Manifesto de formação do Treinador de Tênis
- Haroldo Zwetsch Júnior

- 26 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Neste manifesto, Haroldo Zwetsch Jr. propõe uma reflexão profunda sobre o verdadeiro processo de formação do treinador de tênis. Longe de atalhos, títulos ou soluções imediatistas, o texto defende uma construção profissional baseada no tempo, na prática cotidiana em quadra e na responsabilidade de ensinar pessoas antes de formar competidores.
Ao longo do artigo, Zwetsch Jr. organiza sua visão em etapas claras — ensinar, organizar, estudar, competir e consolidar — e reforça que nenhuma delas pode ser ignorada sem comprometer o desenvolvimento do treinador e de seus alunos. O texto é um convite à consciência profissional, ao compromisso com o processo e à valorização do ensino como pilar fundamental para o futuro do tênis. Confira!
(Natural do Rio Grande do Sul, Haroldo começou a jogar tênis aos 5 anos e construiu uma trajetória sólida como jogador, professor e formador. trabalhou como técnico de alto rendimento e coordenador no Centro de Treinamento Kirmayr, além de ter treinado jogadoras entre as 300 melhores do ranking da WTA. Possui formação nível 4 CBT/ITF, mais de 15 cursos técnicos e ampla formação em gestão de pessoas e qualidade).
MANIFESTO DE FORMAÇÃO DO TREINADOR DE TÊNIS

Formar um treinador de tênis não é acelerar etapas. É respeitar o processo. O tênis não forma treinadores prontos; ele forma profissionais em construção permanente, moldados pelo tempo, pela prática e pelas decisões que tomam ao longo da carreira.
Todo treinador nasce na quadra. Geralmente com poucos alunos, poucos recursos e muitas perguntas. É nesse ambiente real, muitas vezes invisível aos olhos de fora, que começa a formação verdadeira. Não no certificado pendurado na parede, não no título, não no cargo. A base do treinador é construída no contato diário com o aluno, com o erro, com a tentativa e com a responsabilidade de ensinar.
Antes de ensinar a competir, o treinador precisa ensinar a jogar. Antes de criar método, precisa criar ambiente. Antes de pensar em sistemas, precisa entender pessoas. O primeiro papel do treinador é ensinar — ensinar o básico, ensinar com clareza, ensinar observando, ajustando e aprendendo junto com quem está do outro lado da rede. É nesse estágio que se constrói a base pedagógica e a compreensão do papel do professor dentro da quadra.
Com o tempo, surge uma percepção decisiva: repetir exercícios não forma jogadores. O que educa é o ambiente. O que acelera é a organização. O que conecta é a comunicação. Nesse momento, o treinador deixa de ser apenas executor e passa a ser organizador do processo. Ele começa a estruturar grupos, progressões, expectativas e caminhos de aprendizagem. Ensinar deixa de ser improviso e passa a ser intenção.
A partir daí, aparece uma responsabilidade inegociável: estudar continuamente. Não por status, não por marketing, não por validação externa, mas por necessidade profissional. Certificações, cursos, atualizações e trocas deixam de ser diferenciais e passam a ser obrigações de quem escolheu conduzir o desenvolvimento de outros seres humanos. Um treinador que para de estudar, para de evoluir — e compromete o processo de quem confia nele.
Em seguida, a competição entra como espelho. É no torneio que o treino se revela. É sob pressão que o discurso é testado. É no jogo real que o treinador aprende a ler o cenário, tomar decisões e ajustar o caminho. A competição ensina o treinador a ser menos teórico e mais preciso, menos reativo e mais estratégico, menos emocional e mais consciente. Ela não é um evento isolado, mas uma ferramenta de aprendizagem contínua.
Com o passar do tempo, prática, estudo e competição começam a se conectar. O treinador amadurece. Constrói método. Desenvolve visão. Organiza processos. Não chega ao fim da jornada, mas alcança a consciência do próprio papel. Um treinador consolidado entende que ensinar é servir, treinar é estruturar, competir é aprender e evoluir é obrigatório.
Este manifesto defende um caminho claro e progressivo: ensinar, organizar, estudar, competir e consolidar. Nenhuma dessas etapas pode ser pulada. Nenhuma pode ser terceirizada. Nenhuma pode ser simulada sem impacto direto no resultado final. O tênis não precisa de atalhos. Precisa de treinadores conscientes, preparados e responsáveis.
Esse é o compromisso com a formação real. Esse é o compromisso com o jogo. Esse é o compromisso com o futuro do tênis.
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Importante , imprescindível!
Acredito que cada vez mais estamos perdendo a capacidade e a oportunidade de desenvolver e melhorar a carreira do treinador, adorei a repleção a atenção dada para uma categoria, que nos últimos anos vem se dedicando e se desenvolvendo com poucos incentivos , com muita devoção e até mesmo diria com muita paixão, vejo poucas ações de valorização e pouco interesse das nossas federações e confederações, apenas utilizando a boa intenção!!
Excelente reflexão, Haroldo segue compartilhando e semeando conhecimento e experiência. Trabalhar com ele foi uma das melhores experiências.
Formar atletas e pessoas, um grande desafio.