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Dez challengers, zero título: Brasil chega a São Leopoldo em jejum incômodo no saibro sul-americano

  • há 6 horas
  • 5 min de leitura

O circuito Challenger retorna ao Brasil nesta segunda-feira, em São Leopoldo, e traz consigo um número que o tênis brasileiro preferia não ver: dez. São dez torneios disputados na gira sul-americana de saibro em 2026 sem um único título brasileiro em simples. Não foi falta de oportunidade. Foi falta de resultado.


A lista de campeões da gira diz tudo sobre o momento: Daniel Vallejo venceu dois (Itajaí e Concepción), Guido Justo também dois (Tigre I e Bucaramanga), e os outros seis foram para Franco Agamenone, Camilo Ugo Carabelli, Juan Manuel Cerúndolo, Henrique Rocha, Gianluca Cadenasso e Román Burruchaga. Nenhum brasileiro. Nas três etapas disputadas em solo nacional, os títulos foram para um paraguaio (Itajaí), um português (Brasília) e um argentino (São Paulo).


Os números de campanha são igualmente significativos. O brasileiro mais vitorioso da gira, com dez vitórias em dezesseis jogos, não passou das oitavas em nenhum torneio: Thiago Monteiro. Pedro Boscardin venceu nove e perdeu seis. Eduardo Ribeiro fez 5-4, Igor Marcondes 5-7, Thiago Wild 4-3 antes de se machucar. Gustavo Heide e Felipe Meligeni conquistaram apenas duas vitórias cada em todo o período. Matheus Pucinelli, uma. Se não fosse João Fonseca, que opera em circuito próprio, esta seria uma das piores fases do tênis masculino brasileiro na Era Profissional.


A casa está mais vazia do que deveria


O São Léo Open começa hoje com ao menos nove brasileiros na chave principal, mas os dois mais vitoriosos da gira não estarão em quadra. Monteiro se machucou nas oitavas do LA Open em São Paulo e não tem condições de jogar. Reis está ausente por motivo ainda não revelado. Wild segue fora desde fevereiro, quando abandonou o ATP 250 de Buenos Aires no segundo set contra Tomás Barrios Vera com uma lesão. Três dos cinco brasileiros com mais vitórias na gira sul-americana ficaram pelo caminho antes mesmo do primeiro saque em terras gaúchas.


Jogador de tênis de quebrando, usando boné azul e camiseta verde. Bola amarela em movimento. Ambiente de quadra interna, foco e determinação.
Felipe Meligeni (Foto: Fotojump)

O paulista Felipe Meligeni Alves, oitavo cabeça de chave, lidera a lista dos brasileiros. Ele estreia diante do alternate uruguaio Joaquin Aguilar Cardozo (número 540 do ranking) e, em caso de vitória, terá um argentino pela frente: ou Juan Manuel La Serna ou Guido Justo. No mesmo quadrante estão Daniel Dutra da Silva e o duelo nacional entre Gustavo Heide e Pedro Boscardin logo na primeira rodada.


O catarinense Bruno Fernandez, convidado da organização, enfrenta o argentino Lautaro Midon, sexto favorito, ainda hoje. O brasiliense Paulo Saraiva entra em quadra às 14 horas contra o peruano Gonzalo Bueno, quinto pré-classificado. O gaúcho Eduardo Ribeiro tem o desafio mais duro: estreia contra Hugo Dellien, boliviano ex-top 70 e segundo cabeça de chave.


Wilson Leite e Nicolas Zanellato disputam nesta segunda-feira a última rodada do qualificatório e podem ampliar a representação brasileira. O torneio tem entrada gratuita e vai até 5 de abril no São Leopoldo Tênis Clube. No México, o paulista Mateus Alves, de 25 anos, será o único representante do país no Challenger de San Luis Potosí: enfrenta o argentino Juan Pablo Ficovich em simples e joga duplas ao lado do chileno Matias Soto.


Duplas: o alento de sempre

Se em simples o jejum persiste, nas duplas o Brasil viveu uma temporada sul-americana completamente diferente. Cinco títulos em cinco dos principais eventos do período, um contraste que diz muito sobre onde está o melhor tênis brasileiro no momento.


