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Bandeiras russas de volta?

  • há 16 horas
  • 5 min de leitura

Atualizado: há 15 horas

O Conselho Executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) recomendou nesta terça-feira, de forma provisória, o fim da suspensão do Comitê Olímpico Russo (COR), em vigor desde 12 de outubro de 2023.



A decisão devolve à Rússia a perspectiva de disputar os Jogos de Los Angeles 2028 e chega pouco mais de dois meses depois de o mesmo Conselho Executivo ter recomendado o fim das restrições aos atletas de Belarus. Para o tênis, porém, a régua tende a ser outra: a Federação Internacional de Tênis (ITF) já avisou, na última vez em que o COI mexeu nessas regras, que não pretende seguir o mesmo caminho.


Em Moscou, a recepção foi imediata. "O retorno do nosso país à família olímpica é um sinal verde para que as federações internacionais reintegrem todos os nossos atletas", disse Mikhail Degtyarev, ministro do Esporte da Rússia, à Reuters. Em suas redes sociais, o ministro seguiu na mesma linha: "O COI está enviando um sinal claro: o movimento olímpico deve permanecer livre de política".


A recomendação foi tomada após uma análise minuciosa da Comissão de Assuntos Jurídicos do COI, que constatou que o COR não inclui mais como membros nenhuma organização esportiva regional em territórios sob jurisdição do Comitê Olímpico Nacional da Ucrânia. Segundo o comunicado divulgado em Lausanne, na Suíça, sede do órgão presidido por Kirsty Coventry, o Comitê Olímpico Russo garantiu que não realiza, nem realizará, quaisquer atividades nesses territórios.



"O COI continuará monitorando de perto a situação relativa a quaisquer atividades do COR nesses territórios e reserva-se o direito de tomar quaisquer outras medidas que julgar necessárias", disse a entidade, em comunicado.


O que muda (e o que não muda) no tênis

A resposta rápida é: por enquanto, nada muda nas quadras. Desde março de 2022, um mês após a invasão da Ucrânia pela Rússia, tenistas russos e bielorrussos competem como neutros, sem bandeira, hino ou sigla de seus países. E a ITF já deixou claro que decisões do COI não a obrigam a nada.


Em maio, dias depois de o COI liberar a participação dos bielorrussos sob bandeira nacional, a entidade que comanda o tênis mundial confirmou, em comunicado publicado em seu site, que mantinha a posição anterior. "A Federação Internacional de Tênis confirma que o anúncio do COI não altera sua posição atual em relação às suspensões das federações de tênis da Bielorrússia e da Rússia, que permanecem em vigor. O status de associação da Federação de Tênis da Bielorrússia será revisado na Assembleia Geral Anual da ITF em outubro pelos países-membros votantes da ITF, de acordo com seu processo constitucional", afirmou a ITF, em tradução livre.


Na prática, Rússia e Belarus seguem fora da Copa Davis e da Billie Jean King Cup, as competições por equipes organizadas pela ITF. Até a publicação desta reportagem, a entidade não havia se manifestado especificamente sobre a recomendação desta terça-feira envolvendo o COR, mas o histórico recente sugere que a resistência deve se manter.


O precedente bielorrusso e Sabalenka

O caso russo é o segundo capítulo de uma novela que começou em maio. Naquela ocasião, em Londres, o Conselho Executivo do COI passou a recomendar que as restrições à participação de atletas bielorrussos fossem revogadas nas competições regidas por Federações Internacionais, como a própria ITF, e por organizadores de eventos esportivos internacionais. "O CE do COI revogou hoje as condições de participação recomendadas para Federações Internacionais e organizadores de eventos esportivos internacionais, de 28 de fevereiro de 2022 e 28 de março de 2023, no que diz respeito a Belarus e aos atletas bielorrussos", informou o Comitê Olímpico na ocasião.


Com a decisão, tenistas como a número 1 do mundo Aryna Sabalenka passaram a poder voltar a competir sob a bandeira de Belarus, inclusive em disputas entre nações e nos Jogos Olímpicos. Sabalenka é hoje a principal referência bielorrussa no circuito, com 12 representantes no top 1000 da WTA e cinco no top 1000 da ATP. Outro nome de peso do país é Victoria Azarenka, ex-número 1 do mundo e bicampeã de Grand Slam, hoje afastada e na 215ª posição do ranking.


A situação da Rússia sempre foi tratada à parte pelo COI. Diferentemente de Belarus, o país seguiu suspenso enquanto a Comissão de Assuntos Jurídicos analisava o caso, e mesmo agora, com a recomendação provisória, atletas russos devem continuar competindo apenas individualmente, sob bandeira neutra, sem o mesmo tratamento dado aos bielorrussos. Em maio, o COI já havia sinalizado outra frente de preocupação: "O Conselho Executivo do COI também observou com preocupação as informações recentes que levaram a Agência Mundial Antidopagem (WADA) a investigar o sistema antidoping russo. O Conselho Executivo do COI gostaria, portanto, de obter uma melhor compreensão dessa situação", declarou a entidade.


"Não apoio essas negociações": a reação de Svitolina

A recomendação de maio sobre Belarus já havia provocado reação forte no vestiário ucraniano. Em Roma, três dias depois de a ITF confirmar que manteria as suspensões de Rússia e Belarus independentemente da posição do COI, Elina Svitolina venceu a norte-americana Hailey Baptiste, avançou às oitavas de final do WTA 1000 e criticou a flexibilização em entrevista coletiva.


"A guerra ainda continua. Mísseis ainda caem sobre a Ucrânia, e esses dois países ainda são considerados agressores. Para nós, é muito triste e doloroso sequer ouvir falar em suspender as restrições. É um assunto muito delicado. Tenho muito a dizer, mas agora não é o melhor momento. Certamente não apoio essas negociações", disse a ucraniana.


Antidoping e os próximos passos

No campo olímpico, o retorno pleno da Rússia ainda depende de etapas. Levantamento do site Máquina do Esporte mostra que os atletas russos terão de integrar programas nacionais supervisionados pela Agência Internacional de Testes (ITA), passando por múltiplos exames antidoping antes da reintegração. Caso a Agência Antidoping Russa (Rusada) continue em não conformidade com as regras da Agência Mundial Antidopagem até 2028, o COI instruirá a ITA a realizar testes independentes em todos os atletas classificados.


A definição sobre o uso da bandeira, das cores e do hino russos nos Jogos de Los Angeles ficará para "o momento apropriado", segundo o COI, que também informou não pretender organizar eventos na Rússia nem convidar autoridades do país para suas atividades. Decisões sobre sediar competições em solo russo ou permitir símbolos nacionais em provas específicas continuam a cargo de cada Federação Internacional, o mesmo modelo que hoje mantém o tênis à parte da flexibilização.


Nem toda federação está disposta a seguir o COI. Segundo o Máquina do Esporte, a World Athletics rejeitou, em suas provas, a liberação da bandeira bielorrussa e ainda não se pronunciou sobre a Rússia. É a mesma lógica que, no tênis, mantém Rússia e Belarus fora das competições por equipes pelo menos até a Assembleia Geral da ITF, em outubro, quando o status da federação bielorrussa volta à mesa.


Até lá, tenistas russos e bielorrussos seguem competindo como neutros nas quadras, enquanto o noticiário olímpico caminha, aos poucos, rumo a Los Angeles 2028.

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