Brasileiro brilha no Mundial 75+, e volta da Grécia com dois vices

João Soares deixa a ilha de Creta, na Grécia, com dois vice-campeonatos no Mundial Individual de Masters da ITF, categoria 75 anos. Na final de simples, o brasileiro abandonou diante do francês Bruno Renoult, cabeça de chave 1, quando perdia por 6/3 5/0. Na de duplas, ao lado de Galba Couto, nem chegou a entrar em quadra.
O placar da decisão não conta a semana. Cabeça 9 em simples, Soares atravessou a chave derrubando dois nomes mais bem cotados que ele: o britânico Niall Sweeney, cabeça 5, nas oitavas, e o espanhol Jairo Velasco Ramírez, cabeça 2, nas quartas. Foi assim que chegou a duas finais de Mundial na mesma semana, aos 75 anos, no saibro do Kalimera Kriti Hotel & Village Resort, em Sissi. Foi a primeira vez que a Grécia recebeu os Mundiais Masters da ITF.
A conta chegou na véspera das decisões. "Passei mal a noite com comida e cansaço", contou Soares, em mensagem enviada à Nittenis. Ainda assim, foi para a final de simples. "Joguei, mas nao terminei", resumiu. A decisão de duplas teve o mesmo destino: "Entregamos a dupla também".
O IC Brasil, clube do qual os dois são membros, confirmou em publicação nas redes sociais que Soares sentiu incômodos de saúde antes e durante as partidas, o que o obrigou a abandonar o confronto.
A campanha em simples
Soares estreou com bye e passou pelo dinamarquês Claus Pedersen por 6/2 7/5. Na terceira rodada, o alemão Wolfgang Metzner abandonou depois de perder o primeiro set por 6/1 e sair atrás por 1/0 no segundo. Nas oitavas, vitória por 6/3 6/3 sobre Sweeney.
As quartas trouxeram o adversário de currículo mais pesado da chave. Jairo Velasco Ramírez nasceu na Colômbia, vive em Barcelona e defende a Espanha no circuito sênior. Pela Colômbia, foi peça da vitória histórica sobre os Estados Unidos na Copa Davis de 1974 e soma 24 vitórias em simples na competição, recorde do país, segundo o jornal colombiano El Espectador. Soares despachou o cabeça 2 por 6/2 6/2.
Na semifinal, o francês Jean-Claude Bonhomme durou pouco mais: 6/3 6/2. Restava Renoult. E o corpo.
Sete games cedidos até a final de duplas

Se a chave de simples exigiu trabalho, a de duplas pareceu formalidade. Cabeças 7, Couto e Soares estrearam com 6/0 6/0 sobre o italiano Leonardo Brogi e o japonês Yoshihiko Shiomi. Depois, 6/0 6/1 contra o português Manuel Coelho da Silva e o australiano Geoff Voller.
Nas quartas, os britânicos Boyd R. Brackstone e Niall Sweeney, cabeças 3, fizeram dois games: 6/1 6/1. Na semifinal, os sul-africanos Danie Botha e Jean Hubert pararam em 6/3 6/1. Foram sete games perdidos em quatro partidas.
A final, contra o australiano Andrew Rae e o mesmo Bruno Renoult, cabeças 2, terminou em W.O. Com isso, o francês fechou a semana com os dois títulos que estavam no caminho do brasileiro.
Galba Couto também teve semana própria em simples. Sem ser cabeça de chave, bateu o canadense Tim Griffin, cabeça 15, por 6/3 7/5, e o norte-americano Philip Roholt por 6/2 6/0, antes de cair nas oitavas para o alemão Bernd Martin, cabeça 6, por 6/3 6/3.
Os dois brasileiros são membros do IC Brasil, o International Lawn Tennis Club of Brasil, ligado a Mário Martins, de Belém do Pará. Em nome da diretoria e dos membros, o clube parabenizou a dupla pelo resultado.
O plano traçado há um ano
O Mundial da Grécia não caiu no colo de Soares. Há exatamente um ano, ao se inscrever na Copa Yone Borba Dias, em Porto Alegre, na categoria 70 anos, ele já apontava o torneio de Creta como meta para 2026, segundo o Portal Tela. Na mesma reportagem, explicou o retorno às quadras depois de um período parado: "Tive duas cirurgias e decidi voltar a jogar tênis".
Nascido em Limeira, em 25 de abril de 1951, e radicado em Campinas, Soares foi o 74º do mundo em simples e o 49º em duplas. Na especialidade, chegou às quartas de final de Wimbledon em 1982 e conquistou três títulos no circuito. Ao longo da carreira, venceu nomes como Mats Wilander e Stefan Edberg.
Desde que deixou o circuito, em 1988, trabalha como treinador. Pela academia que mantém em Campinas, passaram juniores que depois ganharam espaço no tênis brasileiro, como Ricardo Mello, Flávio Saretta e Roberto Jabali.
Próximos passos
O calendário master no Brasil não dá folga: a Copa Yone Borba Dias, MT700 disputado em Porto Alegre, começa nesta segunda-feira e vai até 8 de novembro, segundo a ITF. Soares disputou a edição de 2025 nos 70 anos. Sua presença neste ano, já na nova faixa etária, ainda não foi confirmada.
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