Debute de impacto
- há 19 horas
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Já passava da meia-noite quando Guto Miguel deixou a Quadra Guga Kuerten sob aplausos calorosos. Na sua estreia em chave principal de ATP, o goiano de 16 anos mostrou personalidade, levou o lituano Vilius Gaubas, 126º do mundo, ao terceiro set, mas acabou superado por 6/3, 2/6 e 6/2, em 2h11 de partida.
O resultado encerra a participação brasileira na terça-feira e deixa João Fonseca como o único representante do país nas oitavas de final do Rio Open. Ainda assim, a atuação de Guto reforça o que o circuito juvenil já sabe: há maturidade competitiva além da idade.

Prestes a completar 17 anos na próxima semana, Guto se tornou o terceiro jogador mais jovem a disputar o ATP 500 carioca, atrás apenas de João Fonseca (16 anos e 6 meses, em 2023) e Carlos Alcaraz (16 anos e 9 meses, em 2020). Se tivesse vencido, seria o mais jovem a ganhar uma partida de ATP desde Alcaraz naquele mesmo Rio Open de 2020.
Hoje 1593º no ranking de simples da ATP, Guto ainda constrói sua trajetória entre os profissionais. Nas duplas, porém, já aparece como 337º do mundo. Em 2025, conquistou o challenger da Costa do Sauípe ao lado de Eduardo Ribeiro e soma três títulos profissionais na especialidade (um challenger e dois ITFs).
No juvenil, os números impressionam ainda mais: atual número 3 do mundo, campeão do J300 de Traralgon em janeiro e quartas de finalista do Australian Open juvenil. O convite para o Rio foi menos aposta e mais investimento no presente.
Um segundo set de afirmação
A diferença de experiência ficou evidente no primeiro set. Gaubas, 21 anos, sete títulos profissionais (três challengers e quatro ITFs, todos no saibro), administrou melhor os momentos decisivos e aproveitou a quebra que construiu vantagem inicial para fechar por 6/3.
Mas Guto reagiu com coragem. No segundo set, passou a arriscar mais na devolução, acelerou o forehand e jogou mais próximo da linha de base. A quebra veio cedo, e o brasileiro abriu vantagem com autoridade. Mais agressivo e confiante, dominou a parcial por 6/2, empurrado pelo público que resistia no estádio já tarde da noite.
O terceiro set foi de aprendizado duro. Gaubas elevou o nível físico, variou mais as alturas e explorou o lado esquerdo do brasileiro. Conseguiu a quebra logo no início e não permitiu reação. A experiência falou mais alto para fechar em 6/2.
Para Gaubas, a vitória representa apenas a terceira em chaves principais de ATP na carreira. Em 2025, ele já havia furado o quali do Masters 1000 de Roma e alcançado duas rodadas. Agora, encara um teste ainda mais exigente: o argentino Tomas Etcheverry, 51º do ranking e cabeça 8, que virou sobre Francisco Comesana por 3/6, 6/3 e 6/4.
Para Guto, fica o primeiro contato real com a intensidade do circuito principal — ritmo de bola, consistência física e pressão tática que não aparecem no juvenil.
De virada, Meligeni e Zormann vencem dupla top 70
Felipe Meligeni e Marcelo Zormann avançaram no Jockey Club Brasileiro. Convidados da organização, os paulistas superaram a estreia ao bater Sander Gille, da Bélgica, e Sem Verbeek, da Holanda, de virada, com parciais de 4/6, 7/6 (7-4) e 11-9, em 1h46 de confronto.
Meligeni, semifinalista em 2020, iguala a campanha do ano anterior, quando venceu uma partida e chegou às quartas de final com o gaúcho Orlando Luz. Zormann, por sua vez, soma a primeira vitória em um torneio de nível 500.
Os dois jogadores agora aguardam os próximo adversários. Há a possibilidade de um duelo 100% brasileiro nas semifinais, caso Orlando Luz e Rafael Matos derrotem Guido Andreozzi e Manuel Guinard, cabeças 3, reeditando a semifinal de Buenos Aires.
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