Dupla 100% brasileira volta ao topo do ranking após 14 anos: Chow e Marchezini são as novas número 1
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Sophia Chow e Vitória Marchezini são as novas líderes do ranking mundial da ITF de beach tennis. As brasileiras assumiram o topo nesta segunda-feira com 5.912 pontos em 22 torneios disputados, encerrando 14 anos sem uma dupla 100% nacional na ponta da classificação, desde 2012, quando Samantha Barijan e Joana Cortez ocuparam o posto pela última vez.

A virada não veio com troféu na mão. No BT 400 de Balneário Camboriú, Chow e Marchezini foram eliminadas nas quartas de final pelas italianas Greta Giusti e Nicole Nobile, cabeças 6, por 3/6, 6/2 e 10-8. Mas as até então líderes, Giulia Gasparri e Ninny Valentini, também não passaram da mesma rodada: foram superadas pelas compatriotas Sofia Cimatti e Flaminia Daina por 6/7 (5/7), 7/5 e 10-8.
O título ficou com as russas Anastasia Semenova e Elizaveta Kudinova, que bateram Cimatti e Daina na semifinal por 7/5 e 6/0 e arrasaram na decisão por 6/0 e 6/1, faturando o 21º título na carreira e o quinto na temporada. Semenova e Kudinova permanecem em 5º no ranking, com 4.664 pontos. Gasparri e Valentini, que vinham dominando o circuito, caíram para o 3º lugar com 5.754 pontos em 16 torneios.
"É a realização de um sonho, que foi muito buscado e batalhado. Poucas pessoas sabem quantas batalhas invisíveis enfrentamos diariamente para chegar onde chegamos, mas saber que entramos para a história é algo que me deixa muito feliz", disse Chow, de 28 anos.
A paulistana foi além. Em outra declaração, escreveu sobre o que o número de fato representa: "No dia em que, ao lado da Vitória, sinto a profunda alegria de pisar no topo da montanha, quero agradecer a todos que me acompanharam até aqui. Minha família, meu time, meus patrocinadores. Alcançar o número 1 no esporte que escolhi sempre foi a decisão que tomei todos os dias, o sonho que transformei em exercício, o auge que enxerguei de longe, no início", contou.
"Ainda não compreendo tudo que esse número significa, porque essas coisas são curiosas: pensamos que o grande objetivo, uma vez conquistado, será a fonte de tudo o que sempre desejamos, mas aí descobrimos que não é assim. Por quê? Porque ao contrário do que se imagina, o número 1 não muda a vida de ninguém. A vida é a montanha, não o topo. O que nos transforma é o que fazemos para chegar lá em cima. Hoje é o dia em que todos os esforços e todas as renúncias se encontram num pedaço de terra em que não cabe muita gente. Muito orgulho por estar aqui", finalizou.
Em seu Instagram, Marchezini, de 20 anos, expressou a emoção de quem realizou um sonho que começou muito antes de qualquer ranking. "Por onde posso começar?! Escrevo esse texto com o coração trasbordando de alegria e com um sonho de menina sendo realizado. Quando comecei a jogar me apaixonei, senti algo diferente, senti que era o meu lugar, onde queria estar", escreveu a paranaense. "Aos 14, estava viajando com os amigos do beach que cuidavam de mim por ser muito nova ainda, e minha família em casa torcendo para que tudo isso desse certo porque não era fácil. Alguns dias fora de casa, às vezes meses", lembrou.
"Agora mais madura, a gente sabia que era nossa hora. Foi uma construção no último ano, com ótimas vitórias e resultados importantes. Sabíamos que nesse começo de temporada seria difícil a pressão e as perguntas será que vão conseguir!? Sim, conseguimos! Perto das pessoas que amo, minha família, meu namorado, amigos, foi muito especial, acho que a ficha não caiu ainda", disse rindo, antes de se dirigir à parceira: "À Sophia, minha parceira, foi especial demais construir tudo isso com você."
A construção de um número 1
O caminho até a liderança não foi uma linha reta. Chow e Marchezini vinham de cinco títulos consecutivos quando tropeçaram no BT 400 de Cuiabá, duas semanas atrás: caíram nas semifinais para as campeãs mundiais Semenova e Kudinova por 7/6 (10/8), 0/6 e 10-8. Naquele dia, o sonho foi adiado. Em Balneário Camboriú, chegou pela matemática: consistência acumulada, desgaste das italianas e 5.912 pontos que nenhuma concorrente tinha.
