Alcaraz vira sobre Djokovic, conquista o Australian Open e se torna o mais jovem a fechar o Grand Slam
- Raphael Favilla

- há 2 dias
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Carlos Alcaraz escreveu neste domingo um dos capítulos mais importantes da história do tênis ao conquistar, pela primeira vez, o título do Australian Open e fechar o Grand Slam de carreira aos 22 anos e 272 dias, tornando-se o mais jovem tenista da história a vencer os quatro principais torneios do circuito. Na final masculina, o espanhol superou o sérvio Novak Djokovic de virada, com parciais de 2/6, 6/2, 6/3 e 7/5, após 3h02 de disputa, em uma decisão que reuniu passado, presente e futuro do esporte na Rod Laver Arena.

Com a vitória, Alcaraz se torna apenas o nono homem da história a completar o Grand Slam de carreira e quebra um recorde que durava 87 anos, pertencente a Don Budge, que havia alcançado o feito aos 22 anos e 363 dias, em Roland Garros de 1938. O título também representa o sétimo Grand Slam da carreira do espanhol, que passa a dividir a nona colocação entre os maiores campeões da história com John McEnroe e Mats Wilander.
A conquista ganha contornos ainda mais simbólicos por ter sido obtida justamente contra Novak Djokovic, maior vencedor de Grand Slam da história masculina, em sua casa mais emblemática. Decacampeão em Melbourne, o sérvio disputava sua 11ª final no Australian Open e jamais havia perdido uma decisão no torneio. O revés impede Djokovic de alcançar o 25º título de Slam, que o isolaria como recordista absoluto, superando a australiana Margaret Court.
Um título que consolida uma era
Ao levantar o troféu em Melbourne, Alcaraz não apenas fecha o Grand Slam como mantém o duopólio recente do tênis masculino ao lado de Jannik Sinner. Desde o Australian Open de 2024, apenas os dois conquistaram títulos de Slam, chegando agora a nove troféus consecutivos – cinco do espanhol e quatro do italiano. A sequência iguala a segunda maior da história, registrada por Rafael Nadal e Novak Djokovic entre Roland Garros de 2010 e Roland Garros de 2012, e deixa a dupla a apenas dois títulos de alcançar o recorde absoluto de 11 Slam seguidos, pertencente a Roger Federer e Nadal entre 2005 e 2007.
O título também rende a Alcaraz sua 25ª taça na carreira e uma premiação de 4.150.000 dólares australianos, cerca de US$ 2,8 milhões. Já Djokovic, vice-campeão, recebe 2.150.000 dólares australianos, aproximadamente US$ 1,5 milhão. O espanhol se torna ainda apenas o segundo jogador de seu país a vencer o Australian Open, repetindo um feito que até então pertencia exclusivamente a Rafael Nadal.
Djokovic impõe autoridade no início
A decisão começou com amplo domínio do sérvio. Djokovic apresentou um nível altíssimo no primeiro set, extremamente sólido do fundo de quadra e quase impecável nas escolhas. Foram apenas quatro erros não forçados, contra nove de Alcaraz, além de uma pressão constante sobre os games de saque do espanhol, que teve apenas 50% de aproveitamento no serviço na parcial inicial.
A primeira quebra veio no quarto game, e o controle se manteve absoluto. Sacando com enorme eficiência — 89% de aproveitamento nos pontos disputados com o saque — Djokovic concedeu apenas dois pontos ao espanhol em seus games de serviço e ainda conseguiu uma segunda quebra, fechando o set por 6/2 em 33 minutos, com autoridade de quem conhece cada centímetro da Rod Laver Arena.
A virada começa no detalhe
O segundo set marcou o ponto de inflexão da final. Djokovic já não sustentou o mesmo ritmo, enquanto Alcaraz passou a assumir o protagonismo, variando direções, acelerando a bola e encurtando pontos. A queda no rendimento do saque do sérvio abriu espaço para o espanhol, que aproveitou com maturidade.
A quebra no terceiro game e a salvação de um break-point no quarto deram confiança a Alcaraz, que passou a dominar também seus games de serviço, vencendo 81% dos pontos sacados na parcial. Mais agressivo e consistente, ele voltou a quebrar no sétimo game e devolveu o 6/2, empatando a final e recolocando o confronto em outro patamar.
Controle físico e mental no terceiro set
Com o jogo equilibrado, o terceiro set escancarou a evolução do espanhol e o desgaste progressivo do sérvio. Djokovic passou a sentir mais as trocas longas e começou a errar em momentos-chave. Alcaraz, por sua vez, abriu a quadra, trabalhou melhor os pontos e encontrou a quebra decisiva no quinto game.
O nono game sintetizou o momento da partida: Djokovic partiu para o risco, cometeu uma dupla falta e encarou 0-40. Salvou três set-points, mas não resistiu à pressão constante do espanhol, que fechou a parcial no quinto set-point, confirmando a virada no placar e assumindo o controle emocional da final.
Último esforço e frieza na decisão
O quarto set começou com Djokovic tentando reagir. No primeiro game de saque, enfrentou seis break-points, salvando todos com muita luta e experiência. O sérvio elevou o nível na reta final, confirmando serviços com autoridade e chegando a ter um break-point no nono game, que poderia recolocar a partida em igualdade.
Alcaraz, no entanto, manteve a calma, confirmou o saque sob pressão e devolveu a responsabilidade ao adversário. No 12º game, o espanhol voltou a ser agressivo, construiu dois match-points e fechou a partida na segunda oportunidade, selando o maior título de sua carreira e um feito histórico para o esporte.
Discursos, legado e passagem de bastão simbólica
A final teve ainda um componente simbólico marcante: a presença de Rafael Nadal na arquibancada. Convidado de honra do Australian Open, o espanhol foi citado nos discursos de ambos os finalistas. Djokovic destacou ser “estranho ver Rafa ali e não em quadra” e brincou com a desvantagem emocional de enfrentar dois espanhóis ao mesmo tempo. Já Alcaraz classificou como uma honra ser observado por quem o viu ainda adolescente.

Mesmo derrotado, Djokovic mostrou bom humor e lucidez. Parabenizou Alcaraz, agradeceu à equipe e à torcida e encerrou seu discurso com tom reflexivo sobre o futuro: “Deus sabe o que pode acontecer nos próximos seis ou doze meses, mas foi uma grande jornada”.
Alcaraz, por sua vez, fez questão de reverenciar o rival. “O que você já fez inspirou a todos, não apenas os tenistas, mas pessoas em todo o mundo”, afirmou, destacando a honra de dividir a quadra e o vestiário com o sérvio. Também exaltou sua equipe, que esteve sob os holofotes após a saída de Juan Carlos Ferrero no início da temporada, e celebrou o trabalho realizado longe do ruído externo.
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