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Djokovic e Fonseca duelam na Philippe Chatrier nesta sexta

28 de mai.
4 min de leitura

A maior partida da carreira de João Fonseca começa num pedaço de Paris que ele ainda não conhece. Na sexta-feira, o carioca de 19 anos enfrenta Novak Djokovic pela terceira rodada de Roland Garros, não antes das 10h30 (horário de Brasília), na Philippe Chatrier, o palco central do Grand Slam francês. Até aqui, em 2026, Fonseca disputou seus jogos na Simonne-Mathieu e na Quadra 14.



Para chegar até este duelo contra a lenda sérvia, o brasileiro cabeça de chave 28 precisou confirmar a maior reação de sua ainda curta carreira. Na segunda rodada, perdeu os dois primeiros sets para o croata Dino Prizmic e virou o jogo de forma heróica: 3/6, 4/6, 6/3, 6/1 e 6/2. Foi a primeira vez na vida que Fonseca venceu uma partida de dois sets abaixo. E foi sua 50ª vitória no circuito.


"Ele [Prizmic] jogou muito bem nos dois primeiros sets. Foi difícil para mim. Eu não estava jogando bem e ele estava me destruindo", reconheceu o brasileiro em coletiva à ATP Tour. "Estou muito feliz com a forma que me mantive positivo e com a boa mentalidade."


A emoção veio depois, quando ele admitiu algo mais difícil de processar. "Eu acho que eu vinha de um momento duvidando muito do meu tênis, faltando um pouco de confiança. Esse jogo foi muito importante para mim, pessoalmente", disse Fonseca à ESPN.


O duelo que ele sempre sonhou

A classificação entregou o que Fonseca perseguia há tempos. "Sempre falei para o meu técnico que queria cair na chave do Djokovic. Eu sei que isso não vai durar muito tempo, então queria viver essa experiência", disse o carioca em coletiva. "Para mim, é um grande prazer. Estou na terceira rodada de Roland Garros, isso já é um sonho. Vou aproveitar cada momento jogando contra um ídolo, o melhor de todos os tempos", contou o brasileiro nascido em 2006. A primeira partida que Novak disputou no circuito ITF foi em 2003.


"Eu gosto de jogo grande, eu gosto de jogo em que a vibe é diferente. Então é partir com tudo, cabeça totalmente em desfrutar e aproveitar a partida, mas, obviamente, querendo ganhar", completou Fonseca à ESPN. E deixou claro o que espera de si mesmo dentro de quadra: "Claro que vou respeitá-lo, mas tentando dar o meu melhor e ganhar essa partida."


Djokovic também saiu da segunda rodada com trabalho feito, não sem sustos. Precisou de quatro sets para superar o francês Valentin Royer, 6/3, 6/2, 6/7(9) e 6/3, numa partida em que desperdiçou match point no tiebreak do terceiro set. Faz 39 anos nesta semana.


Da coletiva pós-jogo em Paris, foi direto ao ponto sobre o próximo adversário. "O Fonseca tem sido muito elogiado nos últimos dois anos. Acho que seu potencial e qualidade como tenista são óbvios, sem sombra de dúvida. Ele tem muito apoio brasileiro onde quer que vá. Acho que ele é um jogador de grandes palcos. Ele realmente ama a ocasião", disse o sérvio, em declarações ao site oficial de Roland Garros.


"Fez um grande jogo contra o Sinner em Indian Wells. Ganhou do Rublev na Austrália, em sets diretos. Ele definitivamente consegue subir de nível nas grandes ocasiões e fazer um tênis brilhante. Será mais um desafio físico. Espero uma partida com muitos rallies longos."


Djokovic teria escolhido horário da partida

A escolha pelo horário diurno do confronto contra Fonseca pode ter sido do próprio Djokovic. Em conversa com a imprensa sérvia, publicada pelo portal Sport Klub, Novak indicou que estava discutindo a possibilidade de pedir ao torneio para jogar de dia.


"Existem alguns detalhes táticos que eu não gostaria de expor publicamente. Estamos discutindo isso entre nós, eu, Viktor e Boris já conversamos. Até o meio do dia de quinta-feira temos tempo para fazer algum pedido. Claro, nunca há garantia de que eles vão atender e dizer 'ok'", afirmou.


Djokovic reconheceu a pressão comercial do lado oposto: "Eu sei que os organizadores gostariam que eu jogasse à noite, porque há apenas uma partida e, por causa da venda de ingressos." Mas justificou a preferência pelo dia: "Há diferença na forma como a bola reage durante o dia e à noite. Ainda vamos ver." A conversa com a imprensa sérvia ocorreu enquanto o jogo de Fonseca contra Prizmic ainda estava em andamento.


O peso do retrospecto

Fonseca será o sexto brasileiro a enfrentar Djokovic em chaves principais. O sérvio venceu as 11 partidas anteriores contra tenistas do país: foi 6-0 contra Thomaz Bellucci, incluindo um 6/0 nas oitavas do Masters 1000 de Roma em 2016; 2-0 contra Rogério Dutra Silva, no US Open 2012 e em Roland Garros 2018; 1-0 contra Ricardo Mello, no ATP de Lyon em 2005; 1-0 contra João Souza, no US Open 2015; e 1-0 contra Francisco Costa, no Challenger de Budapeste em 2004, quando o brasileiro chegou a ganhar o segundo set por 6/0.


(Há, porém, um duelo que precisa ser lembrado: o paulista Júlio Silva bateu Djokovic em 2004, no quali do Challenger de Reggio Emilia, por 6/4 e 6/3. Foi a única vitória de um brasileiro sobre o sérvio em qualquer nível do circuito profissional. Por ter sido conquistado em rodada qualificatória, o feito não aparece nas estatísticas da ATP).


Estatísticas

Com a virada sobre Prizmic, Fonseca entrou num clube restrito:: é apenas o terceiro jovem

a vencer uma partida de Roland Garros estando dois sets abaixo neste século. Os outros dois são Roger Federer, em 2001, e Thanasi Kokkinakis, em 2015.


E tornou-se o primeiro brasileiro a alcançar a terceira rodada de Roland Garros em anos consecutivos desde Thomaz Bellucci, em 2010 e 2011.


Outro dado sobre a trajetória de Fonseca: desde 1990, oito dos dez tenistas que alcançaram as primeiras 50 vitórias no circuito ATP em menos partidas do que o carioca (que chegou à marca em 83 jogos) tornaram-se número 1 do mundo. As únicas exceções são Andrei Medvedev, que atingiu o marco em 75, e Jakub Mensik, em 82.


Horário e onde assistir

O duelo entre Fonseca e Djokovic é o terceiro da programação da Chatrier nesta sexta-feira, com início não antes das 10h30 (horário de Brasília). A transmissão é pela ESPN e Disney+.

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