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Monteiro vence na estreia do LA Open, que nasce com planos de crescer: "Estamos muito mais próximos de um ATP 500", diz CEO

  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

"O Jockey Club de São Paulo não recebeu apenas um torneio. Recebeu um projeto". É assim que Guilherme Velloso, CEO do Latin American Open, e Eduardo Secco, CEO da New Quality e co-idealizador do evento, descrevem o Challenger 100 que acontece esta semana na capital paulista, o primeiro torneio ATP masculino oficial da cidade em quase uma década.



A pretensão não está nas entrelinhas. Velloso foi direto ao microfone do podcast Tênis Brasil: "Nosso evento não é exatamente um challenger, a gente está muito mais próximo de um torneio de maior porte, de um ATP 500. Hoje, já nascemos sendo o segundo maior evento de tênis no Brasil."


A frase resume bem a filosofia que guia cada metro quadrado do complexo montado no Jockey: a estrutura precisa ser maior do que o torneio é hoje, porque a ideia é que o torneio suba de nível para fazer jus à estrutura disposta. Velloso olha para o LA Open e enxerga um ATP 500 em construção. O que existe, por ora, é um Challenger 100, terceiro nível do circuito intermediário. E não o segundo maior torneio do Brasil, como ele afirmou: o Costa do Sauípe, Challenger 125, está um degrau acima na hierarquia da ATP. A ambição é real. Mas o ponto de partida é outro.


A lacuna que São Paulo deixou aberta

São Paulo somou quase dez anos sem presença no circuito ATP masculino. O Brasil Open, que durante quase duas décadas deu ao país um torneio na temporada de quadra rápida, deixou a cidade em 2019 rumo a Santiago. A maior capital da América do Sul ficou de fora, e os organizadores do LA Open enxergaram exatamente nisso a oportunidade. "São Paulo ficou muitos anos longe do circuito internacional de tênis masculino, quase uma década", disse Secco. "A gente não entendia porque isso acontecia na maior capital do país, na maior capital econômica."


O torneio ocupa uma janela estratégica: disputa espaço no calendário exatamente no período em que termina a temporada de quadra dura e começa a gira europeia de saibro. Jogadores que não passam pelo Miami Open têm no LA Open uma opção para entrar no ritmo da temporada sobre a terra batida.


Dois meses e meio do zero

O que está montado no Jockey não existia antes. Não havia uma estrutura prévia de clube que os organizadores aproveitaram, como acontece no Rio Open. A área estava, nas palavras de Velloso, "totalmente descampada." Em dois meses e meio, foram montadas cinco quadras de saibro, uma arena principal com capacidade para mais de 6 mil pessoas, academia, vestiários, restaurante, lounge dos atletas e um boulevard com lojas. "Uma estrutura dos atletas que nunca foi vista em um challenger", afirmou Secco, que garantiu ao podcast ter entregado "até muito mais do que estava nesse papel."


A dimensão do projeto fica mais clara em números: 45 mil metros quadrados de complexo. Nove restaurantes. Uma arena que rivaliza com eventos de categoria superior. A ATP, segundo os organizadores, acompanha a evolução do evento de perto, e o sinal de interesse da entidade já existe.


A polêmica dos ingressos


A cobrança de ingressos num Challenger gerou reação na comunidade. Velloso ouviu as críticas e respondeu sem rodeios: o investimento para montar uma estrutura desse porte não é barato, e a contrapartida do público era esperada. Para suavizar a entrada, a organização ofereceu descontos de 80% e 90% na pré-venda. Quem comprou cedo, pagou muito menos. Quem chegou depois, encontrou os valores planejados. Os ingressos seguem disponíveis pela Ticketmaster.


Monta, desmonta, monta de novo

Há um dado que passa despercebido no encantamento com a estrutura: ela é completamente provisória. Ao fim do torneio, tudo o que foi erguido precisa ser desmontado. E no início de 2027, o processo recomeça do zero. "Ano que vem a gente monta tudo de novo", confirmou Velloso sem hesitar. É um custo alto e recorrente, parte consciente do modelo de negócio adotado.


A área foi alugada no Jockey Club, que apoiou o projeto dentro do que era possível. A localização foi escolhida por razões objetivas: acesso fácil, próximo a hotéis e aeroportos, dentro da zona de maior concentração de quadras e jogadores de tênis do país.


A chave principal começa: Monteiro passa, Heide e Daniel caem

O discurso ambicioso dos organizadores ganhou contexto real logo na abertura da chave principal. A primeira rodada já entregou o que São Paulo não via há anos: tênis profissional de alto nível jogado na cidade, com brasileiros no centro da história.


Tenista Thiago Monteiro sorrindo com camiseta azul clara e mochila vermelha em ambiente iluminado. Fundo desfocado e detalhe de texto na camisa. LA Open 2026
Thiago Monteiro (Foto: @laopenoficial)

Thiago Monteiro foi o protagonista mais urgente. O cearense, 242º do mundo com pontos importantes a defender, entrou em quadra sabendo que precisava ganhar. Derrotou o paulista Pedro Sakamoto por 6/4, 4/6 e 6/4, em 2h56, numa batalha entre dois que se conhecem bem demais. "Foi um jogo bem duro, a gente se conhece há bastante tempo, treinamos muitos anos juntos. É um cara por quem eu tenho um carinho muito grande, é um dos meus melhores amigos e torço sempre pelo sucesso dele", disse Monteiro. Depois completou, com alívio: "Me senti muito bem em quadra."


O jogo foi equilibrado do começo ao fim. Cada set teve uma quebra isolada nos dois primeiros sets, e Monteiro desperdiçou chance de abrir 5/3 com saque no oitavo game da segunda parcial. Sakamoto aproveitou e quebrou na decisiva. O cearense reagiu imediatamente, segurou os break-points seguintes e fechou o jogo. Ele aguarda o vencedor do duelo entre o chileno Tomas Barrios e o dinamarquês Johannes Ingildsen, que entram em quadra nesta terça-feira.



O contexto de ranking deixa a vitória com sabor diferente: Monteiro corre o risco de perder cerca de 30 posições se não avançar na semana, por conta dos pontos do vice-campeonato de Assunção do ano passado que expiram.


A rodada foi menos gentil com outros brasileiros. Gustavo Heide começou dominante, abriu 6/1, mas cedeu o segundo set no tiebreak (7-5) e o terceiro por 6/4 para o argentino Roman Burruchaga. Daniel Dutra da Silva teve trajetória parecida: saiu na frente, perdeu intensidade e caiu para o boliviano Juan Carlos Prado por 3/6, 6/3 e 6/2. Em outro confronto da rodada, o argentino Juan Bautista Torres eliminou o boliviano Murkel Dellien, por 6/4, 1/6 e 7/6 (7-1).


Gustavo Heide LA Open 2026
Gustavo Heide (Foto: @laopenoficial)

No qualifying, quatro brasileiros avançaram para a rodada decisiva com vitórias: João Schiessl, Victor Braga, João Ceolin e Rafael Tosetto.


A final do LA Open está marcada para 29 de março.

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