Buse conquista Hamburgo e quebra jejum de 19 anos do tênis peruano
- 23 de mai.
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O peruano Ignacio Buse conquistou neste sábado o ATP 500 de Hamburgo ao bater o norte-americano Tommy Paul por 7/6 (8-6), 4/6 e 6/3, em 3h03 de uma final disputada sob 30°C na quadra central do Am Rothenbaum.

Aos 22 anos, 57º do ranking (com o troféu, será o 31º na próxima atualização) e vindo do qualifying, Buse devolve ao tênis peruano um título em nível ATP que não acontecia desde Luis Horna em Viña del Mar, em 2007.
É o quarto atleta do país a levantar um troféu ATP na Era Aberta, ao lado de Jaime Yzaga, com oito conquistas entre 1987 e 1993, do próprio Horna, com duas em 2006 e 2007, e do pioneiro Pablo Arraya, que em 1983 conquistou o único título peruano em solo europeu até este sábado. Por coincidência ou não, Arraya estava na arquibancada do Rothenbaum para ver o jejum acabar.

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"É o melhor sentimento da minha vida inteira, com certeza. Me sinto incrivelmente feliz. Também estou muito orgulhoso do Peru. É o melhor país do mundo"
Hans Buse, pai do tenista e treinador de tênis, acompanhou tudo da arquibancada. "É completamente emocional para a minha família", afirmou o peruano à ATP Tour. "São tantas pessoas envolvidas que eu não consigo descrever. Isto é para elas."
Da inscrição esquecida ao troféu
A semana já tinha contornos de exceção antes de a final começar. Em entrevista ao site CLAY, Buse admitiu que esqueceu de se inscrever a tempo no torneio e foi parar no qualifying. Acabou bem: derrotou em sequência o campeão defensor Flavio Cobolli, o tcheco Jakub Mensik, o francês Ugo Humbert e o americano Aleksandar Kovacevic antes de enfrentar Paul na decisão. "As coisas aconteceram um pouco mais rápido do que eu esperava, sinceramente. Não pensei que tudo viria tão depressa, mas aproveitei muito", disse à CLAY.
Logo nos primeiros games da decisão, ainda no primeiro set, recebeu atendimento do médico do torneio por causa de uma tontura. Pareceu desabar no segundo set, quando Paul disparou para 4/0 perdendo apenas dois pontos no saque. Não desabou.
O placar, set a set
O primeiro set foi movimentado. Duas quebras para cada lado, e Buse precisou de dois games de saque sob pressão, quando perdia por 4/5 e 5/6, para arrastar a parcial ao tiebreak. Lá, fechou em 8/6.
Paul respondeu com sua versão mais sólida. As duas quebras de início renderam o 4/0, e o americano sustentou a vantagem até o fim do set, apesar de uma quebra cedida no último game.
A reação americana parou ali. Buse cravou duas quebras logo no começo do terceiro set e só enfrentou um break-point na parcial inteira até abrir 5/1. Sacando para o jogo pela primeira vez, perdeu a chance, mas dois games depois fechou em 6/3. Foram 25 break-points disputados, dez quebras de serviço na partida, cinco para cada lado. Buse acertou 24 winners contra 21 do rival, mas também errou mais: 51 não forçados contra 42 do americano.
Tommy Paul
Para o americano de 29 anos e ex-número 8 do mundo, fica o gosto amargo de uma final em que a constância física do adversário, no calor de Hamburgo, falou mais alto. Paul segue com cinco títulos em dez finais de ATP na carreira. Neste ano, já tinha levantado o troféu do ATP 250 de Houston. Em Hamburgo, embolsa 223.350 euros e 330 pontos, suficientes para chegar ao 22º lugar do ranking.
Uma posição abaixo de João Fonseca
Buse leva 415.140 euros pelo título e dá um salto até o 31º lugar da ATP, exatamente uma posição abaixo de João Fonseca. O peruano é, ainda, o terceiro tenista a vencer um ATP 500 vindo do qualifying desde a criação da categoria, em 2009. Antes dele, apenas Nikoloz Basilashvili (na própria Hamburgo, em 2018) e Daniil Medvedev (Tóquio, no mesmo ano).
Roland Garros e Rublev na estreia
A trajetória de Buse continua já na próxima semana, com a estreia em Roland Garros. Pelo sorteio, o peruano encontra o russo Andrey Rublev, 11º cabeça de chave, na primeira rodada. Chega a Paris com algo que sete dias atrás talvez nem ele mesmo apostasse: um troféu de ATP 500 nas costas. "Não sei o que dizer", resumiu na quadra. "Estou simplesmente muito emocionado agora."
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