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Rivais no campo, parceiros em quadra

Adversários históricos dentro de campo, jogadores de Botafogo e Vasco protagonizaram uma cena curiosa fora dele: nas quadras. Em registros que circularam nas redes sociais, atletas dos dois clubes apareceram jogando padel juntos, mostrando que, longe da bola e das arquibancadas, o esporte de raquete tem servido como ponto de encontro entre universos tradicionalmente opostos do futebol carioca.


Allan, Artur, Arthur Cabral, Neto e Vitinho, do Botafogo, dividiram a quadra com Philippe Coutinho e Vegetti, do Vasco, em aulas realizadas em um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro

Allan, Artur, Arthur Cabral, Neto e Vitinho, do Botafogo, dividiram a quadra com Philippe Coutinho e Vegetti, do Vasco, em aulas realizadas em um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, região que se tornou um dos polos da modalidade no país. O ambiente descontraído reforça um traço central do padel: a convivência social como parte do jogo.


Fora da quadra principal, o esporte também se estende às famílias. As esposas dos atletas passaram a se reunir para jogar beach tennis, outra modalidade em franca expansão, formando um ecossistema esportivo que vai além da competição profissional.


O boom do padel no Brasil — e por que ele conecta tanto


O padel é um esporte de raquete disputado em duplas, em quadras cercadas por paredes de vidro e telas, combinando elementos do tênis, do squash e até do frescobol. A dinâmica do jogo favorece trocas longas, estratégia coletiva e interação constante entre os jogadores.

Essa configuração ajuda a explicar por que o esporte se tornou rapidamente um fenômeno social. A curva de aprendizado é mais acessível do que a do tênis tradicional, permitindo que iniciantes joguem partidas competitivas em pouco tempo. Algo raro em esportes de raquete.


O crescimento do padel no Brasil não é pontual, ele é estrutural. Indicadores digitais e dados de federações mostram uma expansão acelerada nos últimos anos:


  • As buscas por “padel” no Google cresceram cerca de 500% desde 2020

  • A hashtag #padel saltou de aproximadamente 50 mil publicações para mais de 415 mil até 2025

  • O número de atletas federados saiu da faixa de 5 a 7 mil em 2020 para cerca de 25 mil em 2023, com projeções entre 30 e 40 mil até 2025


Relatórios e reportagens especializadas indicam que o Brasil já ultrapassa a marca de 600 mil praticantes, com crescimento médio anual estimado entre 15% e 20%. Hoje, o país conta com mais de 2 mil quadras, distribuídas por 16 estados, com forte concentração nas regiões Sul e Sudeste.


Esse avanço acompanha a ocupação de novos espaços: academias, condomínios, clubes sociais, centros públicos e circuitos amadores passaram a incorporar o padel em sua rotina, exatamente o contexto onde atletas de alto rendimento acabam se tornando embaixadores informais da modalidade.


A presença de jogadores profissionais de futebol ajuda a acelerar o processo. Ao compartilhar treinos e partidas nas redes sociais, atletas conhecidos ampliam o alcance do esporte para públicos que talvez nunca tivessem contato com ele.


Mais do que marketing espontâneo, esse movimento cria identificação: se jogadores de clubes rivais conseguem dividir a mesma quadra fora do futebol, o padel se apresenta como um território neutro, onde a rivalidade dá lugar à convivência.


Um fenômeno que vai além do Brasil


O avanço brasileiro acompanha um cenário global igualmente impressionante. Segundo o World Padel Report 2025, da Federação Internacional de Padel (FIP):


  • O número de jogadores ativos ultrapassou 35 milhões no mundo

  • O total de clubes cresceu mais de 16%, e o de quadras, 15%, em apenas um ano

  • O número de atletas registrados em federações nacionais aumentou 42%, sinal claro de profissionalização


Hoje, o padel já está presente em mais de 150 países, rompendo fronteiras que antes se limitavam principalmente à Espanha e à Argentina, berços tradicionais da modalidade.

Eventos como o circuito Premier Padel e competições oficiais da FIP ampliaram o alcance competitivo do esporte, oferecendo oportunidades tanto para atletas profissionais quanto para amadores em diferentes níveis.


Analistas e especialistas apontam uma combinação de fatores que explicam a expansão acelerada:


  • Acessibilidade técnica, que reduz a frustração inicial

  • Formato social, com jogos em duplas e interação constante

  • Expansão da infraestrutura, com quadras surgindo em ritmo acelerado

  • Apoio midiático e adesão de celebridades, que ampliam a visibilidade


O resultado é um esporte que não depende apenas de alto rendimento para crescer. Ele se sustenta no uso cotidiano.



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