Francês leva multa de US$ 40 mil por motivo inusitado, e diz que vai recorrer
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A ATP multou Corentin Moutet em US$ 40 mil por conduta antidesportiva depois que o francês usou um palavrão sete vezes durante a entrevista na quadra após sua vitória de estreia no Queen's, em Londres.

O valor é alto a ponto de virar piada de mau gosto: equivale a quase toda a premiação que Moutet embolsou na semana. O número 36 do mundo recebeu cerca de US$ 43.500 por chegar à segunda rodada do ATP 500 britânico, preparatório para Wimbledon. Ou seja, ganhou o jogo e saiu no vermelho. A ATP confirmou que Moutet vai recorrer da multa conforme as regras do circuito.
A cena aconteceu na terça-feira, ao vivo, na transmissão da BBC. Moutet acabava de bater o compatriota Giovanni Mpetshi Perricard em três sets quando a apresentadora Jenny Drummond perguntou sobre o saque de 142 mph (cerca de 229 km/h) que o adversário cravou para salvar um match point. "Quando ele me acerta a 142, eu fiquei tipo f***!", respondeu o francês.
Drummond pediu, em vão, que ele evitasse os palavrões. Diante do apelo "sem F-bombs, por favor", Moutet retrucou: "F*** f*** f***!". A apresentadora se desculpou com os telespectadores, tentou uma última pergunta pedindo que ele "mantivesse limpo", e ouviu a mesma resposta. A entrevista foi encerrada na hora.
A defesa pública de Moutet tem se apoiado num argumento de proporção. Para muitos torcedores, a punição foi desproporcional ao tamanho da infração. E os números do próprio circuito alimentam o debate.
A régua da ATP em xeque
O caso reacende a discussão sobre como o tênis pune comportamentos de gravidades muito diferentes com cifras parecidas. Em fevereiro de 2022, no ATP 500 de Acapulco, Alexander Zverev levou exatamente os mesmos US$ 40 mil, somados à perda de US$ 31.570 em premiação e de todos os pontos do torneio, por atacar a cadeira do árbitro Alessandro Germani com a raquete pelo menos quatro vezes após uma derrota nas duplas, quase atingindo o pé do oficial. Zverev ainda foi expulso do torneio por conduta antidesportiva. Palavrão em entrevista e agressão à cadeira do árbitro, na conta da ATP, valem o mesmo preço.
O ângulo brasileiro
Há um precedente ainda mais recente, e ele passa por uma brasileira. No último Roland Garros, o paraguaio Daniel Vallejo foi multado em US$ 65 mil por comentários sexistas dirigidos à árbitra Ana Carvalho, do Brasil. Após perder de virada para o francês de 17 anos Moise Kouame na segunda rodada, Vallejo disse que aquele tipo de jogo "tem que ser apitado por um homem". Carvalho, árbitra de credencial Silver Badge, foi acusada por ele de não conter o público francês. A federação francesa classificou a fala de inaceitável, e a multa, confirmada pela diretora do torneio Amélie Mauresmo, correspondeu a cerca de metade da premiação do paraguaio. Um insulto sexista a uma profissional brasileira custou US$ 25 mil a mais que sete palavrões soltos no calor de uma comemoração. Cada um tira suas conclusões sobre a régua.
Próximos compromissos
A polêmica não atrapalhou de imediato, mas o desfecho veio rápido. Depois de eliminar o número 4 do mundo, Taylor Fritz, na estreia, Moutet caiu nesta sexta-feira nas quartas de final do Queen's diante do britânico Jacob Fearnley por 6/3, 2/6 e 6/2. Fiel ao temperamento, o francês perdeu a paciência no terceiro set e mandou uma bola para a arquibancada depois de ser quebrado. A próxima parada do circuito é Wimbledon, que começa em 29 de junho. Resta saber se, da próxima vez que houver um microfone por perto, Moutet vai engolir as F-bombs.
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