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Escolha o profissional certo para aprender

  • 19 de jan.
  • 4 min de leitura

Neste artigo, Haroldo Zwetsch Jr. discute uma das competências mais decisivas, e menos visíveis, do ensino do tênis: a capacidade do treinador de enxergar além do treino do dia e conduzir, com clareza, o próximo passo do atleta. O texto questiona práticas imediatistas, comuns no cotidiano das quadras, e propõe uma visão de formação baseada em progressão, método e responsabilidade.


Com a autoridade de quem atua há décadas no ensino, na formação de treinadores e no alto rendimento, Haroldo defende que repetir não é suficiente quando não existe organização do processo. Técnica, tática, preparação física, mentalidade e competição só geram evolução real quando estão inseridas em um sistema coerente de decisões ao longo do tempo. E não em respostas momentâneas ao treino da semana.


O artigo também se dirige a pais e gestores, oferecendo um critério simples e poderoso para avaliar o trabalho de um treinador: a clareza sobre o próximo passo. A seguir, Haroldo reforça que formar atletas não é resolver o agora, mas construir caminhos consistentes para o amanhã. Com intenção, leitura precisa e compromisso com o desenvolvimento humano e esportivo.


Escolha o profissional certo para aprender


Escolha o profissional certo para aprender

O ensino no tênis tem muitas variáveis, mas existe uma que define, mais do que qualquer outra, a qualidade de um treinador: a capacidade de enxergar e conduzir o próximo passo. Não se trata apenas de organizar um bom treino, escolher exercícios eficientes ou corrigir um gesto técnico. O verdadeiro trabalho começa quando o treinador consegue pensar além do momento presente e construir uma sequência lógica de desenvolvimento para o jogador. Na prática, o que mais se vê são aulas bem-intencionadas, cheias de esforço e dedicação, mas presas ao agora. O professor observa o que acontece dentro da quadra naquele dia, avalia se o atleta acertou mais bolas, se errou menos, se esteve mais concentrado. Tudo isso é importante, mas insuficiente quando não existe uma visão clara do caminho que vem depois.


O tênis, como qualquer processo de formação, não evolui por eventos isolados. Ele evolui por decisões organizadas ao longo do tempo. Repetir faz parte do jogo, e ninguém consolida um forehand sem milhares de execuções. O gesto técnico exige paciência, consistência e disciplina. No entanto, a repetição por si só não garante crescimento, ela garante apenas manutenção. O que realmente transforma um treino em um processo de formação é a capacidade de ajustar as tarefas conforme a fase do atleta. Em determinado estágio, insistir na mesma atividade é fundamental; em outro, insistir demais é justamente o que trava o avanço. A maturidade do treinador aparece quando ele entende quando consolidar e quando desafiar, quando estabilizar e quando provocar a próxima adaptação.


É nesse ponto que surgem as perguntas que não podem ficar sem resposta dentro de um método sério: depois da consistência, o que vem? Em que momento aumento a potência? Quando exijo mais precisão? Quando coloco o jogador sob pressão real de jogo? Como faço ele lidar com intensidade sem perder controle? E como desenvolvo controle sem eliminar a agressividade que o esporte exige? Essas decisões não podem depender do humor do dia ou da sensação momentânea do treino. Elas precisam fazer parte de uma lógica clara, de um sistema de progressão que conduza o atleta da execução à repetição, da repetição à sustentação, da sustentação à tomada de decisão e, por fim, à performance sob pressão.


O papel do treinador, nesse contexto, deixa de ser apenas técnico e passa a ser profundamente formativo. Ele não é alguém que corrige golpes, mas alguém que conduz etapas. Ele mostra ao atleta onde ele está, o que já domina e, principalmente, para onde deve ir. Isso vale para todas as dimensões do esporte: técnica, tática, preparação física, mentalidade e competição. Até competir precisa ser construído. Não se joga torneios por acaso, não se expõe um jovem atleta sem critérios, não se acelera processos sem avaliar as consequências. A competição faz parte da formação quando está inserida em um projeto, e não quando é tratada como um fim em si mesma.


Muitas vezes, o caminho não é complexo. Ele é apenas ordenado. Existe hoje no tênis muita informação disponível, mas pouca organização real desse conhecimento. Treinar bem não significa criar exercícios mirabolantes, mas saber aplicar o simples no momento certo, com progressão clara e leitura precisa do estágio do jogador. Isso exige estudo, exige método e, acima de tudo, exige responsabilidade profissional. O treinador que entende isso não trabalha para resolver apenas a aula de hoje; ele trabalha para construir o atleta de amanhã.


E aqui entra uma mensagem direta para os pais. Se você quer saber se o profissional que acompanha seu filho realmente está comprometido com o desenvolvimento dele, faça uma pergunta simples: qual é o próximo passo? Se a resposta for clara, estruturada e conectada a um processo, você está diante de alguém que constrói. Se a resposta se limitar ao treino da semana, você está diante de alguém que executa, mas não necessariamente forma. O futuro de um atleta não se decide em um único treino, mas na visão de quem o conduz todos os dias.


No fim das contas, o grande diferencial no ensino do tênis não está na quantidade de exercícios, nem no volume de bolas batidas, nem mesmo no carisma do treinador. Está na capacidade de organizar caminhos. Ensinar não é repetir tarefas, é dar sentido a cada etapa. O bom treinador ensina o que fazer hoje. O grande treinador constrói, com método e clareza, o que o atleta será amanhã.

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