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O francês de 16 anos que igualou Alcaraz e não quer ser chamado de "o próximo ninguém"

  • 24 de fev.
  • 3 min de leitura

Moïse Kouamé chegou ao top 400 do ranking ATP com 16 anos, 11 meses e uma clareza sobre si mesmo que a maioria dos tenistas demora uma carreira inteira para construir. A marca foi atingida após a campanha do francês na semifinal do Challenger de Lille, onde ganhou três jogos em sets diretos antes de cair para o compatriota Luca Van Assche por um duplo 6-1 no sábado.


O resultado não é só mais um número numa trajetória de prodígio. Kouamé é o primeiro jogador nascido em 2009 a romper a barreira do top 400. O último a ter feito isso antes de completar 17 anos tinha um nome: Carlos Alcaraz. A comparação veio rápido, como sempre vem quando um adolescente faz algo que só o espanhol havia feito antes. Kouamé já sabe como lidar com isso.


Crédito: Getty Images / Roland Garros
Moïse Kouamé em ação no saibro de Roland Garros, onde disputou o juvenil antes de iniciar a escalada no circuito profissional. (Crédito: Getty Images / Roland Garros)

"Tem um pouco de Gaël [Monfils], tem um pouco de Djoko, tem um pouco de Sinner, tem um pouco de Alcaraz... e, acima de tudo, tem um pouco de Moïse Kouamé", disse ele à L'Équipe após a primeira vitória em nível Challenger.

"Valorizo minha identidade, minha própria identidade. Mais tarde, espero que daqui a 10 ou 20 anos os jovens jogadores possam dizer que têm um pouco de Kouamé no jogo deles. É essa a identidade que quero construir aos poucos", completou.


Dezesseis anos. Essa é a idade do rapaz que disse isso.


A trajetória que não para

Kouamé começou 2026 no ranking 833 e subiu quase 300 posições em semanas, após conquistar dois títulos ITF em solo francês em janeiro. Foram o M25 de Hazebrouck e o M15 de Bressuire, tornando-o o primeiro jogador nascido em 2009 a conquistar um título profissional.


Em seguida veio Montpellier. Com um wildcard no quali do Open Occitanie, ele venceu o sueco Elias Ymer por 6-4, 4-6, 7-5 e depois o francês Clément Chidekh por 7-5, 6-7(6), 6-3, avançando ao quadro principal e tornando-se o sexto mais jovem a disputar um evento ATP desde 2000, numa lista que inclui Rafael Nadal e Richard Gasquet.


No main draw, perdeu para o cabeça de chave 8 Aleksandar Kovacevic, mas o dado mais relevante não era o placar: era que um menino de 16 anos havia chegado lá por direito próprio.


Lille, semanas depois, foi mais um capítulo. Três vitórias sem ceder sets, sobre Matej Dodig (6-4, 6-2), Joel Schwaerzler (6-3, 6-4) e o americano Nishesh Basavareddy (6-3, 6-3) nas quartas. Na semi, Van Assche não deixou espaço: um duplo 6-1 em pouco mais de uma hora encerrou a semana. Em sua quarta aparição num main draw de Challenger, Kouamé havia conquistado três vitórias consecutivas em sets diretos e garantido a entrada no top 400 pela primeira vez.


Gasquet no banco, Mahut nos bastidores

O técnico de Kouamé não é qualquer um. Richard Gasquet, ex-número 7 do mundo, encerrou a carreira exatamente no Roland Garros 2025 e assumiu o papel de mentor do garoto de Sarcelles. O próprio Kouamé descreveu a parceria à imprensa francesa: "Ele me traz muita experiência sobre como encarar jogos sob pressão, como abordar os adversários. Ele foi top 10, isso não é pouca coisa. Ele também me ajuda a me manter calmo nos confrontos, porque já jogou muitas, muitas vezes nesse nível de intensidade."


Nativo de Sarcelles, subúrbio ao norte de Paris, Kouamé treinou no Centro Nacional de Tênis em Poitiers antes de, aos 13 anos, se transferir para a Academia Justine Henin, na Bélgica. Passou também pelo Mouratoglou Tennis Academy em Biot. O ídolo declarado é Novak Djokovic.


Não falta voz crítica, claro. O ex-jogador Nicolas Mahut manifestou preocupação com a cobertura precoce: "Não vejo sentido em escrever artigos quando ele está nas quartas de um Challenger". Kouamé, por sua vez, parece ter encontrado o escudo certo para esse tipo de pressão. "Me concentro nos meus jogos, nos meus treinos e nos meus objetivos com a equipe. O que as pessoas vão dizer ou escrever sobre mim, eu não posso controlar", disse ele ao longo da semana em Lille.


Dezessete anos chegam no dia 6 de março. O próximo compromisso é o Challenger de Saint-Brieuc, o torneio onde ele estreou como profissional em outubro de 2024, quando ainda tinha 15 anos. O círculo fecha rápido quando o talento não perde tempo.


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