Mais buscado do Google em 2025 e patrocínio milionário: Fonseca finaliza o ano com chave de ouro
- Raphael Favilla

- 4 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Aos 19 anos, carioca e rubro-negro, João Fonseca encerrou 2025 como muito mais que a principal promessa do tênis nacional: transformou-se em figura central do circuito, jogador de apelo popular raro no esporte e protagonista de uma ascensão que movimentou arquibancadas, buscas na internet e o mercado publicitário.

O símbolo dessa nova fase apareceu fora das quadras. Em plena pré-temporada, o número 1 do Brasil decidiu dar um tempo nos treinos para fazer o que qualquer torcedor faria: ir ao Maracanã ver o Flamengo conquistar o Campeonato Brasileiro. A visita ao estádio, registrada pela TV Globo e pelo Premiere, viralizou nas redes e mostrou o quanto Fonseca já ultrapassa os limites do tênis.
Em paralelo ao momento de torcedor, o carioca iniciou a pré-temporada no Rio de Janeiro e se prepara para voltar às competições em janeiro, começando pelo ATP 250 de Brisbane, seguido por Adelaide e pelo Australian Open, onde será cabeça de chave pela primeira vez. Antes disso, enfrenta Carlos Alcaraz em Miami, em uma exibição que, embora não valha pontos, tem peso comercial e enorme visibilidade no circuito.