Chow soma oito títulos de Sand Series, a categoria que concentra os torneios mais importantes do circuito, e outros oito de BT400. Juntas, as duas são as atuais campeãs do ITF Beach Tennis Finals, o principal evento de encerramento de temporada, reservado às melhores duplas do ano. O Beach Tennis World Tour da ITF reúne mais de 490 torneios em 35 países.
"Vocês não só fizeram história. Vocês estão mudando o rumo dela"
Samantha Barijan, uma das últimas brasileiras a ocupar o posto, foi ao Instagram para celebrar. Ela que esteve lá antes sabe o que custa. "Hoje eu vejo a história se repetindo. E, ao mesmo tempo, avançando. Quando eu e a Joana Cortez chegamos ao topo do mundo em 2013, parecia distante da realidade brasileira. Era território desconhecido. Um feito que exigia não só performance, mas loucura, vontade e coragem pra acreditar", escreveu.
"Hoje, ver Vitória Marchezini e Sophia Chow assumindo esse lugar juntas tem outro significado. Mais maduro. Mais estruturado. Tão forte quanto. Elas se tornam a segunda dupla brasileira da história a alcançar o lugar mais alto do ranking mundial. E isso não é só um número. É reflexo da evolução do beach tennis brasileiro", continuou.
A ex-número 1 também contextualizou o feito dentro do histórico recente: "Nessa construção, vimos a Rafa Miller chegar lá ao lado da Maraike Biglmaier. Um passo importante. Uma peça fundamental. A Rafa representa bem a virada do esporte. Mais profissional, mais visível, mais conectado. Um novo momento. Mas o que Vitória e Sophia fazem agora é simbólico. Duas brasileiras. Jogando juntas. No topo do mundo."
Barijan ampliou o olhar para além da quadra: "Eu que sempre bato na tecla sobre o respeito que se deve ter à categoria feminina. Hoje, as mulheres brasileiras são maioria nesse feito. São 5 mulheres, e trago isso em número pq é simbólico. É impacto. É mercado. É capacidade de atrair grandes marcas. É protagonismo. E isso, no mês das mulheres, dá orgulho. De verdade! Porque vejo nelas não só resultado, mas representatividade. Elas entregam performance, constroem marca pessoal relevante e ocupam espaço."
E encerrou com foco na geração que cresce olhando para cima: "Hoje, uma nova geração já cresce entendendo que ser brasileira não limita. Pelo contrário. Ser brasileira é motivo de orgulho! A gente não precisa mais olhar pra fora pra validar excelência. E nada disso acontece por acaso. Existe um ecossistema por trás. Professores que formam. Arenas que investem. Estrutura que sustenta. Gente que acredita e eleva o nível todos os dias. O Brasil hoje é potência porque existe base. A gente chegou. E elas estão ampliando esse caminho de um jeito que não tem mais volta. Parabéns, Vi e So. Vocês não só fizeram história. Vocês estão mudando o rumo dela."
No masculino, Gianotti e Spoto tetracampeões
Na chave masculina, os líderes mundiais não deixaram dúvidas. Nicolas Gianotti (França) e Mattia Spoto (Itália) venceram de virada Felipe Loch e Gabriele Gini, cabeças 4, por 5/7, 7/6 (8/6) e 10-7, conquistando o quarto título em Balneário Camboriú. Gianotti lidera o ranking da ITF com 6.654 pontos em 25 torneios; Spoto aparece logo atrás com 6.616 pontos em 20 torneios.
Nas semifinais, Loch e Gini eliminaram os brasileiros Hugo Russo e Daniel Schmitt, cabeças 8, por 6/0 e 6/4. Do outro lado, Gianotti e Spoto afastaram os brasileiros Fabricio Neis e Gustavo Russo, cabeças 6, por 7/6 (7/4) e 6/3. Nas quartas, Neis e Russo haviam derrubado os cabeças 2 André Baran e Michele Cappelletti em dois tiebreaks disputados: 7/6 (7/5) e 7/6 (7/4).
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