ITF mantém suspensão de Belarus e Rússia no tênis e ignora recomendação do COI
- 8 de mai.
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Atualizado: 8 de mai.
A Federação Internacional de Tênis não demorou para deixar claro que as coisas não mudam tão facilmente no circuito. Um dia depois de o Comitê Olímpico Internacional recomendar o fim das restrições à participação de atletas bielorrussos em competições regidas por federações internacionais, a entidade que governa o tênis mundial respondeu nesta sexta-feira com uma nota objetiva: as suspensões de Belarus e da Rússia continuam em vigor.
"A Federação Internacional de Tênis confirma que o anúncio do COI não altera sua posição atual em relação às suspensões das federações de tênis de Belarus e da Rússia, que permanecem em vigor", afirmou a ITF em comunicado.

Para Aryna Sabalenka, a resposta chegou enquanto ela disputava o WTA 1000 de Roma. A número 1 do mundo, que na quinta-feira bateu a tcheca Barbora Krejcikova por 6/2 e 6/3 em 1h24, aproveitou a coletiva pós-jogo para falar sobre o tema. "Eu realmente espero que nos devolvam a bandeira", disse Sabalenka.
"Para mim, representar um país tão pequeno, e o trabalho duro que tive de fazer para chegar ao topo... é simplesmente incrível, e fazer tudo isso vindo de um país tão pequeno significa muito para mim."
O que muda e o que ainda não muda
A decisão do COI não obriga nenhuma federação a mudar suas regras, e a ITF deixou isso em pratos limpos. Tenistas bielorrussos e russos seguem impedidos de competir sob suas bandeiras nos circuitos da ATP, WTA e ITF, e continuam excluídos de competições por equipes como Copa Davis, Billie Jean King Cup e United Cup.
Há, porém, uma janela aberta para Belarus. "O status de membro da Federação de Tênis de Belarus será analisado na Assembleia Geral Anual da ITF, em outubro, pelos países membros votantes da ITF, de acordo com o processo constitucional da ITF", acrescentou a entidade. Ou seja: a revisão existe, tem data e tem rito. O resultado é outra questão.
Na quinta-feira, o Conselho Executivo do COI havia revogado formalmente as condições impostas às federações internacionais em 2022 e 2023. "O CE do COI revogou hoje as condições de participação recomendadas para Federações Internacionais e organizadores de eventos esportivos internacionais, de 28 de fevereiro de 2022 e 28 de março de 2023, no que diz respeito a Belarus e aos atletas bielorrussos", disse o comitê. Desde então, tenistas bielorrussos e russos haviam competido como Atletas Neutros Individuais em eventos como os Jogos de Paris 2024 e os Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026.
Russos seguem na mesma
A situação da Rússia é diferente. Enquanto o COI removeu as restrições relativas a Belarus, o Comitê Olímpico Russo permanece suspenso com a Comissão de Assuntos Jurídicos do COI ainda analisando o caso. Há mais uma camada de complicação: a entidade manifestou preocupação com o sistema antidoping russo.
"O Conselho Executivo do COI também observou com preocupação as informações recentes que levaram a Agência Mundial Antidoping (WADA) a investigar o sistema antidoping russo. O Conselho Executivo do COI gostaria, portanto, de obter uma melhor compreensão dessa situação", explicou o comitê. Para tenistas como Daniil Medvedev, o caminho de volta à bandeira segue sem previsão.
Belarus tem 12 representantes no top 1000 da WTA e cinco no top 1000 da ATP. O principal nome é Sabalenka, mas Victoria Azarenka, ex-número 1 do mundo e ex-campeã de Grand Slam, também integra o grupo. Azarenka segue afastada das quadras e caiu para a 215ª posição no ranking.
Roma, Krejcikova e o próximo passo
Dentro de quadra, a questão política não afetou o rendimento da líder do ranking. Sabalenka chegou à vitória sobre Krejcikova registrando sua 7ª vitória em 8 confrontos com a rival, num jogo que ela própria reconheceu não ter sido simples.
"Estou muito feliz por ter conseguido", disse Sabalenka em sua entrevista na quadra. "Ela é uma ótima jogadora. Já tivemos muitos jogos difíceis no passado. Ela é uma verdadeira guerreira e estou feliz em vê-la de volta. Estou satisfeita com o nível que apresentei para conquistar essa vitória difícil."
Ainda em busca de um título inédito em Roma, Sabalenka enfrenta a romena Sorana Cirstea na próxima rodada.
O prêmio e a carta para si mesma
Durante a semana, Sabalenka também foi questionada sobre o Prêmio Laureus que recebeu como Atleta do Ano. A resposta virou um depoimento.
"Aquela garota jovem, ela era apaixonada por este esporte. Ela estava faminta. Ela era uma lutadora. Ela era uma trabalhadora incansável. Eu diria a ela: continue. Se você não parar, se você continuar se esforçando, você vai chegar ao topo."
A bandeira ainda não está ao lado do nome dela. Mas o número 1, sim.
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