Djokovic encerra ciclo na PTPA e deixa entidade que ajudou a fundar
- Raphael Favilla

- 5 de jan.
- 3 min de leitura
A saída de Novak Djokovic da Associação de Jogadores de Tênis Profissionais (PTPA) marca um ponto de inflexão na relação do sérvio com a atuação política dentro do esporte. Fundador da entidade ao lado do canadense Vasek Pospisil, em 2020, o dono de 24 títulos de Grand Slam anunciou neste domingo que não faz mais parte da organização, citando divergências profundas em relação à governança e à condução atual do projeto.

A decisão foi comunicada diretamente pelo próprio jogador em suas redes sociais e encerra um dos capítulos mais relevantes de sua influência fora das quadras ao longo da última década.
Divergências de governança motivaram a saída
No comunicado, Djokovic explicou que a escolha veio após uma análise cuidadosa e está relacionada a preocupações recorrentes com transparência, governança e representação institucional dentro da entidade.
“Tenho orgulho da visão que Vasek e eu compartilhamos ao fundar a PTPA, dando aos jogadores uma voz mais forte e independente. Mas ficou claro que meus valores e minha forma de agir não estão mais alinhados com a direção atual da entidade”, afirmou o sérvio.
O ex-número 1 do mundo também destacou que sua voz e sua imagem já não vinham sendo representadas da maneira que considera adequada, fator decisivo para o rompimento definitivo.
Entidade nasceu como alternativa à ATP
Criada em meio a críticas ao modelo de gestão do circuito profissional, a PTPA surgiu como uma tentativa de oferecer aos jogadores maior autonomia e independência em relação à ATP. Djokovic e Pospisil atuaram como copresidentes nos primeiros anos do projeto, que passou a representar tenistas de simples entre os 500 melhores dos rankings da ATP e da WTA, além de duplistas entre os 200 primeiros colocados.
Desde sua fundação, a associação esteve envolvida em debates sensíveis sobre distribuição de receitas, governança do tênis profissional e condições de trabalho no circuito, frequentemente em oposição às estruturas tradicionais do esporte.
Apesar de reconhecer a importância da iniciativa, Djokovic deixou claro que não pretende manter qualquer vínculo com a entidade.
“Vou seguir focado no meu tênis, na minha família e em contribuir para o esporte de formas que reflitam meus princípios e minha integridade. Desejo o melhor aos jogadores e a todos os envolvidos, mas para mim este capítulo está encerrado”, escreveu.
Até o momento, a PTPA não se manifestou oficialmente sobre a saída de seu principal fundador.
Foco total na preparação física para o Australian Open
O afastamento da PTPA acontece em um momento em que Djokovic também ajusta sua programação dentro de quadra. Nesta segunda-feira, o sérvio anunciou que não disputará o ATP 250 de Adelaide, torneio do qual é bicampeão, com títulos em 2007 e 2023.
Aos 38 anos e atual número 4 do mundo, ele não compete desde o início de novembro, quando conquistou o título em Atenas. Segundo o próprio jogador, a decisão de se retirar do torneio australiano está ligada à condição física.
“Para todos os meus fãs em Adelaide, infelizmente, não estou fisicamente pronto para competir na próxima semana. É uma grande decepção para mim, pois tenho ótimas lembranças de ter conquistado o título lá há dois anos”, escreveu.
Djokovic afirmou ainda que sua prioridade absoluta neste momento é chegar em plenas condições ao primeiro Grand Slam da temporada.
“Meu foco agora está na minha preparação para o Australian Open e estou ansioso para chegar em Melbourne em breve e ver todos os fãs de tênis na Austrália”.
Australian Open como grande objetivo da temporada
O Australian Open começa em 18 de janeiro e representa um torneio especial para o sérvio, maior vencedor da história do evento, com dez títulos em Melbourne. Nas duas últimas edições, porém, ele ficou pelo caminho nas semifinais, sendo derrotado por Jannik Sinner em 2024 e por Alexander Zverev em 2025.
Livre de compromissos políticos e ajustando o calendário competitivo, Djokovic inicia 2026 focado exclusivamente no desempenho em quadra, buscando prolongar sua trajetória no topo do tênis mundial.
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