Antes de enfrentar Fonseca, australiano relembra os tempos em que quase largou o tênis
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Antes de encarar João Fonseca nesta terça-feira, pela terceira rodada do Masters 1000 de Cincinnati, o australiano Christopher O'Connell relembrou a fase mais insólita da carreira. Sofrendo com o físico, ele chegou a abandonar o circuito em 2018 e foi limpar barcos numa baía de Sydney.
O duelo é inédito entre os dois. O australiano, hoje 129º do mundo, avançou depois que Casper Ruud abandonou a partida contra ele por dores nas costas, com o placar em 7/5 e 2/1. Do outro lado da rede, Fonseca chega embalado e também falou, em entrevistas recentes, sobre os bastidores da própria trajetória: da irmandade com a nova geração ao título juvenil que carrega até hoje.
"Nunca deveria ter mencionado": O'Connell e os barcos de Sydney
O período limpando barcos é conhecido nos vestiários, mas O'Connell prefere deixá-lo no passado. "Já falei muito sobre essa história. Provavelmente nunca deveria tê-la mencionado", disse o australiano, rindo, em entrevista concedida tempos atrás.

Na mesma entrevista, o australiano descreveu o contraste entre aquele período e o momento atual da carreira.
"Eu me lembro de momentos assim, quando trabalhava lá na minha cidade natal, e ver onde estou agora. Consigo acreditar, mas ao mesmo tempo não consigo acreditar de verdade. Espero ficar aqui por muito mais tempo", acrescentou.
O afastamento não foi um capricho. Em 2018, uma tendinite no joelho tirou O'Connell das quadras por mais de seis meses, período em que ele disputou apenas 24 partidas somando Futures, Challengers e ATP, terminando o ano na 1185ª posição do ranking. "Eu sentia que tinha muito mais a dar no tênis", disse à ATP Tour, em reportagem publicada em 2020, ao explicar que a intenção sempre foi voltar a competir assim que a lesão cicatrizasse.
Em 2018, O'Connell considerou até dar aulas e clínicas de tênis, mas nem isso queria: preferiu ir morar com o irmão, Ben, que o convidou para trabalhar na Marina.
"Eu pensava: 'Que ótimo, não preciso ensinar ninguém a bater uma direita e posso simplesmente limpar barcos e relaxar.' Era o que eu fazia de manhã e à tarde, e depois ia de bicicleta até a baía. Fiz isso de fevereiro a junho", contou.
A decisão veio com um preço, financeiro e social. "O dinheiro era péssimo e todos achavam que eu era louco, porque eu poderia ganhar mais dinheiro como treinador. Mas eu simplesmente não queria pisar numa quadra de tênis", completou o australiano.
Do fundo do ranking ao top-100
A escalada de volta não foi imediata. O'Connell só voltou a competir em julho de 2018 e, em 2019, encadenou os dois primeiros títulos Challenger da carreira, terminando a temporada como número 119 do mundo. No US Open de 2020, sem torcida nas arquibancadas por causa da pandemia, venceu sua primeira partida de nível Grand Slam ao bater o já sérvio experiente Laslo Djere, resultado que o credenciou a enfrentar Daniil Medvedev na rodada seguinte.
O ponto mais alto da carreira, até aqui, veio no Aberto da Austrália de 2024: aos 29 anos, chegou à terceira rodada do torneio de seu país, driblando lesões que já haviam incluído fratura por estresse nas costas e até um caso de pneumonia. Sobre o momento tardio de ascensão, disse à ABC News: "sinto que ainda sou jovem, mesmo com 29 anos" , referindo-se à temporada em que completaria 30.
Hoje O'Connell é treinado pelo próprio pai, depois de anos sob o comando do técnico Marinko Matosevic, e soma no currículo o feito de ter batido o então número 13 do mundo, Diego Schwartzman, e o alemão Alexander Zverev, então 16º colocado, ambos como resultados de maior repercussão da carreira antes deste Masters 1000 de Cincinnati.
O australiano, hoje 129º do mundo, já foi 53º em setembro de 2023 e chega a este confronto com três vitórias sobre brasileiros (a mais recente em 2023, sobre Thiago Wild, na Basileia) contra quatro derrotas, diante de João Menezes, Wilson Leite, Karue Sell e João Pedro Sorgi. Contra o top 50, o retrospecto é negativo: 22 vitórias e 52 derrotas.
Fonseca e a irmandade da nova geração
Do outro lado, Fonseca falou sobre a relação com os colegas de geração, entre eles Rafael Jodar, Learner Tien, Jakub Mensik e Martin Landaluce.

"É bom ver que a nova geração está jogando um bom tênis. Todos eles são caras legais. Caras humildes e que trabalham duro", disse.
"Joguei contra Learner no juvenil. Joguei contra Landaluce no juvenil. Joguei contra Mensik no meu primeiro ano no juvenil. Conheço Jodar das Finais da Next Gen. São caras que conheço há muito tempo e sei que eles podem alcançar grandes coisas, e é bom para o tênis que nos incentivamos uns aos outros", acrescentou.
Fonseca também relembrou a conquista juvenil do US Open de 2023. Ele será cabeça de chave no Grand Slam americano pela primeira vez este ano.
"É sempre bom relembrar. Acho que minha carreira júnior foi muito especial para mim e muito importante para o meu desenvolvimento, como jogador e como pessoa", disse.
"Aquele US Open foi muito bom, joguei um bom tênis e, quando voltar lá, tentarei imaginar ganhando (o título)", completou Fonseca, que celebra seu 20º aniversário em 21 de agosto, três dias depois do duelo com O'Connell.
O carioca também falou sobre o gosto por grandes estádios, tema que ganha relevância diante de um adversário que já passou por fases bem mais discretas do circuito:
"Gosto da atmosfera. Sempre fui um cara que gosta da torcida. Quando um cara grande joga contra mim, os brasileiros vêm e torcem muito. É sempre muito divertido e eu gosto de desafios."
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