"São partidas como essa que me fazem continuar jogando tênis": Djokovic vence maratona e mira duelo com Sinner
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Novak Djokovic resumiu em uma frase o que viveu nas quartas de final de Wimbledon: "São partidas como essa que me fazem continuar jogando tênis. Só queria que fosse uma final, para não precisar me preocupar com a forma como meu corpo vai acordar amanhã. Mas estou muito feliz por ter vencido". O sérvio de 39 anos superou o canadense Félix Auger-Aliassime, número 4 do mundo, por 7/6 (12-10), 3/6, 6/3, 6/7 (4-7) e 7/6 (10-4), em 5h15 — a partida mais longa de sua carreira em Wimbledon. Com a vitória, garantiu vaga na semifinal e marcou um reencontro aguardado: sexta-feira ele enfrenta Jannik Sinner, número 1 do mundo e atual campeão do torneio, repetindo o duelo da semifinal do ano passado.
Uma batalha de cinco sets e recordes
Em um primeiro set sem quebras, Djokovic teve dois set-points com 5/4, mas viu Aliassime seguir no jogo até o tiebreak, fechado pelo sérvio na quinta chance por 12-10. O canadense equilibrou no segundo set, aproveitando uma dupla falta do rival para fechar em 6/3. Após pausa para o fechamento do teto retrátil da Quadra Central, Djokovic dominou o terceiro set com uma quebra, mas Aliassime devolveu a gentileza no quarto, abrindo 2/0 e depois levando o set no tiebreak.

Tudo se decidiu no quinto set. Djokovic teve três chances de quebra logo no início e não converteu, mas se manteve sólido no saque até forçar o supertiebreak. Ali, com o público já em pé e o toque de recolher de Wimbledon se aproximando, o sérvio abriu vantagem em 4-2 e fechou o jogo com autoridade, seis minutos antes do limite das 23h.
O resultado trouxe uma série de marcas. Djokovic chega à sua 15ª semifinal de Wimbledon e à oitava consecutiva, recorde do torneio que supera as sete seguidas de Roger Federer (2003–2009). Na semana, o sérvio também ultrapassou o suíço em vitórias na grama do All England Club: 107 a 105. Foi ainda a 54ª partida de cinco sets da carreira de Djokovic (50 delas em Grand Slam), novo recorde, com 42 vitórias. No histórico direto, Djokovic vencia por 2 a 1 contra Aliassime, com os dois primeiros confrontos em 2022.
Djokovic elogiou o nível do adversário: "Foi emocionante fazer parte de uma partida tão épica, disputada por mais de cinco horas. Sinceramente, foi um dos melhores jogos de que já participei aqui. Não me lembro de ter jogado uma partida tão longa. Talvez a final contra o Federer em 2019 tenha sido parecida pela duração". E completou:
"Foi um jogo extremamente equilibrado, que poderia ter terminado para qualquer lado. O Félix jogou em um nível altíssimo, mas baixou um pouco o rendimento no super tiebreak. Aproveitei as oportunidades que apareceram e isso acabou sendo suficiente".
Sobre seguir vencendo rivais bem mais jovens, o sérvio refletiu: "Ainda conseguir enfrentar jogadores 15 anos mais jovens e vencê-los em partidas decididas nos mínimos detalhes é, de certa forma, uma boa surpresa. Ao mesmo tempo, sempre tenho as maiores expectativas sobre mim. Sou muito autocrítico, mas também tento aproveitar momentos como este".
O duelo antecipado com Sinner
Com dois dias de descanso pela frente, Djokovic volta a encarar Sinner em busca de repetir — e desta vez reverter — a semifinal do ano passado, quando foi derrotado em três sets. Será o quarto confronto entre os dois em Wimbledon, com vitórias do sérvio em 2022 e 2023. No retrospecto geral de semifinais de Grand Slam, os números são apertados: 3 a 2 para o italiano. Mas o capítulo mais recente ficou com Djokovic, que venceu o duelo direto na semifinal do Australian Open, em janeiro, após ficar atrás do placar duas vezes e fechar a virada no quinto set. No histórico geral de confrontos, Sinner lidera por 6 a 5.
O próprio Djokovic pesou as diferenças para o novo encontro: "Na Austrália eu estava mais descansado, era o primeiro grande torneio da temporada. Agora a situação é diferente, até pela superfície". Ainda assim, o sérvio, que busca seu 25º título de Grand Slam e o oitavo em Wimbledon, mantém o discurso de sempre: "É mais uma campanha histórica em Grand Slam. É isso que mais importa para mim. Continuo tentando provar para mim mesmo e para os outros que ainda sou capaz de competir com os melhores do mundo e vencê-los nos maiores palcos. Foi o que fiz na Austrália e é o que estou fazendo aqui".
Sinner, por sua vez, teve uma tarefa mais tranquila nas quartas, embora tenha sofrido no início: confirmou o favoritismo diante do veterano alemão Jan-Lennard Struff, que sacou apenas 50% de primeiro serviço, mas ainda assim teve um match point na segunda parcial antes do tiebreak. O italiano afirmou que acompanharia a maratona entre Djokovic e Aliassime até o fim.
Nos bastidores, uma comparação com Messi
Depois da vitória sobre Aliassime, Djokovic foi comparado por um jornalista a Lionel Messi — outro veterano de 39 anos em grande fase, liderando a Argentina rumo às quartas de final da Copa do Mundo. A resposta do sérvio, bem-humorada: "Quem me dera poder jogar 90 minutos como ele". Os dois já se encontraram algumas vezes fora das quadras.

"Ele é um fenômeno (...) Passamos 15 minutos conversando sobre a família, a vida, tudo. Adoraria reencontrá-lo para conversar sobre esporte, porque a mentalidade dele é a de um grande campeão. Tenho muito respeito por ele", disse Djokovic em ocasião anterior.
A ligação entre os dois esportes tem sido recíproca: dias atrás, ao bater o recorde de gols em Copas do Mundo, Messi creditou parte de sua inspiração a outro rival histórico de Djokovic, Rafael Nadal. "Estamos assistindo agora à série do Rafa Nadal e me identifico muito com ele. Acho que somos muito parecidos nesse sentido de sempre querer dar o máximo", afirmou o argentino, após marcar três gols na vitória sobre a Argélia.
A semifinal entre Djokovic e Sinner está marcada para sexta-feira.
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