no décimo game, Bautista salvou dois set-points e sucumbiu ao terceiro. No set decisivo, uma paralela espetacular, fruto de uma capacidade de defesa que cresceu muito no seu tênis, deu a quebra que abriu 3/0. Daí em diante, foi administração. Fonseca fechou com 14 winners a mais (44 a 30) e apenas 4 erros não forçados acima do rival (28 a 24).
A chave que abriu
A boa estreia veio acompanhada de outra notícia favorável nesta segunda-feira. O russo Andrey Rublev, cabeça de chave 12 e possível adversário de Fonseca na terceira rodada, caiu logo de cara diante do compatriota Roman Safiullin, qualifier, em cinco sets e quase quatro horas de jogo. Com a queda, o caminho do brasileiro até as oitavas perde seu cabeça de chave mais perigoso na parte inicial. O primeiro obstáculo desse porte só apareceria nas oitavas de final, onde espreita Novak Djokovic, sete vezes campeão do torneio. Não seria um reencontro qualquer: foi Fonseca quem eliminou o sérvio em Roland Garros, em maio, num jogo de cinco sets que durou 4h54.
Antes de qualquer projeção, há a segunda rodada. O próximo rival de Fonseca sairá do confronto entre o holandês Jesper de Jong (74º) e o australiano Rinky Hijikata (83º), marcado para esta segunda-feira. O duelo deve acontecer na quarta-feira, ainda sem horário definido.
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