Empresa lidera aporte de US$ 225 milhões e cria gigante global do pickleball
- 3 de mai.
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O pickleball deu mais um salto rumo ao centro da indústria esportiva mundial. A Apollo Sports Capital liderou um investimento estruturado de US$ 225 milhões na Pickleball Inc., nova empresa-mãe do PPA Tour e do Major League Pickleball (MLP), em uma movimentação que consolida o maior ecossistema da modalidade operado sob uma única plataforma.
Com a rodada, o total captado pela companhia chega a US$ 315 milhões, e a avaliação da Pickleball Inc. foi estimada em US$ 750 milhões. O negócio não apenas reforça a força comercial do esporte como também sinaliza uma nova etapa de profissionalização, integração de ativos e expansão internacional da modalidade.

A nova estrutura da Pickleball Inc. reúne, em uma só holding, ativos que cobrem praticamente toda a cadeia do esporte. Entre eles estão:
o PPA Tour e o MLP, principais circuitos profissionais;
a Pickleball Central, maior varejista da modalidade no mundo;
a PickleballTournaments.com, plataforma dominante de eventos organizados;
a construtora de quadras Just Courts;
a Pickleball TV, em parceria com o Tennis Channel, única rede 24 horas dedicada ao esporte.
A empresa também tem investimentos na Picklr, maior rede indoor de pickleball do mundo, e na DUPR, sistema de rating com mais de 1 milhão de jogadores avaliados. Na prática, a operação passa a controlar desde a entrada do atleta amador até a vitrine do profissional, passando por consumo, tecnologia, eventos e infraestrutura.
Quem está por trás do negócio
O aporte foi liderado pela Apollo Sports Capital, braço esportivo da Apollo Global Management, uma das maiores gestoras de ativos do mundo. Em março de 2026, a ASC concluiu a aquisição do controle majoritário do clube espanhol Atlético de Madrid.
Também participou a Dundon Capital Partners, do empresário Tom Dundon, dono do Portland Trail Blazers, da NBA, e do Carolina Hurricanes, da NHL, além de um dos primeiros investidores do pickleball profissional.
O novo conselho da Pickleball Inc. terá cinco membros: Connor Pardoe, fundador do PPA Tour e CEO da companhia; Al Tylis, CEO da Apollo Sports Capital; Jason Stein; Zubin Mehta; e Brian Levine. Dundon e a família Pardoe permanecem como acionistas majoritários.
Para Connor Pardoe, o momento é decisivo.
“Este é um dia sísmico para o negócio em rápido crescimento do pickleball em todos os níveis”, afirmou o executivo.
Os números que empurram o esporte
O interesse dos investidores não veio por acaso. As verticais combinadas da Pickleball Inc. geraram mais de US$ 140 milhões em receita em 2025. Apenas o PPA Tour e o MLP somaram US$ 60 milhões no ano, sendo US$ 30 milhões em patrocínio, e projetam atingir US$ 74 milhões combinados em 2026, segundo dados divulgados pela CNBC.
Na audiência, o crescimento também chama atenção. O PPA Tour estabeleceu recorde histórico na CBS em 18 de janeiro de 2026, com média de 791 mil telespectadores. Já o MLP alcançou 499 mil de média na CBS em agosto de 2025, também recorde para a liga.
Do lado da prática esportiva, o cenário é igualmente expressivo: mais de 24 milhões de pessoas jogaram pickleball nos Estados Unidos em 2025, alta de 22% sobre o ano anterior. Em três anos, a participação cresceu mais de 171%, consolidando a modalidade como o esporte de crescimento mais rápido da América pelo quinto ano consecutivo.
Para Al Tylis, o apelo vai além dos números.
“O pickleball é um dos esportes de crescimento mais rápido do mundo, atraindo jogadores e fãs de todas as idades”, disse o CEO da Apollo Sports Capital.
