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LA Open entregou a estrutura que prometeu, mas não encheu nem as primeiras fileiras

  • há 59 minutos
  • 4 min de leitura

Guilherme Velloso, CEO do LA Open, escolheu uma frase para descrever o que estava sendo construído no Jockey Club de São Paulo. "Um presente para a cidade". Eduardo Secco, co-idealizador do torneio e CEO da New Quality, foi na mesma direção: "Uma estrutura que nunca foi vista em um challenger". Os dois tinham razão. A arena de 6.200 assentos ficou muito bonita. O saibro ficou impecável. A transmissão chegou simultânea em três canais. Os renomadíssimos restaurantes A Casa do Porco e Osso estavam presentes. Mas o público não.


(Foto: Reprodução \ Twitter: @@serjosoza)
(Foto: Reprodução/Twitter: @serjosoza)

Ao longo da semana de chave principal do Challenger 100 paulistano, as imagens que circularam no X, o antigo Twitter, mostraram fileiras e fileiras de cadeiras verdes e azuis vazias, com um punhado de espectadores espalhados pelo espaço. O vazio nas arquibancadas virou o principal assunto da comunidade tenística brasileira nas redes sociais, e as perguntas que ficaram em aberto são mais incômodas do que a resposta óbvia de "erro de precificação".


O preço que afastou o público

Ao podcast TenisBrasil, Velloso havia explicado a lógica dos valores de acesso: "Para a grandiosidade que a gente pensou em fazer, o evento tinha que ter uma contrapartida de investimento e entendimento do público". Para quem quiser ir à final deste domingo, a contrapartida mais barata é a de R$ 390 mais R$ 78 de taxa de serviço, totalizando R$ 468.


Para as semifinais, o comentarista argentino Ariel Fernández (@AFD7L) fez as contas: "89 dólares (!!!) las entradas más baratas para ver las semifinales mañana del M1000 Challenger de São Paulo. Tiene sentido que no vaya nadie [Faz sentido que ninguém vá]".


(Foto: Reprodução/Youtube NSports)
(Foto: Reprodução/Youtube NSports)

Durante a semana, na bilheteria, Patrick Hebert (@PatrickITJ) perguntou o preço para a sessão noturna seguinte. A resposta foi R$ 210. "Eles estão loucos", escreveu. A conta @rocktenis contextualizou para quem não conhece o circuito: "Geralmente não é cobrado ingresso para torneios Challenger ao redor do mundo. Mas esse torneio quer se vender como algo Premium."


A organização havia anunciado descontos de até 90% na pré-venda como estratégia de engajamento, nas palavras do próprio Velloso: "Fizemos uma promoção com ingressos populares, com descontos muito grandes, para poder o público se engajar." Quem chegou depois, porém, encontrou os valores planejados. E o público, em sua maioria, ficou em casa.


"LA Open tá muito bonito. Quadras bonitas. Estrutura muito legal. Transmissão em HD em 3 lugares diferentes. Mas... Sem torcedor. Afastado pelo preço dos ingressos. Aprendizado para o ano que vem." O post do perfil Mundo do Tênis teve mais de 23 mil impressões.


A conta verificada @osolimpicos foi mais direta: "Eu vejo as imagens desse challenger em SP com 12 pessoas na arquibancada e só imaginando o prejuízo da organização. Bem feito por colocarem valores de Masters 1000 pra um Challenger 100".


Nem o barulho da música que vazava da quadra central para as quadras secundárias durante um momento-chave da partida foi suficiente para disfarçar a ausência de público. O @InfoTenisBrasil registrou com ironia: "qual outro Challenger em que os próprios jogadores podem curtir uma balada dentro da quadra no meio do seu super tiebreak?"



A teoria que circula: não era para o público, era para a ATP

O debate ganhou outra camada quando o perfil @fonsequism levantou uma hipótese que ressoou.


"Me parece que eles queriam fazer números pra convencer a ATP a formar um 250. Chegaram 10 anos atrasados. ATP quer é acabar com os 250. E não pesquisaram mercado. Challenger tem ingresso mínimo ou de graça. Quer ATP? Compra o 250 de Santiago pra anteceder o Rio em 2028"

A leitura faz algum sentido quando se recorda o que Velloso disse ao podcast, sobre pretensões de aumentar o nível do torneio: "A ATP está com muitas mudanças agora, nos próximos dois anos. Mas obviamente já sabem da nossa intenção em escalar esse ranqueamento". E Secco, no mesmo sentido: "Nosso objetivo é consolidar São Paulo como sede permanente no circuito mundial". O problema, além de a estratégia de preço não ter funcionado, é que a direção da ATP é oposta: a entidade tem sinalizado intenção de reduzir, não ampliar, o número de torneios 250 no calendário.


O @InfoTenisBrasil respondeu à hipótese com ceticismo ainda mais sombrio: "Eu me recuso a acreditar que essa turma da Faria Lima que tá metendo grana aí seja tão ingênua e ruim de análise de mercado. Eles nem chegaram a tentar corrigir o problema. Deixaram o barco afundar e tudo bem".


A mesma páginda havia diagnosticado o essencial antes mesmo das oitavas de final: "Eu ainda estou por entender o que foi o fiasco desse Challenger de SP. Nada ali faz sentido. Tenho minhas dúvidas que seja somente mal planejamento. E só tem 2 opções: ou tem alguém perdendo muito dinheiro, ou tem alguém ganhando muito dinheiro".


O @BreakPointBR acrescentou: "Perdendo. E muito. Logo mais saem as infos... assustador".


O que vem a seguir

A decisão vai ser disputada este fim de semana no Jockey Club. Com ou sem público.


As semifinais de simples estão marcadas para este sábado (28), a partir das 15h (de Brasília). Primeiro, o argentino Román Andrés Burruchaga enfrenta o boliviano Juan Carlos Prado Angelo, de 21 anos. Na sequência, o português Jaime Faria joga contra o também boliviano Hugo Dellien. A final de simples está prevista para domingo.


Guto Miguel e Gustavo Heide (Foto: Fotojump)
Guto Miguel e Gustavo Heide (Foto: Fotojump)

Antes, ainda neste sábado, a rodada se encerra com a final de duplas, e ela tem sabor especial: quatro brasileiros vão decidir o título. Felipe Meligeni e João Lucas Reis, que na sexta eliminaram Igor Marcondes e Eduardo Ribeiro e depois derrubaram os cabeças de chave norte-americanos Mac Kiger e Reese Stalder por 6/4, 4/6 e 10-7 no supertiebreak, enfrentam Gustavo Heide e Guto Miguel, que superaram a dupla cabeça 2, o israelense Daniel Cukierman e o argentino Mariano Kestelboim, por 6/2, 5/7 e 10-7.


Os vencedores recebem 100 pontos e dividem US$ 7.960. Os vice-campeões ficam com 60 pontos e US$ 4.600. Meligeni, de 28 anos, chega à final com oito títulos challenger e dois ATP nas duplas. Reis, de 25, tem dois challengers. Do outro lado, Heide, de 24, busca o quinto título challenger nas duplas. Guto Miguel, de apenas 17, venceu seu primeiro challenger na temporada passada, justamente na Costa do Sauípe.



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