Kyrgios relativiza resultado e Sabalenka pede revanche após Batalha dos Sexos em Dubai
- Raphael Favilla

- 28 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
A chamada Batalha dos Sexos voltou ao centro das atenções do tênis mundial neste domingo, em Dubai, com a vitória de Nick Kyrgios sobre Aryna Sabalenka por duplo 6/3, em uma exibição que reuniu regras adaptadas, forte apelo midiático e um debate que vai além do placar. O confronto colocou frente a frente um dos nomes mais midiáticos do circuito masculino e a atual número 1 do ranking da WTA, em um evento transmitido ao vivo e acompanhado de perto por fãs e especialistas.
Partidas desse tipo surgem de forma pontual ao longo da história do tênis, assumindo diferentes significados conforme o contexto. Desde a década de 1970, encontros entre homens e mulheres já serviram tanto como entretenimento quanto como catalisadores de discussões mais amplas sobre o esporte profissional, visibilidade e competitividade.
Um formato com raízes históricas
O embrião das chamadas Batalhas dos Sexos remonta a 1973, quando Bobby Riggs enfrentou Margaret Court e, posteriormente, Billie Jean King, em confrontos que marcaram época e tiveram impacto direto na percepção do tênis feminino. Décadas depois, o conceito voltou à tona em diferentes formatos, como o duelo entre Jimmy Connors e Martina Navratilova em 1992, as exibições de Karsten Braasch contra Venus e Serena Williams em 1998, e o encontro entre Yannick Noah e Justine Henin em 2003.
O duelo entre Kyrgios e Sabalenka se insere nessa linhagem, mas com uma proposta mais contemporânea, buscando equilíbrio técnico e apelo de espetáculo, sem a pretensão de estabelecer comparações absolutas entre os circuitos.
Regras adaptadas e caráter híbrido
Para equilibrar o confronto, o evento em Dubai adotou um conjunto de regras específicas. A quadra foi reduzida em 9% no lado de Sabalenka, não houve troca de lados durante a partida e nenhum dos jogadores teve direito ao segundo saque. Além disso, os games foram disputados com vantagem, reforçando o caráter competitivo do duelo.
As adaptações criaram um formato híbrido, que mesclou elementos de exibição e competição real, exigindo ajustes constantes dos dois lados e tornando o jogo mais dinâmico e imprevisível.
Kyrgios impõe variação e decide nos detalhes

Dentro desse contexto, Kyrgios construiu a vitória com um plano claro. Apostou em um saque eficiente, mesmo sem a possibilidade de um segundo serviço, variou bastante as jogadas e buscou encurtar os pontos sempre que possível. O australiano explorou bolas curtas, subidas à rede e mudanças de ritmo para tirar Sabalenka da zona de conforto.
A número 1 do mundo teve seus melhores momentos quando conseguiu impor potência do fundo de quadra, especialmente no segundo set, quando chegou a liderar por 3/1. No entanto, erros em momentos-chave e a dificuldade em sustentar sequências ofensivas mais longas acabaram pesando contra.
Fisicamente, Kyrgios demonstrou limitações na movimentação, mas administrou o desgaste ao longo do jogo, optando por pontos mais curtos na reta final. Sabalenka, por sua vez, mostrou coragem ao salvar match-points e manter o duelo competitivo até o último game, encerrado com um saque aberto do australiano que a bielorrussa não conseguiu devolver.
Kyrgios relativiza resultado e valoriza impacto do evento
Após a partida, Kyrgios tratou de tirar o foco do resultado e destacou a relevância do encontro para o tênis como um todo.
“Foi um jogo realmente difícil. Ela é uma competidora incrível, uma grande campeã, vencedora de vários Grand Slam. Eu não sabia exatamente o que esperar. Houve quebras de saque, momentos de pressão dos dois lados. Ver alguém como a Aryna aqui comigo é um grande espetáculo”, afirmou.
O australiano reforçou que não se vê como um vencedor no sentido tradicional. “Não me considero exatamente um campeão esta noite. Acho que este evento representa um grande passo adiante para o tênis.”
Conhecido pelo perfil provocador, Kyrgios também admitiu ter sentido o peso emocional do momento. “Claro que eu estava nervoso. Não acho que muita gente se colocaria nessa posição. Isso era tudo o que se falava nos últimos seis meses. Dois anos atrás, eu estava praticamente fora, sem conseguir usar a mão direita.”
Respeito técnico e distância menor do que parece
Questionado sobre as diferenças entre o tênis masculino e feminino, Kyrgios evitou simplificações e destacou o desempenho da adversária.
“Tirei uma das maiores armas dela, o primeiro saque, e mesmo assim ela mostrou o quanto é uma atleta incrível. Quando a vi se mover de um lado para o outro e executar alguns golpes, ficou claro que a diferença para jogadores de elite é menor do que muitos imaginam.”
O australiano ainda ressaltou que o equilíbrio foi maior do que o placar sugere. “Já treinamos algumas vezes. Ela estava ali, no jogo. Honestamente, o resultado poderia ter sido qualquer um.”
Sabalenka valoriza nível e já projeta revanche
Apesar da derrota, Aryna Sabalenka saiu de quadra com uma avaliação positiva da experiência.“Me senti muito bem. Acho que fiz uma grande luta. Ele teve dificuldades em alguns momentos e ficou bastante tenso. Acredito que o nível foi alto. Fiz muitos bons golpes, fui bastante à rede e consegui variar”, analisou.

A líder do ranking também destacou o espetáculo proporcionado. “Houve muitas bolas curtas, bons saques e pontos interessantes. Eu realmente aproveitei o jogo.”
Sabalenka explicou que o confronto exigiu ajustes específicos, mas vê a exibição como um aprendizado relevante. “Claro que é diferente. A quadra é diferente, o ritmo é mais rápido e precisei fazer alguns ajustes. Jogar contra um homem é um tênis completamente diferente, mas fisicamente me senti muito bem.”
Já pensando adiante, a bielorrussa deixou clara a disposição para um novo encontro. “Na próxima vez que jogar contra ele, já vou conhecer melhor as táticas, os pontos fortes e fracos. Tenho certeza de que será uma partida ainda melhor. Gosto de me desafiar e adoraria enfrentá-lo novamente.”
Encerrando sua análise, Sabalenka destacou o impacto do jogo em sua preparação para 2026. “Depois desse jogo, me sinto praticamente pronta. Espero me recuperar bem nos próximos dias e chegar forte para fazer um grande ano.”
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