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Sérvio vira sobre Fonseca e provoca a torcida

  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

João Fonseca encerra o sábado em Roma do mesmo jeito que encerrou Madri: eliminado na estreia, com uma derrota que podia ter seguido outro rumo. O carioca de 19 anos caiu para o sérvio Hamad Medjedovic, 67º do mundo, por 3/6, 6/3 e 7/6 (7-1), em 2h24 na SuperTennis Arena, e sai do segundo Masters 1000 consecutivo sem uma vitória (em quadra) sequer.



A lógica do jogo estava do lado do brasileiro. No primeiro set, Fonseca foi sólido, obteve a quebra em 5/3 com um voleio preciso e fechou a parcial com um ace. No momento da quebra, Medjedovic havia implodido: destruiu a raquete, irritadíssimo consigo mesmo e com o público vibrando. Os números da primeira parcial eram impressionantes: com apenas 52% de aproveitamento no primeiro saque, Fonseca venceu 100% dos pontos disputados nessa condição, 13 de 13, com velocidade média de 199 km/h. Parecia fácil. Não era.


No segundo set, o jogo começou a virar antes que alguém percebesse. Nos três primeiros games de saque de Medjedovic, o brasileiro acumulou cinco break-points sem converter nenhum. Esses cinco pontos muito provavelmente decidiram a partida. Ao menos em metade das oportunidades, o adversário merece crédito pelo arrojo; nas outras, Fonseca simplesmente não aproveitou. O castigo chegou no oitavo game: dois erros de base e uma dupla falta entregaram a quebra, Medjedovic confirmou o saque em seguida e o set ficou igualado.


O terceiro set começou pior. Instável, Fonseca salvou um break-point logo no game de abertura, desperdiçou outra chance de quebrar o rival e acabou sendo quebrado na sequência. Medjedovic aproveitou e chegou a 4/1 com autoridade. A vantagem parecia definitiva.


Não foi. O brasileiro reagiu, recuperou uma das quebras e confirmou um game de saque sem perder um ponto. No game que ainda faltava para empatar, a cena foi a mais dramática da tarde: sacando para fechar a partida, Medjedovic teve um match-point, mas mandou uma direita para fora por poucos centímetros. Fonseca seguiu agressivo, e o break-point que igualou o placar veio com uma dose de sorte: uma contra deixada tocou na fita antes de cair do outro lado da quadra. Na troca seguinte, Medjedovic errou uma direita na rede após uma longa troca de bolas, e o marcador voltou para 5/5.


No tiebreak, porém, foi outro jogo. Medjedovic se reorganizou rapidamente, foi mais ousado do que o adversário e aproveitou os erros do brasileiro para construir uma vantagem sem discussão: 7 a 1.



Na comemoração, o sérvio provocou a torcida brasileira com um gesto de "dormir". Não era gratuito. Ao longo da partida, especialmente no 12º game do terceiro set, Medjedovic reclamou repetidamente com o árbitro de cadeira, pedindo que mandassem a galera calar a boca. O público de fato exagerou no entusiasmo e por vezes atrapalhou o sérvio na hora de sacar. Medjedovic se segurou, manteve o foco e, no desempate, demonstrou por que o jogo estava nas suas mãos.


Hamburgo no horizonte

Com a queda em Roma, Fonseca sai do Foro Italico pelo segundo ano seguido sem uma vitória. Em 2025, havia sido eliminado já na estreia pelo húngaro Fabian Marozsan. Seu retrospecto nos Masters 1000 segue positivo em seis dos nove torneios da série: Indian Wells (4-2), Miami (3-2), Monte Carlo (3-1), Madri (2-3), Cincinnati (2-1) e Paris (1-1). O carioca ainda não venceu em Roma, no Canadá e em Xangai.


A eliminação não tem efeito imediato no ranking, onde permanece na 29ª posição, mas o risco de perder um lugar no top 30 existe. Mais do que isso: se as derrotas em Monte Carlo e Munique foram para adversários de peso, as de Madri e Roma causam a frustração específica de quem sabe que o jogo podia ter sido diferente. É importante recomeçar a vencer.


Assim como aconteceu em Madri, onde disputou apenas uma partida antes de encarar um longo período só de treinos, Fonseca ficará ao menos oito dias apenas no bate-bola antes de estrear no ATP 500 de Hamburgo. O torneio alemão se transforma, assim, na principal preparação antes de Roland Garros. O risco de perder a condição de cabeça de chave no Grand Slam francês, ao menos por enquanto, é pequeno.


Do outro lado, Medjedovic iguala seu melhor resultado em Masters 1000, repetindo a campanha de Roma em 2024 e a de Cincinnati no ano passado. O sérvio de 22 anos foi campeão das Next Gen ATP Finals em 2023, conquistou o Challenger de Nápoles nesta temporada e ainda busca seu primeiro título no circuito principal. Seu próximo adversário será o argentino Mariano Navone, que mais cedo despachou Félix Auger-Aliassime, 5º do mundo, em dois tiebreaks e quase três horas. O único encontro anterior entre os dois foi nesta temporada, no Australian Open, com vitória do sérvio em quatro sets logo na primeira rodada.

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