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Um sonho, uma vaga: a história dos gêmeos que precisaram se enfrentar para jogar o LA Open

  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

Victor e Breno Braga são irmãos gêmeos, jogam tênis juntos desde os 5 anos, dividem o mesmo técnico em São Carlos e sabem exatamente para onde o outro vai bater a bola. Tudo isso ficou em segundo plano na última rodada do qualifying do LA Open, quando os dois tiveram de se encarar na quadra para decidir quem garantia a última vaga na chave principal. Só havia uma.


Victor, 21 anos, ficou com ela: 3/6, 6/2 e 6/3, depois de sair atrás no marcador e virar nos dois sets seguintes. Pela primeira vez na carreira, ele vai disputar um Challenger. O adversário na estreia é Felipe Meligeni.


Dois homens com camisetas "Centro de Treinamento Nicolas Santos" sorriem para a câmera, um com camiseta cinza e outro azul, em fundo claro. Irmãos gêmeos Breno Braga (esquerda) e Victor Braga (direita), de 21 anos (Foto: @laopenoficial). LA Open
Irmãos gêmeos Breno Braga (esquerda) e Victor Braga (direita), de 21 anos (Foto: @laopenoficial)

A virada não foi fácil. Victor sabia que estava no fio. Na rodada anterior do qualifying, ele havia derrubado o argentino Nicolas Hollender em três sets, passando por um primeiro set perdido no tiebreak antes de atropelar nos seguintes. Breno também vinha de batalha, tendo superado João Vitor Scramin do Lago num duelo que precisou marcar 11 pontos no tiebreak do terceiro set para ficar com a classificação.


"É sempre muito difícil, eu falo, é fácil, mas é muito difícil. É fácil porque a gente sabe onde a maioria das bolas vai, mas é muito difícil jogar contra, porque ele também sabe onde a sua bola vai", contou Victor ao podcast Tênis Brasil.


Breno resumiu sem rodeios: "Os golpes são parecidos, a gente joga muito igual. Dá pra saber aonde que ele está pensando em jogar. É muito difícil jogar. Chegou um tempo que tem que separar, né? Tem que separar que é irmão com irmão, mas é jogo igual, é profissional."


Dois sets, vinte anos de história

Os Braga começaram no tênis incentivados pelo pai. Na capital paulista, fizeram tudo ao mesmo tempo: tênis, futebol, basquete. Aos 12, a hora de escolher. Breno lembrou com humor: "A gente ficou em dúvida com o futebol, mas a gente era muito ruim, então a gente já descartou facilmente." O tênis ganhou por eliminação, mas acabou vencendo de verdade.


Três anos depois, os dois foram para São Carlos. Lá conheceram o técnico Nícolas Santos. E assim permanecem. "Ficamos com ele até hoje", disse Breno. Santos é, nas palavras de Victor, muito mais do que treinador: "Ele é um ídolo para mim, por tudo, por toda a história dele, de trabalho, de treino. Do jeito que ele leva a vida, do jeito que ele leva o trabalho duro. Eu sempre falo que ele é uma das minhas maiores inspirações do tênis e da vida."


O ídolo que saiu de Adamantina

Quando Victor diz que Nícolas Santos é um ídolo, não está falando de qualquer treinador de clube do interior. Está falando de quem foi, em dezembro de 2006, o segundo melhor júnior do mundo no ranking da ITF: a melhor marca já alcançada por um brasileiro no ranking juvenil até então. João Fonseca foi superá-lo apenas muitos anos depois.


Nícolas Santos nasceu em Adamantina, interior de São Paulo, filho do responsável pelo restaurante do clube de tênis local. Chegou ao esporte aos 5 anos, construiu carreira sem estrutura fácil, venceu o Eddie Herr nos Estados Unidos, foi vice-campeão do Orange Bowl, jogou Roland Garros, Wimbledon e US Open no juvenil e chegou a treinar com Guga na Copa Davis de 2007. A transição para o profissionalismo foi dura, como costuma ser para juvenis brasileiros que precisam viajar o mundo sem apoio suficiente. Encerrou a carreira em 2018 e fundou imediatamente o CT Nicolas Santos, em São Carlos, onde hoje treina atletas profissionais e juvenis.


Além de Santos, Victor também tém outras referências. O jovem citou ainda Fernando Romboli como espelho, pelo mesmo motivo: o trabalho duro como denominador comum.


"A gente não tem a direita do Alcaraz. O que a gente faz de melhor é trabalhar duro."

O primeiro Challenger da carreira chegou com peso proporcional. "São anos treinando, batalhando, trabalhando muito duro. Às vezes a gente pensa, 'será que as coisas estão dando certo?'. E sempre na hora certa as coisas vêm", disse Victor.



Os dois também atuam juntos nas duplas. A relação dentro e fora da quadra é a que se espera de gêmeos que se conhecem demais. "Fico muito bravo com ele, para ser sincero, muito bravo. Mas eu gosto muito de estar em quadra com ele", confessou Victor. Breno completou: "Em quadra a gente briga, que é normal do irmão mesmo brigar. Mas no próximo dia já estamos tranquilos um com o outro."


Os pais acompanham tudo. "Eles ficam bem felizes quando a gente está nas duplas junto, nesse mundo que é muito duro", disse Victor.


Victor estreia nesta terça-feira chave principal do LA Open. O torneio segue até 29 de março no Jockey Club de São Paulo. Confira os duelos da programação de hoje: Estádio principal – 11h00

João Lucas Reis (BRA) vs.[6]Hugo Dellien (BOL)

Gonzalo Bueno (PER) vs. [2]Thiago Tirante (ARG)

Felipe Meligeni (BRA) vs. [Q]Victor Braga (BRA)

Não antes das 19h00

Juan Pablo Varillas (PER) vs. [C]Guto Miguel (BRA)

[7]Alex Barreña (ARG) vs. Igor Marcondes


Quadra 3 – 11h00

Lautaro Midon (ARG) vs. Alvaro Meza (EQU)

Não antes das 13h00

[1]Emilio Nava (EUA) vs. [Q}Rafael Tosetto (BRA)

Gianluca Cadenasso (ITA) vs. [C]Eduardo Ribeiro (BRA)

[Q]João Ceolin (BRA) vs. [5]Jaime Faria (POR)

[C]Pedro Sakamoto (BRA)/João Schiessl (BRA) vs. [2]Daniel Cukierman (ISR)/Mariano Kestelboim (ARG)


Quadra 5 – 11h00

[Q]João Schiessl (BRA) vs. Facundo Diaz (ARG)

Santiago Taverna (ARG) vs. [Q]Boris Arias (BOL)

[4]Tomas Barrios (CHI) vs. [Q]Johannes Ingildsen (DIN)

Alvaro Meza (EQU)/Lautaro Midon (ARG) vs. Daniel Dutra da Silva (ARG)/Santiago Taverna (ARG)

[3]Boris Arias (BOL)/Johannes Ingildsen (DIN) vs. Felipe Meligeni (BRA)/João Lucas Reis (BRA)

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