"A torcida brasileira às vezes pensa que é um jogo de futebol", diz Fonseca após derrota em Roma
- 10 de mai.
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Atualizado: 10 de mai.
João Fonseca deixou o Foro Italico com duas frustrações na bagagem: as cinco chances de quebra desperdiçadas no segundo set e o comportamento de parte da torcida brasileira. Um dia após a eliminação na estreia do Masters 1000 de Roma para o sérvio Hamad Medjedovic, o número 1 do Brasil falou à ESPN e criticou a postura do público nas arquibancadas, comparando algumas atitudes com as de torcedores de futebol.

"Eu acho que a torcida brasileira às vezes pensa que é um jogo de futebol. Adoro a torcida, mas tem que ter um pouco de limite e respeito", disse o carioca de 19 anos, reconhecendo que o ambiente criado não foi benéfico nem para ele. "Não é só que atrapalha o adversário, mas também me atrapalha. É só um questionamento, continuo amando jogar com a torcida e acho que é mais uma lição e oportunidade de evoluir."
Durante o jogo, Medjedovic perdeu a paciência repetidas vezes com as manifestações da arquibancada nos momentos de saque, especialmente na reta final do terceiro set. O sérvio pediu ao árbitro de cadeira que mandasse a torcida calar a boca e chegou a disparar uma bola para fora da quadra, irritadíssimo. Fonseca não concordou com a reação do adversário, mas reconheceu que a gestão do árbitro deixou a desejar.
"Acho que o árbitro perdeu o controle da partida. Não tenho nada contra ele, acho uma ótima pessoa, fala português, mas acabou perdendo o controle e eu também perdi o controle. Falei para ele que eu nunca reclamei, mas acho que ele estava tomando uma decisão errada, e foi uma análise minha", afirmou. "São coisas que ficam quentes durante a partida, mas depois falei com ele, foi tranquilo. O terceiro set estava 5 a 5, então a cabeça fica um pouco mais quente."
As chances que não voltam
A crítica à torcida não apagou, para Fonseca, o peso das oportunidades desperdiçadas. No segundo set, o brasileiro acumulou cinco break-points nos três primeiros games de saque de Medjedovic sem converter nenhum. A quebra, quando veio, foi do outro lado: no oitavo game, o sérvio aproveitou dois erros de base e uma dupla falta do rival para empatar o duelo.
"São oportunidades que não posso perder, ainda mais no momento em que eu estava melhor na partida. Eu tive de fazer meu saque, ele me fez jogar o ponto. Botou duas devoluções bem, depois errei duas direitas", analisou Fonseca. "O 'se' não existe, mas se eu fizesse meu saque, ele poderia ficar mais pressionado. É isso que me machuca tanto. Eu poderia fazer ele pensar um pouco mais e ter ganho a partida. Foi um momento que ele ficou mais solto e cresceu no jogo."
Depois do empate, Fonseca entrou em colapso no terceiro set e viu o adversário abrir 4/1. A reação existiu: o brasileiro salvou um match-point, buscou o 5/5 e forçou o tiebreak. Mas no desempate foi dominado sem discussão, por 7 a 1. Segundo Masters 1000 seguido sem uma vitória, depois da queda também na estreia em Madri.
Hamburgo e Roland Garros no horizonte
O próximo compromisso do número 29 do mundo é o ATP 500 de Hamburgo, entre 16 e 23 de maio, no saibro alemão. Será a primeira participação de Fonseca no torneio, e a competição chega em momento delicado: com pelo menos oito dias só de treinos após Roma, o carioca chega ao evento sem ritmo de jogo acumulado.
A chave é forte. Alexander Zverev, que joga em casa e venceu o torneio em 2023, lidera os inscritos como o principal cabeça de chave previsto. Félix Auger-Aliassime, Ben Shelton e Lorenzo Musetti completam o grupo de quatro top 10 confirmados. O italiano Flavio Cobolli, campeão da edição de 2025, também está na chave, que distribui 2.219.670 euros e reúne 32 jogadores. Hamburgo será a última preparação de Fonseca antes de Roland Garros, cujo chaveamento principal começa em 25 de maio.
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