A série começou ainda em janeiro, com Marcelo Zormann campeão no CH50 de Buenos Aires ao lado do argentino Kestelboim. Na semana seguinte, na catarinense Itajaí, Igor Marcondes e Eduardo Ribeiro sagraram-se campeões em final 100% nacional. Ribeiro voltou a erguer a taça uma semana depois, desta vez ao lado do equatoriano Gonzalo Escobar, no Challenger 100 de Concepción. Em fevereiro, o nível subiu: João Fonseca e Marcelo Melo venceram o Rio Open. Foi o terceiro ano consecutivo com título brasileiro nas duplas do ATP 500 carioca.


Rafael Matos e Orlando Luz foram campeões do ATP 250 de Buenos Aires, batendo os argentinos Kicker e Collarini. No último sábado, fechando a gira, Guto Miguel e Gustavo Heide coroaram a semana no LA Open com mais uma final 100% brasileira, superando Meligeni e João Lucas Reis. O único torneio que escapou foi Brasília: Zormann chegou à final ao lado do argentino Kestelboim, mas quem saiu com o título foram os portugueses Faria e Rocha.


Gustavo Heide e Guto Miguel (Foto: Fotojump)
Gustavo Heide e Guto Miguel (Foto: Fotojump)

Em São Leopoldo, a chave de duplas tem 12 brasileiros, com destaque para Bruno Oliveira e Marcelo Zormann, segundos cabeças de chave, que estreiam diante de Daniel Dutra da Silva e Johan Nikles. Luís Britto e Paulo Saraiva, quartos favoritos, enfrentam os irmãos peruanos Arklon e Conner Huertas. Mais três duplas formadas só por brasileiros completam o quadro: Boscardin e Heide contra La Serna e Midon; João Victor Loureiro e Natan Rodrigues contra Valentin Basel e Franco Ribero; e os convidados Pedro Sakamoto e João Schiessl diante dos terceiros cabeças de chave, Murkel Dellien e Gonzalo Villanueva.


O que está em jogo além do título

Roland Garros se aproxima e o quadro de brasileiros no qualifying está em risco. São Leopoldo e Campinas, semana que vem, são as últimas janelas reais de acumulação de pontos no saibro. Sem Fonseca, que tem vaga direta, e sem Monteiro, Reis e Wild, a missão de garantir ao menos um representante adicional em Paris recai sobre jogadores que acumularam resultados modestos ao longo de toda a temporada sul-americana.


A escolha de São Leopoldo de manter a entrada gratuita foi acertada. O clube tem história com o esporte e público genuinamente engajado, o oposto do que aconteceu no LA Open em São Paulo, onde a organização cobrou ingressos caros numa arena de seis mil lugares para um torneio sem estrelas e com brasileiros em crise de resultados. As arquibancadas ficaram vazias. É algo que precisa ser revisto antes de 2027.


Por ora, o tênis brasileiro tenta, em casa, acabar com um jejum que já dura dez torneios.


Quali Roland Garros: situação atual dos brasileiros (ranking de 30/03, pós-LA Open):


O corte do qualifying de Roland Garros historicamente fica em torno do ranking 220-240, variando conforme desistências. Em 2025, o último aceito no main draw era o número 101; o qualifying acomoda aproximadamente do 102 ao 230-240.


Com esse parâmetro:


Praticamente garantido no quali:


  • João Lucas Reis (211) — está dentro do corte histórico, mas não com folga. Uma semana ruim pode tirá-lo dependendo das movimentações de ranking das semanas europeias de saibro.


Na zona limítrofe — precisam de pontos:


  • Thiago Monteiro (~242) — ranking compatível mas lesionado, o que complica ainda mais. Se não jogar São Leopoldo nem Campinas, pode cair fora do corte com as atualizações do período europeu.

  • Pedro Boscardin (~241) — chegou à semifinal de Santiago e atingiu o melhor ranking da carreira. Está na zona de corte e precisa de resultado em São Leopoldo ou Campinas para garantir a vaga.

  • Felipe Meligeni (~248) — mesma situação: dentro da janela possível, mas sem margem. Depende de campanha sólida nos dois challengers brasileiros restantes.


Fora do alcance no ranking atual:


  • Thiago Wild (~237) — ranking estaria na zona, mas está lesionado e fora de competição. Sem jogar, apenas cai.

  • Gustavo Heide, Igor Marcondes, Daniel Dutra — abaixo do corte e sem perspectiva realista de subir o suficiente em duas semanas.

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