Equidade de gênero como diferencial
Um dos pontos mais fortes do modelo de negócio da Pickleball Inc. está na estrutura de equidade de gênero. No PPA e no MLP, homens e mulheres competem em condições iguais de visibilidade e valorização, algo ainda raro no esporte profissional.
Segundo informações divulgadas pela própria operação, as 60 melhores mulheres do ranking recebem salário médio anual superior a US$ 260 mil, o maior salário médio de todo o esporte feminino profissional em equipes.
Em um cenário em que ligas e propriedades esportivas buscam novos formatos de engajamento e geração de receita, o pickleball se posiciona como um case de inclusão com viabilidade econômica.
O que isso significa para o esporte
A criação da Pickleball Inc. representa mais do que uma simples rodada de investimento. Na prática, trata-se de uma tentativa de transformar o pickleball em uma plataforma esportiva de massa, capaz de combinar competição, mídia, varejo, tecnologia e expansão territorial.
O movimento lembra a lógica de consolidação vista em outras indústrias esportivas: um grupo forte, com capital de longo prazo, compra ou integra ativos complementares e passa a controlar o funil inteiro do negócio. No caso do pickleball, isso pode acelerar a entrada de patrocinadores, ampliar a base de fãs e profissionalizar ainda mais os circuitos.
Para Samin Odhwani, comissário do MLP, os sinais do mercado já não deixam dúvidas.
“Os dados contínuos e dinâmicos ano a ano provaram sem dúvida que o pickleball não é mais um esporte emergente — está rapidamente se tornando o próximo esporte de primeiro nível da América”, afirmou.
O reflexo no Brasil
Se nos Estados Unidos o pickleball já entrou na fase de consolidação, no Brasil o esporte ainda vive um momento de expansão orgânica, mas com sinais claros de organização e potencial comercial.
A principal referência da modalidade no país é a Liga Supremo de Pickleball, apontada como a maior da América Latina. O projeto adota modelo de revenue sharing inspirado em ligas como NBA e NFL, transformando atletas em sócios do negócio. A competição também foi pioneira ao adotar o VAR fora dos Estados Unidos, o que mostra a busca por padronização e credibilidade esportiva.
O crescimento brasileiro acontece de forma espalhada, mas constante: clubes adaptam quadras, condomínios incorporam o pickleball como opção de lazer e academias começam a incluir a modalidade em suas grades. A criação da Confederação Brasileira de Pickleball também marcou um passo importante para a organização institucional do esporte no país.
Em um mercado de esportes com raquetes que já convive com a força do tênis, do padel e do beach tennis, o pickleball começa a disputar atenção com uma narrativa própria: acessível, social, rápido de aprender e cada vez mais atraente para investidores.

Ronaldo Fenômeno é um dos que apostam na modalidade. O ex-jogador está investindo pesado no mercado de esportes de raquete. O projeto Galácticos Rackets tem foco inicial em tênis e padel, mas o pickleball já começa a aparecer em seu ecossistema de negócios. Embora ele se declare um apaixonado praticante de tênis e padel, sua rede de academias R9 já inaugurou quadras de pickleball em unidades como a de Vinhedo.
O movimento reforça o apelo crossover do esporte: atrai não só atletas de raquete, mas ícones de outras modalidades em busca de novos negócios. Fenômeno, que já revolucionou o futebol com visão empresarial, vê no pickleball uma oportunidade de crescimento exponencial no mercado brasileiro.
Editorial
O aporte liderado pela Apollo confirma o que o mercado já vinha sinalizando: o pickleball deixou de ser apenas uma febre esportiva e passou a ocupar espaço como indústria. Com audiência crescente, receita em alta, modelo de negócios integrado e forte apelo de participação, a modalidade entra em uma nova fase.
Se o tênis construiu sua história em torno de tradição, o pickleball parece querer vencer pela velocidade da execução. E, pelo tamanho do cheque, os investidores acreditam que essa história está só começando.
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