Dentro de quadra, Fonseca viveu um 2025 histórico. Começou o ano como número 145 e terminou no top-30, depois de alcançar o 24º lugar no ranking ao vivo — a maior ascensão brasileira desde os tempos de Guga e Thomaz Bellucci. A temporada foi construída com 38 vitórias, quatro títulos (Camberra, Phoenix, Buenos Aires e Basileia), nove vitórias em Grand Slam e sete em Masters 1000. Foi ainda o primeiro brasileiro a conquistar um ATP 500 desde a criação da categoria e encerrou um jejum de 24 anos sem títulos acima de 250 pontos: João conquistou, na terra de Federer, o torneio da Basiléia.
Além de ser indicado a um dos prêmios da ATP por sua evolução ao longo do ano, João Fonseca é apontado também como um postulante ao top 10 na próxima temporada. Em reportagem do site em espanhol da ATP, o carioca aparece ao lado do tcheco Jakub Mensik, do cazaque Alexander Bublik e do espanhol Alejandro Davidovich Fokina como candidatos a aparecer entre os dez melhores do mundo.
“O brasileiro alcançou algo reservado a jogadores verdadeiramente excepcionais: gerar grande entusiasmo desde seus primeiros passos. Fonseca completou uma temporada de notável crescimento no circuito, conquistando seus primeiros títulos e adaptando-se ao ritmo do circuito entre os jogadores mais fortes e garantindo uma posição de destaque com apenas 19 anos”, diz a nota da ATP, que conclui: “Jogadores especiais evoluem em ritmos diferentes e entrar no Top 10 mundial parece um desafio interessante para o grande talento do Rio de Janeiro”.
Início de 2025 foi arrasador
O início da virada ocorreu em Camberra, onde ganhou um Challenger 125 sem perder sets. Depois, brilhou no Australian Open ao derrotar Andrey Rublev em sua estreia em Grand Slam, a primeira vitória de sua carreira sobre um top-10. A campanha o lançou no top-100. Em Buenos Aires, tornou-se o mais jovem brasileiro campeão de um torneio ATP, ao derrotar Francisco Cerúndolo na final, passando ao 68º lugar do ranking e assumindo pela primeira vez o posto de número 1 do Brasil. Seguiram-se o título de Phoenix, a boa campanha em Wimbledon — chegando à terceira rodada em sua estreia — e resultados consistentes em Masters 1000, como Cincinnati, até a consagração em Basileia, onde venceu o ATP 500 suíço com uma atuação dominante.
O desempenho acelerou sua projeção fora das quadras. Fonseca encerrou o ano com uma carteira de patrocinadores de atleta consolidado: ON Running, Rolex, XP Investimentos, JF Living, Yonex e, em dezembro, o Mercado Livre, que entrou com uma parceria de longa duração anunciada às vésperas da partida contra Alcaraz.
Fenômeno de Marketing: A entrada do Mercado Livre
A parceria com o Mercado Livre é tratada nos bastidores como um dos acordos mais relevantes já assinados por um atleta brasileiro tão jovem. O Meli, maior empresa de comércio eletrônico e tecnologia da América Latina — com presença em mais de 18 países e valor de mercado que supera 70 bilhões de dólares — enxerga em João um ativo estratégico capaz de atingir públicos que vão além do nicho do tênis.
Segundo executivos do setor, o timing da contratação reforça o interesse do mercado corporativo em atletas com forte potencial de crescimento global. O diretor de Estratégia de Marca do Mercado Livre, Iuri Maia, definiu Fonseca como “um talento brasileiro com potencial global, querido pelo público e com uma história que inspira todas as gerações”. O contrato, descrito como de “longa duração”, envolve campanhas multimídia, ativações internacionais e um alinhamento de imagem que deve acompanhar o tenista ao longo da temporada de 2026, sobretudo durante a sequência de torneios de grande visibilidade televisiva no primeiro semestre.
O acordo amplia o espectro de marcas associadas ao jovem, que já incluía pesos-pesados como Rolex e ON Running — esta última, comandada por Jorge Paulo Lemann, tendo Roger Federer como sócio. Pessoas envolvidas com a gestão de carreira do atleta avaliam que, em valores relativos e atualizados, João já caminha para contratos comparáveis ou superiores aos de Gustavo Kuerten nos anos 2000, algo raro para um atleta com apenas uma temporada completa no circuito.
O brasileiro mais buscado do Google em 2025
O crescimento de Fonseca também aparece de forma contundente nos indicadores de interesse público. Segundo o Google Trends, João foi a personalidade mais buscada do Brasil em 2025, superando políticos, artistas e figuras envolvidas em grandes casos judiciais. Nenhum outro atleta do país — de qualquer modalidade — apareceu sequer no top-10 anual.
Entre as personalidades mais procuradas no país, liderou uma lista que incluiu:
João Fonseca
Donald Trump
Fernanda Torres
Hytalo Santos
Felca
Suzane von Richthofen
Leo Lins
Carlo Ancelotti
Elize Matsunaga
Virgínia Fonseca
Os momentos de maior explosão de buscas ocorreram em duas situações opostas dentro da temporada: sua vitória impressionante contra Andrey Rublev no Australian Open e a derrota para um top-5 em Roland Garros. Os dados mostram que o público passou a acompanhar o brasileiro ponto a ponto nos grandes torneios, criando um comportamento semelhante ao observado em países com tradição no tênis, como Espanha, França e Estados Unidos.
Além disso, as buscas ligadas ao nome “João Fonseca” cresceram mais de 600% em relação ao ano anterior, impulsionando também termos associados como “ranking”, “próximo torneio”, “horário do jogo”, “patrocínios”, “títulos” e “João Fonseca Flamengo”, após sua aparição no Maracanã.
Com esse conjunto de resultados em quadra, explosão midiática e fortalecimento comercial, João Fonseca entra em 2026 como protagonista. Será cabeça de chave em Grand Slam, presença esperada nos grandes torneios e um dos jovens mais observados do circuito. A exibição contra Carlos Alcaraz funciona como um prenúncio do que pode ser a próxima década: o número 1 do mundo diante de um garoto que, em seu primeiro ano completo, teve números superiores aos anos de estreia de Federer, Nadal, Sinner e do próprio Alcaraz — exceção feita apenas a Djokovic.
Entre voos, treinos e compromissos com marcas globais, João ainda encontra tempo para revisitar o Maracanã e manter viva a imagem do menino carioca que cresceu ouvindo falar de Guga. Agora, diante de holofotes que nenhum tenista brasileiro tão jovem teve, ele começa a escrever, com consistência e alcance popular, um novo capítulo da história do tênis nacional.
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