Dezenove. E contando...
- 11 de abr.
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Ela tem 16 anos, ocupa o 658º lugar do ranking e joga como se nada disso importasse muito. Nauhany Silva, a "Naná", jóia juvenil do tênis feminino brasileiro, abriu o confronto decisivo contra o México com uma aula de eficiência: 6/1 e 6/0 sobre Jessica Hinojosa Gomez, em 56 minutos, com duas quebras logo de entrada e apenas um break-point sofrido em todo o primeiro set. No segundo, ela cedeu dois pontos nos seus games de saque. Dois. É o tipo de número que transforma uma partida em detalhe e uma tenista em promessa concreta.
Depois viria Gabriela Cé. E o script mudou completamente — mas o resultado, não. A gaúcha de 33 anos encarou quase três horas de jogo contra Victoria Rodriguez, perdeu o primeiro set por 4/6, reagiu com um segundo set impecável no saque (zero break-points sofridos, apenas cinco pontos cedidos nos games de serviço), e controlou o terceiro até escapar de dois break-points e sacar para a classificação após a quebra decisiva no penúlogo game. Final: 4/6, 6/3 e 6/4.

"Está sendo uma semana muito especial para mim. Estou muito feliz por fazer parte da equipe e poder dar o meu melhor representando o Brasil", disse Naná após a vitória sobre Hinojosa Gomez
Juntas, as duas vitórias selaram a classificação do Brasil para o playoff mundial da Billie Jean King Cup, que será disputado em novembro. O confronto contra o México encerrou uma semana perfeita para a equipe do capitão Luiz Peniza: quatro confrontos, quatro vitórias — sobre Chile, Argentina, Peru e México. Primeiro lugar do Grupo A do Zonal Americano 1 sem nenhuma derrota.
Números que a semana construiu
Naná fez quatro jogos de simples nesta semana — e venceu os quatro. Somados à vitória do ano passado e às duplas ao lado de Victória Barros na definição contra a Argentina, são seis participações, cinco vitórias em simples e uma nas duplas pelo maior torneio feminino por equipes do mundo.
As últimas quatro vitórias na BJK Cup somam-se aos 15 triunfos conquistados consecutivamente no circuito juvenil por Naná. Agora, são 19 vitórias em sequência para a paulista. E contando...
Do outro lado da equipe, Cé soma agora sete vitórias em 13 jogos de simples na competição por equipes — incluindo dois triunfos e uma derrota nesta semana.
Duas gerações
Em Ibagué, o elenco brasileiro contou também com duas outras jovens tenistas: Victória Barros, a potiguar de 16 anos, e Ana Candiotto, paulista de 21 anos, que estiveram presentes nas duplas ao longo da semana. É uma equipe em construção, mas que não se escorou na pouca experiência, fez bonito e carimbou a vaga nos playoffs mundiais.
Entre outras coisas, acompanhamos um retrato de duas gerações do tênis feminino brasileiro. De manhã, Naná resolveu com potência e precisão — golpes agressivos, quebras imediatas, poucos erros, zero drama. À tarde, Cé trouxe algo diferente: paciência, subidas à rede bem cronometradas, capacidade de se recuperar de momentos adversos. Em 2h57, sete oportunidades de quebra criadas, e pressão constante sobre o saque da adversária.
São tênis diferentes. E o Brasil precisou dos dois.

O que vem por aí
O sorteio que define os adversários do Brasil no playoff mundial acontece no dia 23 de abril. Participam sete países que perderam no Qualificatório Mundial: Japão, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Eslovênia, Suíça e Polônia, além dos classificados de outros zonais: França, Hungria, Suécia, Tailândia e Indonésia. O ranking a ser divulgado na segunda-feira definirá os cabeças de chave. A Argentina também avançou, vencendo o Equador por 2 a 0.
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