Recordes e mais recordes: Sinner bate mais uma marca em Roma
- 14 de mai.
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Jannik Sinner não vence apenas partidas. Nesta quinta-feira no Foro Itálico, ao despachar Andrey Rublev por 6/2 e 6/4 em 1h31 de total controle, o italiano colecionou mais um número para um arquivo que já ultrapassa os limites do que a Era Aberta conhecia: 32 vitórias consecutivas em Masters 1000, recorde absoluto na história do circuito. Por 15 anos, Novak Djokovic foi o dono da marca, com 31 triunfos em sequência, conquistada ao longo de 2011 entre Indian Wells e Cincinnati. Sinner chegou lá. E então foi além.
"Não jogo pelos recordes. Jogo pela minha história. Mas ao mesmo tempo, significa muito para mim", declarou o italiano à ATP Tour após a partida. "Amanhã é um novo dia, um adversário diferente, condições diferentes... Emocionalmente, é muito desgastante jogar aqui em casa. Mas definitivamente dou o meu melhor. Hoje foi um bom dia."
A frase resume bem o paradoxo de Sinner: quanto mais ele descarta a importância dos números, mais os números crescem ao redor dele.
A lista de recordes que o circuito não para de calcular
A sequência nos Masters 1000 teve início em novembro de 2025, quando ele venceu o Masters de Paris, o primeiro de cinco títulos consecutivos nesta categoria, ultrapassando a marca de quatro que Djokovic e Nadal dividiam. Naquele período, entre sua segunda rodada em Paris e a terceira rodada de Miami, Sinner venceu 37 sets seguidos neste nível, também recorde histórico. Nas 32 partidas da série atual, perdeu apenas dois sets no total.
A temporada de 2026 foi uma sequência ininterrupta de primeiras vezes. Sinner se tornou o primeiro tenista da história a vencer os quatro primeiros Masters 1000 do ano, e depois o primeiro a conquistar cinco títulos consecutivos nesta categoria. Indian Wells, Miami: o "Sunshine Double", concluído sem perder um set sequer, algo que não se via desde Roger Federer em 2017 e que nunca havia sido feito desta forma.
Em 2025, foi o primeiro jogador desde o início do registro estatístico da ATP, em 1991, a liderar simultaneamente o circuito em percentual de games de serviço vencidos e em percentual de games de devolução vencidos na mesma temporada. Uma combinação que resume por que é tão difícil jogar contra ele: no serviço não dá pontos de graça, e a devolução rouba os pontos que deveriam ser do adversário.
Com 14.350 pontos no ranking, Sinner acumula a terceira maior pontuação da história da ATP, atrás apenas de Djokovic (16.950) e Nadal (15.390). O italiano tem apenas 25 anos.
A vitória sobre Rublev marca ainda sua 50ª semifinal no circuito como número 1 do mundo. Apenas seis jogadores em atividade têm mais semifinais do que ele. E, no plano local, tornou-se o primeiro italiano da Era Aberta a atingir ao menos duas semis em Roma desde Adriano Panatta, em 1976 e 1978.
Se acumula 32 vitórias seguidas em Masters 1000, em termos de sequência geral no circuito o 27º triunfo é agora seu próprio recorde de carreira e a sétima maior da Era Aberta, ficando atrás apenas de Djokovic (43), Roger Federer (41), Thomas Muster (35), Rafael Nadal (32), Pete Sampras (29) e Andy Murray (28). Se sair campeão da capital italiana, sobe para o quinto lugar desta lista.
(32x27: o número é menor porque, entre um Masters 1000 e outro, Sinner jogou o Australian Open (perdeu para Djokovic na semi) e Doha (perdeu para Mensik nas quartas). Depois de Doha, não perdeu mais. São 27 jogos seguidos sem derrota em qualquer evento desde então)
Como Rublev tentou e por que não foi suficiente
O resultado da partida em si teve poucas dúvidas. Sinner abriu com quebra logo no primeiro game de cada set, impondo um ritmo que o russo nunca conseguiu sustentar para reverter. Rublev desperdiçou os dois break-points que teve no quarto game do primeiro set e depois viu seu saque ser quebrado novamente no sétimo, fechando o set em 6/2. Na segunda parcial, o italiano abriu 4/1, o russo devolveu uma quebra e chegou a sonhar com alguma reação, mas não foi além. Sinner fechou com autoridade.
Os números internos da partida explicam a distância: dez erros não forçados a menos que Rublev (18 a 28), sete bolas vencedoras a mais (19 a 12) e 67% de aproveitamento nos pontos disputados no saque".
O russo ex-top 5 analisou como é fundamental manter a concentração durante todo o jogo, já que Sinner não costuma perdoar os erros dos rivais. “Eu diria que joguei de forma ok. Nada incrível. Mas o Jannik está jogando muito bem. Ele é muito consistente. Você precisa estar super focado para conseguir manter esse nível”, contou.
“A única forma é forçá-lo a errar ou buscar golpes vencedores. E precisa de muito foco para conseguir jogar nesse nível. Afinal, ele é o número 1. Para jogar contra ele, você precisa manter um nível altíssimo de concentração de forma constante”, finalizou Rublev.
O que vem a seguir
Na semifinal, o italiano encontrará o vencedor do confronto entre o cabeça de chave 7 Daniil Medvedev e o lucky-loser espanhol Martin Landaluce, de apenas 20 anos. Contra o russo, Sinner tem retrospecto de 9 vitórias em 16 jogos, curiosamente nenhuma delas no saibro. Já com o jovem espanhol, os dois nunca se encontraram no circuito profissional.
Vencer em Roma significaria mais do que o título: completaria o Career Golden Masters, o feito de conquistar todos os nove Masters 1000 do calendário vigente. Apenas Djokovic chegou lá. Sinner está a dois jogos de distância, atuando em casa e com a melhor série da história nos ombros.
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