As vozes do Rio: confiança, respeito e aprendizado nas falas brasileiras
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Se o Rio Open é decidido em winners e quebras de saque, ele também se explica nas palavras. Entre análises técnicas, autocrítica e generosidade rara em rivalidades nacionais, os brasileiros deixaram declarações que ajudam a entender o que está em jogo além do placar.
Da confiança de João Fonseca à lucidez de Thiago Monteiro, passando pela frustração madura de Guto Miguel, o torneio foi também um exercício de transparência.
Fonseca: mentalidade confiante

Depois de um primeiro set tenso contra Thiago Monteiro, decidido no tiebreak, João Fonseca explicou onde a partida virou:
“Consegui fazer mais pontos com ele sacando, fui mais agressivo com a evolução, não dei muito ritmo e tempo de bola para ele, aí pude ser mais agressivo.”
A leitura é precisa. O carioca elevou o nível na devolução, tirou tempo do adversário e passou a comandar os pontos. A agressividade na primeira bola após o saque adversário foi a chave para abrir o segundo set com quebra e controlar o jogo.
Fonseca também destacou o quanto a vitória nas duplas ao lado de Marcelo Melo ajudou na adaptação à quadra central:
“A dupla com certeza me ajudou bastante a ter mais ritmo, sentir o ambiente da quadra central. Ver como tinha que sacar e o que fazer na primeira bola. Ajuda estar no ambiente, foi com certeza algo que consegui trazer para o jogo de hoje.”
Sobre a estreia em simples na temporada, ele resumiu o estado mental:
“Entrei em quadra com uma mentalidade boa, confiança boa e a torcida me ajudou muito. Estou me sentindo bem, foi uma vitória difícil, um jogo difícil depois de um começo tenso para os dois lados. No tiebreak eu consegui elevar o nível, fui confiante e agressivo.”
E, jogando em casa, deixou escapar o quanto o Rio pesa positivamente:
“Aqui tenho uma história muito legal, amigos, família e todos torcendo. Conseguir uma vitória aqui depois de dois anos é especial. Vamos ver se dessa vez a gente consegue passar das quartas.”
Para a segunda rodada, o respeito ao amigo Ignacio Buse veio acompanhado de alerta competitivo:
“Buse é um grande amigo, estamos juntos desde o Cosat. Ele é um menino trabalhador, sabemos o nível que consegue jogar. Ele será zebra na partida e não vai ter pressão alguma, mas estou confiante.”
Monteiro: generosidade na derrota

Do outro lado da rede, Thiago Monteiro mostrou lucidez ao analisar o confronto. Sem desculpas, reconheceu o mérito do adversário:
“O primeiro set foi bastante equilibrado, os dois estavam muito bem nos games de saque. No tiebreak o João subiu o nível, fez uns cinco winners e depois conseguiu se impor mais.”
Monteiro detalhou o ponto de inflexão:
“Ele começou a jogar mais solto e agressivo, tive dificuldade principalmente quando tinha que jogar com o segundo serviço.”
E reforçou:
“Ele foi aumentando o nível, total mérito dele. Fiz um primeiro set bom, bem equilibrado, mas ele me quebrou no começo do segundo e as coisas foram para o outro lado. Ele é um jogador com muita potência, todos os fundamentos estão em alto nível e pode desenvolver ainda mais, tem um grande potencial.”
Mesmo eliminado, garantiu apoio:
“Já estava na torcida para ele antes, mas o sorteio nos colocou frente a frente e tentei o meu melhor hoje. Agora que acabou, que ele conseguiu a vitória, minha torcida é ainda mais para ele.”
Sobre sua própria semana, a mensagem foi de reconstrução:
“Essa semana solidificou minha confiança, agora é seguir trabalhando firme e competindo semana a semana.”
Guto: frustração e maturidade

A fala mais emocional veio de Guto Miguel. Aos 16 anos, após levar Vilius Gaubas ao terceiro set, o goiano não escondeu o sentimento imediato:
“Com certeza estou muito triste agora, porque senti que poderia ter feito melhor, mas ao mesmo tempo estou muito animado para trabalhar ainda mais, porque sei que estou no caminho certo.”
Mesmo abatido, mostrou gratidão:
“Foi uma partida muito boa para mim, mais uma experiência incrível na minha carreira. Gostaria de agradecer a todos os envolvidos, especialmente ao Lui Carvalho, pela oportunidade de jogar neste estádio incrível, neste torneio incrível. Acho que a atmosfera lá estava muito boa.”
A análise técnica foi direta:
“A energia acabou se esgotando no início do terceiro set, e agora só preciso ir para casa, trabalhar, porque ainda há muito pela frente este ano. São os pequenos ajustes que fazem uma grande diferença.”
Sobre a quebra sofrida cedo no primeiro set, veio a lição:
“Isso mostra que no tênis profissional não há espaço para brechas.”
E sobre a reação na segunda parcial:
“Aumentei minha energia, aproveitei bastante o apoio da torcida, mudei um pouco minha tática e fiquei um pouco mais agressivo.”
Mesmo com o terceiro set escapando, manteve a perspectiva:
“Faz parte do jogo, não é para ficar remoendo e sim aprender com os erros.”
E deixou um recado que mistura frustração e ambição:
“Ainda tem muita coisa boa por vir. Vai ser difícil dormir hoje, mas vamos para cima, cabeça erguida.”
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