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Robô derrota uma das melhores mesatenistas do mundo

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

O robô autônomo Ace, desenvolvido pela Sony AI, derrotou Miyuu Kihara, mesatenista japonesa classificada entre as 25 melhores do mundo no ranking feminino de simples da World Table Tennis, em partidas realizadas sob as regras oficiais da Federação Internacional de Tênis de Mesa. Os resultados foram publicados como matéria de capa na revista Nature.


Homem joga tênis de mesa contra braço robótico em evento Sony AI, com mesa azul e bola no ar.
(Foto: AP)

O estudo, intitulado "Outplaying Elite Table Tennis Players with an Autonomous Robot", é apontado pela própria Sony AI como o primeiro registro de um sistema autônomo do mundo real competindo em pé de igualdade com jogadores profissionais de tênis de mesa. Árbitros credenciados pela Associação Japonesa de Tênis de Mesa acompanharam e homologaram as partidas. Confira alguns lances do duelo:



A evolução do Ace

Robôs capazes de jogar tênis de mesa existem desde 1983, mas nenhum havia superado o nível amador em partidas competitivas até o Ace. A Sony AI já tinha experiência em levar IA a ambientes de alta velocidade: o Gran Turismo Sophy, agente desenvolvido pela empresa para o simulador de corridas Gran Turismo, havia sido publicado na Nature em 2022 com desempenho descrito como sobre-humano. O Ace é o passo seguinte: a mesma lógica, agora no mundo físico.


Vale uma ressalva importante para quem leu a notícia na Nature: o artigo principal documenta os testes de abril de 2025, quando o Ace venceu três de cinco partidas contra jogadores humanos, mas perdeu as duas disputadas contra profissionais. As vitórias sobre profissionais, incluindo a sobre Miyuu Kihara, ocorreram depois da submissão do estudo e estão registradas no material suplementar e no press release oficial da Sony AI.


"Esta pesquisa demonstrou que um robô autônomo pode, de fato, vencer em um esporte competitivo, igualando ou superando o tempo de reação e a tomada de decisão dos humanos em um espaço físico. O tênis de mesa é um jogo de enorme complexidade, que exige decisões em frações de segundo, velocidade e potência", disse Peter Dürr, diretor da Sony AI em Zurique e líder do projeto, em comunicado oficial da empresa.


Como o robô funciona

O Ace é composto por um braço mecânico com oito articulações acoplado a um trilho que se move sobre a mesa. Com nove câmeras externas ao redor da quadra, o robô rastreia a posição da bola em três dimensões a 200 Hz, ou seja, 200 vezes por segundo, com latência média de 10,2 milissegundos. Isso inclui bolas com rotação intensa: o sistema devolve golpes com até 450 rad/s de spin e registrou taxa de acerto superior a 75%. No lado ofensivo, marcou 16 pontos diretos de saque contra os jogadores de elite nos testes documentados no estudo, enquanto os humanos somaram apenas oito entre todos eles.


As versões mais recentes adotam um posicionamento mais agressivo, próximo à borda da mesa, para encurtar o tempo de reação dos adversários e acelerar o ritmo dos ralis. O sistema também reage a situações imprevisíveis, como bolas que batem na rede antes de cruzar para o outro lado, comportamento documentado no estudo como prova de que o robô generaliza para cenários que não estão nos scripts de simulação.


O treinamento foi feito inteiramente por simulação de IA, sem observar jogadores humanos. Isso gera padrões difíceis de antecipar, mas também cria brechas: a jogadora profissional Rui Takenaka observou que saques simples, sem efeito, facilitavam ataques posteriores, enquanto bolas com giro complexo eram devolvidas na mesma intensidade, levando ao erro. O que derrota o robô não é a dificuldade. É a simplicidade.


O ex-atleta olímpico Kinjiro Nakamura, que disputou um confronto de exibição contra o sistema, descreveu uma das devoluções do Ace como um golpe que considerava impossível para um ser humano executar.


O que está em jogo além do esporte

"Esta conquista representa um momento histórico para a pesquisa em inteligência artificial, mostrando, pela primeira vez, que um sistema de IA pode perceber, raciocinar e agir com eficiência em ambientes do mundo real que mudam rapidamente e exigem precisão e velocidade", declarou Peter Stone, cientista-chefe de IA da Sony AI.


A Sony AI é explícita em dizer que o Ace não será comercializado como um treinador de tênis de mesa. O projeto é tratado como plataforma de pesquisa, e a tecnologia de percepção e controle desenvolvida para ele é o que interessa: a capacidade de processar dados sensoriais em tempo real e agir em milissegundos tem aplicação direta em medicina robótica, manufatura de precisão e logística em ambientes imprevisíveis.


O tênis de mesa não foi escolhido por acaso. É exatamente o tipo de ambiente que força a IA a funcionar no mundo real, com adversário, física imprevisível e sem margem para erro. O Ace passou no teste.

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