Bia Haddad vira batalha e avança na Catalunha. A entrevista que ela deu dias antes explica tudo
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Beatriz Haddad Maia estava sendo derrotada por Ashlyn Krueger. Perdeu o primeiro set em um tiebreak muito disputado. Na sequência, abriu boa vantagem, mas acabou perdendo o ritmo e sofreu o empate na segunda parcial. Ela ainda se safou de um 15-40, quando sacava em 4/4. Se conseguisse a quebra ali, a americana sacaria para fechar a partida. O tipo de situação que, em 2026, se repetiu e terminou mal para a brasileira em outras onze vezes.

Mas não dessa vez. Bia virou e fechou o duelo em 6/7(8), 6/4 e 6/3, após batalha de 2h48, e está nas quartas de final do WTA 125 de La Bisbal, no saibro catalão. É sua quarta vitória em quinze jogos na temporada, e as duas primeiras consecutivas desde setembro de 2025, quando fez quartas no SP Open.
Dias antes, após cair no Mutua Madrid Open, ela tinha dado uma entrevista longa ao portal espanhol Punto de Break. Lida agora, parece um roteiro.
"O tênis não é uma corrida de 100 metros, mas sim uma maratona. Tem que trabalhar até que venha a recompensa." Ela disse isso falando de João Fonseca. Mas valia para ela também.
O que ela disse ao Punto de Break
A entrevista, assinada por Fernando Murciego, foi feita logo após a eliminação por duplo 6/1 para Jessica Bouzas Maneiro na estreia em Madri, então sua décima derrota em onze jogos de chaves principais no ano. O que surpreendeu não foi o conteúdo, mas o tom. Bia não parecia em colapso. Parecia alguém que havia encontrado um ângulo para olhar para tudo isso.
Sobre o estado mental que atravessava: "Agora estou em um momento de autoconhecimento, preciso me conhecer mais profundamente. Sou muito intensa no dia a dia, minha energia está sempre acima de 100%, e às vezes preciso reduzir um pouco para não cair na ansiedade."
Sobre duvidar do próprio nível: "Não, isso nunca. Quando você perde, fica triste, claro, e surgem pensamentos, mas sempre tentei ser positiva. Guardo tudo o que conquistei por mim e pelo meu país. Sinto muito orgulho do que fiz."
E o objetivo que ainda a move: "O tênis é durísimo, se fosse fácil todos seriam top 10. Ainda mantenho o maior sonho possível: ganhar um Grand Slam. Isso me move e me motiva."

O técnico
A parceria com Carlos Martínez Comet, que veio após seis anos ao lado de Rafael Paciaroni, tem pouco mais de três semanas. O espanhol carrega no currículo mais de sete temporadas com Kuznetsova, cinco com Kasatkina e passagens por Halep, Tauson e Boisson. Bia foi atrás dele antes de saber se estaria disponível, e esperou.
"O que mais me chama a atenção é a paixão que ele tem pelo tênis. Cheguei à sua academia às 8h da manhã e ele já estava em quadra. Deu 19h e ele ainda estava lá. Outro dia ficou treinando horas seguidas, sem comer nem beber, é capaz de esquecer até de beber água. Quando está em quadra, esquece o relógio."
A comparação com o técnico que mais a marcou veio naturalmente: "Treinei com Larri Passos, que tem um perfil muito parecido. O que quero é que me tirem da minha zona de conforto, que me façam fazer coisas que não estava fazendo, que me digam a verdade."
Fora da quadra
Bia está há mais de um mês sem abrir o Instagram. Desligou todas as redes sociais e mantém contato com o mundo pelo WhatsApp, exclusivamente com a família. "Chegou um momento em que só atendia ao exterior e não escutava tanto meu interior. Nesse momento de transição, decidi apostar por uma nova equipe e uma nova vida."
E, sobre o estado de espírito que a sustenta: "Estou feliz com tudo o que faço. Quem está ao meu lado sabe que eu dou 120% todos os dias, e isso me permite dormir tranquila."
Próximo jogo
Cabeça de chave 5 em La Bisbal, Bia enfrenta nas quartas de final a espanhola Marina Bassols Ribera (183ª). A entrevista ao Punto de Break, na íntegra e em espanhol, está disponível no site do portal.
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